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Interesse de Trump na eleição brasileira ganha destaque na imprensa internacional
Publicado 04/10/2026 • 04:30 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 04/10/2026 • 04:30 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Foto: Gage Skidmore / Flickr
A eleição presidencial brasileira deste domingo (4) ganhou espaço na imprensa internacional com um personagem recorrente fora das urnas: Donald Trump. Veículos dos Estados Unidos e da Europa avaliam que o resultado da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pode alterar tanto a relação de Brasília com Washington quanto o equilíbrio político da América Latina.
The New York Times, The Guardian, Libération, The Economist, Le Monde e El País estão entre as publicações que dedicaram reportagens e análises ao pleito. Além da influência americana, aparecem na cobertura temas como endividamento, apostas online, soberania brasileira, Brics, contas públicas e polarização política.
Em artigo intitulado “A grande questão que paira sobre as eleições no Brasil: o próximo passo do presidente Trump”, o The New York Times discute a possibilidade de o republicano tentar influenciar a disputa presidencial brasileira.
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“Após observar o envolvimento de Trump em outras eleições e vivenciar sua tentativa fracassada de ajudar o pai de Flávio Bolsonaro a evitar a prisão por tramar um golpe, o Brasil está erguendo uma barreira de proteção para tentar blindar sua eleição decisiva contra uma possível interferência dos EUA”, escreveu o jornal.
Segundo a publicação, as medidas incluem monitoramento de lobby estrangeiro e desinformação, combate a alegações falsas de fraude eleitoral e busca de apoio de países europeus, asiáticos e de outras regiões.
O jornal também aponta preocupação do governo brasileiro com uma eventual pressão de Trump em favor de Flávio Bolsonaro e menciona postagens pagas nas redes sociais divulgadas por perfis influentes da direita americana.
Para o Times, uma vitória de Bolsonaro fortaleceria a estratégia de Washington de ampliar sua influência na América Latina por meio de governos de direita.
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A reportagem aborda ainda questionamentos de aliados de Bolsonaro, dentro e fora do Brasil, sobre a credibilidade do sistema eleitoral e cita as iniciativas do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, para reforçar a confiança no processo.
O britânico The Guardian concentra sua análise na possibilidade de uma nova vitória da direita no continente e na eventual incorporação do Brasil a um bloco latino-americano alinhado a Trump.
“Dada a proximidade geográfica e a relação econômica singular do México com os EUA, analistas veem o Brasil como talvez o último país da região ainda capaz de dizer ‘não’ aos caprichos de Trump”, escreveu o jornal.
Na avaliação de analistas ouvidos pela publicação, o Brasil representa um “grande prêmio” para Washington, tanto pelo peso de sua economia quanto pela dimensão de seus recursos naturais.
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O resultado da eleição, portanto, é apresentado pelo Guardian não apenas como uma decisão doméstica, mas como um fator capaz de reorganizar forças políticas na região.
Em outra reportagem, o The New York Times desloca o foco da geopolítica para a situação financeira dos brasileiros e relaciona o crescimento das apostas online ao avanço do endividamento.
“O crescimento do setor de jogos de azar online no Brasil – um dos cinco maiores mercados de apostas do mundo – apenas agravou o problema do endividamento”, diz o texto.
Segundo os números apresentados pelo jornal, brasileiros perderam cerca de US$ 7 bilhões (R$ 36,61 bilhões) em plataformas licenciadas no ano passado, ante US$ 4 bilhões (R$ 20,92 bilhões) em 2024.
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A publicação também discute a decisão de Lula de proibir as bets e a reação de Flávio Bolsonaro. Segundo o Times, o candidato do PL classificou a medida como uma iniciativa eleitoral destinada a melhorar a imagem do presidente. Flávio afirmou não apoiar cassinos online, mas se posicionou contra a proibição das apostas esportivas.
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Siga o Times | CNBCNa França, o Libération define Donald Trump como o “elefante na sala” da eleição brasileira.
A publicação afirma que Lula procura se apresentar como uma barreira à influência dos Estados Unidos, enquanto o avanço de governos de direita na América do Sul acrescenta uma dimensão internacional à disputa brasileira.
O jornal descreve uma eleição polarizada entre Lula e Flávio, com os demais candidatos ocupando posição secundária. Também avalia que o presidente chega à reta final com indicadores econômicos e ambientais favoráveis, mas sem conseguir transformá-los em uma vantagem clara nas pesquisas.
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Para o Libération, polêmicas e escândalos tiveram mais espaço na campanha do que a discussão de propostas.
Economist vê país ‘de costas para o futuro’
A revista britânica The Economist adota uma abordagem diferente e concentra sua análise nos problemas estruturais do Brasil.
Sob o título “O Brasil vira as costas para o futuro”, a publicação sustenta que a eleição dificilmente produzirá as mudanças consideradas necessárias ao país. A revista destaca a abundância de recursos naturais, jazidas minerais e reservas de petróleo, mas contrapõe esse potencial à estagnação econômica.
Na avaliação da Economist, o aumento da dívida pública e a ausência de reformas profundas contribuem para manter juros elevados e limitar o crescimento.
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A revista também critica os dois líderes das pesquisas. Segundo a publicação, nem Lula nem Flávio demonstrariam confiabilidade suficiente para enfrentar o que considera dois dos principais problemas brasileiros: corrupção e expansão dos gastos públicos.
Também na França, o Le Monde apresenta a eleição como uma disputa que pode redefinir a posição internacional do Brasil.
O jornal ressalta o confronto apertado entre Lula e Flávio no primeiro turno. Lula é apresentado como representante histórico da esquerda e do PT, concorrendo a um quarto mandato aos 80 anos, enquanto Flávio é descrito como representante da extrema-direita e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e preso desde 2025.
“Entre as muitas questões em jogo nesta campanha altamente polarizada, destacam-se a soberania do Brasil e o seu papel no cenário internacional”, afirma o jornal.
O Le Monde acrescenta que o Brasil sob Lula ocupa posição central no Brics e representa um dos últimos contrapontos ao trumpismo na América Latina.
O espanhol El País também coloca o presidente americano no centro da cobertura. O jornal publicou reportagem com o título “O Brasil elege presidente sob a sombra de Trump e sua ofensiva para impulsionar governos conservadores”.
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Para a publicação, a pressão de Washington sobre Brasília e o avanço da direita latino-americana transformam a eleição brasileira em uma disputa estratégica para toda a região.
O texto afirma que o resultado indicará se o Brasil continuará funcionando como um grande contrapeso à crescente influência americana ou seguirá países latino-americanos que migraram à direita e se aproximaram de Trump.
O jornal também destaca o empate indicado pelas pesquisas entre Lula e Flávio, que mantém aberta uma das disputas mais polarizadas e apertadas da história brasileira.
Independentemente do vencedor, porém, o El País aponta uma mudança já perceptível: o próximo presidente governará em um ambiente político mais conservador.
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