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Agro bate recorde de recuperações judiciais, e secretário de SP responsabiliza governo federal por crédito mais caro e corte no seguro
Publicado 28/09/2026 • 17:48 | Atualizado há 50 minutos
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Publicado 28/09/2026 • 17:48 | Atualizado há 50 minutos
KEY POINTS
O avanço do endividamento no agronegócio brasileiro gerou críticas à política econômica do governo federal. O secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, afirmou nesta segunda-feira (28) que o custo do crédito e a redução de mecanismos de proteção ao produtor estão aumentando a pressão sobre o campo.
“O juro que o produtor paga não se decide na lavoura. É o preço de um país que gasta mais do que arrecada e que cobra essa conta de quem está tentando produzir”, afirmou Melo Filho durante reunião do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo.
O agronegócio registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, aumento de 56,4% em relação ao ano anterior e recorde da série iniciada pela Serasa Experian em 2021. No primeiro trimestre de 2026, foram outros 474 pedidos, 21,9% acima do mesmo período de 2025.
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Um dos principais pontos levantados pelo secretário foi a redução de recursos federais destinados ao seguro rural.
Dados do próprio Ministério da Agricultura mostram que o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural tinha R$ 1,06 bilhão previsto para 2025, mas sofreu corte de aproximadamente R$ 428 milhões ao longo do ano. Ao final, R$ 565 milhões ficaram disponíveis para atender os produtores. O Ministério classificou a insuficiência orçamentária como uma das restrições para o cumprimento das metas do programa.
Melo Filho também criticou mudanças tributárias que, segundo ele, aumentaram a pressão sobre insumos utilizados pelos produtores e afirmou que o Estado decidiu manter programas próprios de crédito e seguro.
Dados divulgados pelo governo federal mostram que o volume total contratado no Plano Safra 2025/2026 chegou a R$ 404 bilhões entre julho e março, alta de 10% na comparação anual. Indicadores mais recentes apontam, ao mesmo tempo, redução no alcance de linhas tradicionais e forte deterioração da qualidade das carteiras.
Na apresentação, Melo Filho afirmou que São Paulo aplicou R$ 1,4 bilhão em programas estaduais voltados ao agronegócio até 2025.
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Siga o Times | CNBCEntre as iniciativas citadas estão linhas do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), subvenção estadual ao seguro rural e o Pró-Trator. O programa paulista de seguro continua em funcionamento em 2026 e contempla diferentes modalidades, inclusive coberturas para riscos climáticos, sanitários e de preço.
O secretário também apontou diferenças entre a estrutura do agro paulista e a de outros Estados. O valor da produção agropecuária de São Paulo chegou a R$ 174,6 bilhões em 2025, segundo o Instituto de Economia Agrícola.
Entre as principais cadeias estão cana-de-açúcar, carne bovina, laranja, frango, café e soja. Para Melo Filho, essa diversificação reduz a dependência do Estado de um único produto e ajuda a absorver crises localizadas.
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O secretário questionou ainda o desenho das medidas federais de renegociação de dívidas rurais.
A União abriu em 2026 linhas específicas para composição e prorrogação de débitos do setor, com critérios definidos pelo Conselho Monetário Nacional.
Segundo Melo Filho, parte desses critérios não contempla adequadamente problemas enfrentados por produtores paulistas. Ele citou como exemplo a citricultura, cuja situação financeira estaria ligada principalmente ao avanço do greening, doença que atinge os pomares, e não apenas a perdas de origem climática ou de preços.
A avaliação do secretário é que a combinação de crédito mais caro, endividamento elevado e menor cobertura de instrumentos de proteção aumenta o risco financeiro para produtores que continuam operando mesmo sem queda de produtividade.
O governo federal sustenta que ampliou o volume global de crédito disponibilizado ao agronegócio nos últimos Planos Safra e criou novas linhas de renegociação para produtores endividados.
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