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Operações da PF

Qual é a ligação entre Genial, Reag e Banco Master?

Publicado 04/05/2026 • 11:45 | Atualizado há 6 meses

KEY POINTS

  • A investigação aponta que a operação envolve uma engrenagem financeira que conecta o Genial Investimentos, a Reag Investimentos e o Banco Master.
  • Essa transição é vista pelos investigadores como um momento-chave para entender a reorganização financeira do grupo.
  • O Genial Investimentos declara que exerce funções de administração fiduciária conforme a regulamentação.
Banco Genial

Foto: divulgação

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A Secretaria da Fazenda de São Paulo determinou no início de maio de 2026 o bloqueio de R$ 176 milhões ligados à Genial Investimentos, no âmbito da investigação da Operação Carbono Oculto.

A medida foi adotada como parte de uma ação cautelar fiscal que apura suspeitas de sonegação e lavagem de dinheiro envolvendo empresas do setor de combustíveis e possíveis conexões com o Primeiro Comando da Capital.

O bloqueio ocorre após movimentações financeiras consideradas atípicas e integra uma tentativa do Estado de recuperar bilhões em tributos.

Estrutura financeira no centro da apuração

A investigação aponta que a operação envolve uma engrenagem financeira que conecta a Genial Investimentos, a Reag Investimentos e o Banco Master.

Segundo as informações reunidas no processo, empresários investigados passaram a operar com a Genial após romperem relação com a Reag, que anteriormente administrava recursos do grupo.

A partir da segunda metade de 2024, a Genial Investimentos passou a operar em parceria com Primo e Beto Louco, após um rompimento deles com João Carlos Mansur, proprietário da Reag. Até esse momento, a Reag era a gestora predominante utilizada pelos responsáveis pela Copape e pela Áster tanto para realizar pagamentos de investimentos quanto para ocultar recursos provenientes de evasão fiscal.

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Essa migração não ocorreu de forma isolada. Junto com os clientes, foi transferido um fundo estruturado, um FIDC estimado em cerca de R$ 500 milhões, vinculado a créditos consignados originados no Banco Master.

Essa movimentação marca o ponto de conexão entre as três instituições. O Banco Master aparece como origem dos ativos financeiros.

A Reag surge como gestora anterior desses recursos. Já a Genial passa a atuar como novo administrador e estruturador das operações.

Como o dinheiro circulava no grupo Genial

A dinâmica descrita pelas autoridades indica um circuito fechado de recursos. Uma empresa ligada ao grupo investigado aplicou R$ 176 milhões em CDBs emitidos pela Genial por meio de um fundo. Na sequência, esses mesmos valores serviram como garantia para a concessão de crédito pelo próprio banco.

O dinheiro retornava ao grupo por meio de uma operação de crédito estruturado, permitindo a aquisição de ativos como imóveis e participações em fundos. Esses bens, por sua vez, ficavam alienados ao banco, formalizando a garantia da operação.

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Na prática, a suspeita é que recursos do próprio grupo tenham sido reciclados dentro do sistema financeiro para aquisição de patrimônio, em uma estrutura que pode caracterizar ocultação de origem e blindagem patrimonial.

O papel da Reag na transição

A Reag Investimentos aparece como peça relevante na fase anterior das operações. Era a gestora que administrava fundos utilizados pelos empresários investigados até o rompimento entre as partes.

Após o desentendimento, os ativos foram redirecionados. Fundos antes sob gestão da Reag passaram por mudanças de administração e gestão, sendo reestruturados dentro de uma nova cadeia que inclui a Genial e outras instituições.

Essa transição é vista pelos investigadores como um momento-chave para entender a reorganização financeira do grupo.

Banco Master como origem dos ativos

O Banco Master entra no caso como a origem dos créditos que lastreavam parte relevante das operações. Os ativos de crédito consignado vinculados ao banco foram utilizados na estrutura de fundos que circularam entre as gestoras e a Genial.

Embora não seja apontado como alvo direto da investigação, o banco aparece como elo inicial na cadeia financeira que posteriormente foi reorganizada.

Tentativa de reversão e bloqueio

Durante o avanço da operação, houve uma tentativa de desfazer as transações pouco antes da execução das medidas judiciais. A manobra foi interpretada pelas autoridades como tentativa de evitar o bloqueio e acabou sendo classificada como irregular.

Com isso, a Justiça manteve a restrição sobre os valores. Recursos apresentados pela instituição não tiveram sucesso até o momento.

O que dizem as investigações

A Operação Carbono Oculto é considerada uma das maiores já realizadas no país contra o crime organizado. As apurações indicam que estruturas financeiras sofisticadas foram utilizadas para movimentar bilhões fora do alcance de mecanismos tradicionais de controle.

Entre os pontos investigados estão o uso de fundos de investimento, operações de crédito estruturado e aquisição de ativos reais como forma de ocultar patrimônio.

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Banco nega irregularidades e diz colaborar com autoridades

Em nota ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o Banco Genial afirmou atuar “em estrita conformidade com as normas do mercado financeiro, pautando suas atividades por elevados padrões de governança, transparência e controles internos”. O banco acrescentou que as medidas judiciais mencionadas se referem a processo em curso envolvendo fundo sob administração da instituição e que “a atuação como administradora fiduciária foi conduzida em conformidade com a regulamentação aplicável e com os deveres inerentes a essa função”.

Sobre a Operação Carbono Oculto, o Genial afirmou que não é investigado e que tem “colaborado com as autoridades desde que tomou conhecimento dos fatos”. Fundado há cerca de 20 anos, o grupo conta com mais de 2 milhões de clientes e R$ 280 bilhões em ativos sob custódia.

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