Fórum independente reúne cerca de 150 cadastrados e busca organizar investidores diante da crise financeira do grupo.
Eventual associação poderá atuar em negociações e na definição de estratégias para recuperação dos recursos.
A avaliação entre os participantes é que uma estrutura coletiva poderá aumentar a capacidade de representação dos credores em futuras negociações e também facilitar a definição de estratégias caso a crise avance para uma recuperação judicial.
Investidores e credores ligados à Apex Partners e à Rhino Securitizadora começaram a discutir a criação de uma associação para organizar a atuação do grupo diante da crise financeira das empresas. A proposta ganhou espaço durante um fórum independente realizado no sábado (29), em Vitória, que reuniu participantes em busca de informações sobre os investimentos e os próximos passos do caso.
A iniciativa já contava com cerca de 150 pessoas cadastradas e pretende reunir investidores com diferentes tipos de exposição financeira. Entre eles estão detentores de debêntures Rhino/Apex, cotistas de fundos da Carbyne e pessoas com valores em atraso ou pagamentos ainda pendentes.
De acordo com o jornal A Gazeta, do Espírito Santo, avaliação entre os participantes é que uma estrutura coletiva poderá aumentar a capacidade de representação dos credores em futuras negociações e também facilitar a definição de estratégias caso a crise avance para uma recuperação judicial.
Associação pode organizar atuação dos investidores
A possível associação ainda está em discussão. A expectativa é criar uma representação formal capaz de reunir interesses comuns e acompanhar de maneira organizada as medidas adotadas pela empresa e pelo Judiciário.
Um dos desafios é a diversidade das aplicações envolvidas. Os investidores possuem contratos e produtos financeiros distintos, que podem exigir caminhos diferentes para a tentativa de recuperação dos recursos. Nesse cenário, a organização coletiva é vista como uma forma de reduzir a fragmentação dos credores e ampliar sua capacidade de interlocução.
O fórum, porém, não possui caráter oficial dentro de um eventual processo de recuperação judicial e não corresponde a um Comitê de Credores previsto na Lei 11.101/2005, nem a uma Assembleia de Credores ou de Debenturistas. O cadastramento também não significa adesão automática a processos judiciais nem concede aos organizadores autorização para representar individualmente os participantes.
Grupo busca informações antes de definir medidas
Além de discutir a formação da associação, o fórum procura centralizar informações sobre a situação financeira do grupo e as alternativas disponíveis aos investidores. A avaliação apresentada no encontro é de que ainda há dados insuficientes para determinar uma estratégia única.
Parte dos credores já recorreu à Justiça, enquanto outros aguardam os desdobramentos da medida cautelar apresentada pelos atuais gestores da Apex. As restrições atualmente existentes também influenciam a possibilidade de cobranças individuais.
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Por isso, a organização pretende acompanhar o andamento dos processos antes de definir quais medidas poderão ser adotadas coletivamente. Caso seja apresentado um pedido de recuperação judicial, a associação poderá servir como instrumento de representação e articulação entre investidores. Se esse caminho não avançar, diferentes grupos de credores poderão avaliar iniciativas próprias.
A busca por informações também envolve a dimensão do passivo da Apex. Dados apresentados no processo judicial apontam endividamento próximo de R$ 1 bilhão em 30 de junho de 2026, mas o montante ainda deverá passar por revisão.
O levantamento preliminar inclui R$ 452,1 milhões em debêntures, R$ 309,8 milhões relacionados a obrigações de cashback, R$ 201,7 milhões em dívidas bancárias e R$ 35,2 milhões em tributos em atraso.
Uma auditoria deverá verificar a composição dessas obrigações e incorporar informações posteriores à data usada no levantamento inicial. Com isso, o valor total da dívida poderá ser alterado.
A análise também é dificultada pela estrutura empresarial associada ao grupo, formada por 178 pessoas jurídicas. A quantidade de empresas e as relações financeiras entre elas tornam mais complexo identificar responsabilidades, ativos e obrigações de cada companhia.
Outro objetivo da mobilização é organizar as dúvidas dos investidores e ampliar o acesso a informações sobre a crise. Um site criado pelo grupo disponibiliza uma área para reunir perguntas destinadas à Apex e concentrar informações consideradas relevantes pelos participantes.
A iniciativa ocorre em um momento em que credores buscam mais detalhes sobre a situação das empresas, a composição das dívidas e os possíveis caminhos para recuperação dos investimentos. Também há demanda pela criação de canais de comunicação específicos entre a Apex, debenturistas e outros potenciais credores.
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