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Álvaro Machado afirma que geopolítica vai além do petróleo e passa por terras raras

Publicado 06/01/2026 • 13:30 | Atualizado há 1 dia

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Álvaro Machado Dias é um neurocientista e futurista de reputação internacional. Ele é professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo, membro do Painel Global de Tecnologia do MIT e fellow da Brain & Behavioral Sciences (Cambridge).

KEY POINTS

  • A estratégia de Donald Trump na Venezuela em 2026 foca em minerais de terras raras, como o neodímio, essenciais para a infraestrutura de IA e defesa militar.
  • Embora o petróleo venezuelano seja a maior reserva do mundo, especialistas avaliam que ele é pesado e caro de extrair, não justificando sozinho o alto custo militar e humano de uma invasão.
  • A captura de Maduro é vista como um movimento para bloquear rotas estratégicas da China, que domina o refino desses minerais e os utiliza como arma de pressão comercial contra os EUA.

Apesar das declarações de Donald Trump sobre uma possível invasão da Venezuela para controlar o petróleo, o contexto econômico atual indica que o interesse dos Estados Unidos vai além dessa commodity. Para analisar o tema, o programa Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, conversou com Álvaro Machado Dias, especialista em inovação e tecnologia, que explicou como terras raras e inteligência artificial entram nessa equação geopolítica.

“Como explicação única, não fecha. Hoje não existe escassez global de petróleo, os preços estão baixos e os Estados Unidos produzem em níveis recordes. Além disso, o petróleo venezuelano é pesado e caro de extrair”, afirmou Álvaro Machado Dias, ao avaliar que as reservas do país não se convertem rapidamente em retorno econômico.

O especialista destacou que, mesmo com as maiores reservas do mundo, a Venezuela exigiria investimentos bilionários e um alto custo político, militar e humano para transformar o petróleo em renda.

“Para transformar essa reserva em renda, vai ser necessário investir bilhões e gastar um capital que é político, militar e, acima de tudo, humano, que é muito valioso, numa época de grande transformação”, disse. Para ele, o foco exclusivo no petróleo precisa ser revisto para uma compreensão mais ampla da estratégia americana.

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Álvaro Machado Dias afirmou que a economia da inteligência artificial tem papel central nesse debate, especialmente por envolver terras raras, gás natural e uma dinâmica geopolítica marcada pela concorrência com a China. Segundo ele, bloquear rotas estratégicas chinesas faz parte da política externa dos Estados Unidos e ajuda a explicar o interesse por regiões como a Venezuela e a Groenlândia.

Na avaliação do especialista, a disputa comercial entre Estados Unidos e China evidenciou o peso estratégico das terras raras. Ele lembrou que Pequim domina o refino desses minerais e chegou a restringir exportações durante embates tarifários, utilizando o controle como instrumento de pressão econômica.

“A China mostrou que o controle sobre as terras raras funciona como uma arma comercial poderosíssima”, afirmou. Para ele, esse movimento acionou um alerta no governo americano, ainda que as reações decorrentes nem sempre sigam critérios considerados racionais ou éticos sob a ótica internacional.

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Segundo Álvaro Machado Dias, no caso venezuelano, o interesse se concentra em elementos como térbio, neodímio e disprósio, usados na produção de ímãs de alta performance aplicados à defesa, à eletrificação e à infraestrutura da inteligência artificial. Esses minerais são considerados estratégicos para a segurança nacional americana.

O especialista explicou que a criação de gargalos chineses na exportação dessas commodities sensíveis ajuda a entender, fora da lógica tradicional, as decisões e discursos do governo Donald Trump. Para ele, trata-se de uma racionalidade geopolítica que extrapola o uso direto de recursos naturais.

Ao relacionar o cenário atual com disputas históricas, Álvaro Machado Dias concordou que a nova corrida hegemônica entre Estados Unidos e China substitui o risco nuclear do século XX por uma disputa centrada em tecnologia e inteligência artificial. Nesse contexto, minérios estratégicos ganham peso decisivo.

“Hoje, apesar de as armas autônomas estarem mais restritas aos drones, há um grande investimento em robótica militar, veículos autônomos de combate, submarinos inteligentes e sistemas baseados em inteligência artificial”, afirmou. Segundo ele, nenhuma grande potência aceita abrir mão dessas tecnologias.

Para o especialista, o aumento de conflitos regionais após o enfraquecimento da chamada Pax Americana impulsiona a indústria bélica, que hoje vai além de armas convencionais. Softwares de inteligência, sensores, plataformas de dados e empresas com forte vínculo governamental fazem parte desse novo ecossistema.

Álvaro Machado Dias concluiu que questões estratégicas de Estado, interesses comerciais e disputas geopolíticas se entrelaçam em um cenário marcado por tecnologia, inteligência artificial e terras raras, criando tensões que se manifestam em diferentes regiões do mundo.

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