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CNA: Agro deve seguir impulsionando economia em 2026, mas clima, juros e custos já preocupam para o ano que vem

Publicado 01/06/2026 • 14:20 | Atualizado há 11 minutos

KEY POINTS

  • A agropecuária voltou a liderar o crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre de 2026 e deve continuar contribuindo de forma relevante ao longo do ano, segundo avaliação da CNA. Apesar disso, a combinação de custos mais altos, inadimplência elevada, crédito restrito e riscos climáticos já acende um alerta para 2027.
  • Mesmo com crescimento menor que o registrado em 2025, o setor mantém expansão robusta graças à força da produção agrícola e à relevância crescente do agronegócio na composição do PIB brasileiro.
  • A possível intensificação do El Niño, os impactos da guerra no Oriente Médio sobre fertilizantes e combustíveis e as dificuldades de acesso ao crédito estão entre os principais fatores que preocupam os produtores rurais.

A agropecuária deve continuar sendo uma das principais responsáveis pelo crescimento econômico brasileiro em 2026, mas o setor já monitora uma série de desafios que podem comprometer os resultados das próximas safras. A avaliação é de Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que destacou o papel do campo no desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre.

Segundo ele, o crescimento de 2% da agropecuária no período precisa ser analisado à luz da forte base de comparação deixada por 2025, quando o setor foi beneficiado por uma safra recorde. “O primeiro trimestre do ano passado foi muito bom, impulsionado por uma safra recorde de grãos. Quando a gente olha o resultado desse primeiro trimestre de 2026, o resultado cresce menos por conta da base de comparação”, afirmou, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta segunda-feira (1).

Participação crescente

Conchon destacou que o agronegócio vem ampliando sua relevância na economia brasileira ao longo dos últimos anos. Segundo ele, enquanto o PIB agropecuário registrou crescimento médio de 4,7% ao ano nos últimos seis anos, a economia brasileira avançou apenas 2,2% ao ano no mesmo período.

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De acordo com o economista, essa diferença tem ampliado o peso do setor na atividade econômica nacional. “Há seis anos, a agropecuária correspondia a 5,7% do PIB. Agora, no início de 2026, já está correspondendo a 7,5% de tudo o que sai de dentro das porteiras agropecuárias de todo o Brasil”, ressaltou.

Mesmo diante de um crescimento menor do que o observado no ano passado, o coordenador da CNA classificou o desempenho do primeiro trimestre como positivo. “Foi sim satisfatório. Crescer sobre uma base bastante robusta traz um reflexo e uma ajuda para a economia brasileira muito significativa”, afirmou.

Tempestade perfeita

Ao analisar os riscos para os próximos ciclos produtivos, Conchon afirmou que o setor enfrenta uma combinação de fatores adversos que pode pressionar a rentabilidade dos produtores. Segundo ele, a guerra no Oriente Médio já provoca impactos relevantes sobre os custos de produção.

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“É uma conjugação de fatores, uma tempestade perfeita”, disse. O economista explicou que as tensões geopolíticas estão elevando os preços dos fertilizantes e de outros insumos agrícolas.

Segundo estimativas citadas por ele, o custo de produção da soja pode subir até 10% na safra de 2027, enquanto o aumento pode chegar a 25% no milho e a 21% na cana-de-açúcar. “Isso vai trazer uma menor rentabilidade para o produtor rural, associada a um ambiente de taxa de juros em patamares elevados”, alertou.

Além do aumento dos custos, o dirigente da CNA destacou a preocupação com o avanço do El Niño, fenômeno climático que pode afetar a produtividade das lavouras.

“A questão não é se vai ter El Niño. A questão é a intensidade do El Niño e como isso vai afetar a nossa safra no final de 2026 e, sobretudo, no início de 2027”, afirmou.

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Crédito e inadimplência

Outro ponto de atenção citado por Conchon é o ambiente de crédito para o produtor rural. Segundo ele, a combinação entre juros elevados, dificuldades na concessão de financiamentos e problemas climáticos regionais tem contribuído para o aumento da inadimplência.

“A taxa Selic está em patamares elevados e isso prejudica. Mas também a concessão de crédito aos produtores rurais está de maneira bastante dificultosa”, afirmou.

O economista mencionou ainda situações específicas que afetaram a renda dos produtores, como os eventos climáticos ocorridos no Rio Grande do Sul, e defendeu medidas para reorganizar o passivo acumulado pelo setor. “A gente está carregando um passivo, um imbróglio na questão do endividamento que preocupa”, declarou.

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Segundo ele, governo federal, Congresso Nacional e representantes do setor discutem alternativas para reduzir a inadimplência e permitir que os produtores retomem o acesso ao crédito. “Está acontecendo um debate para reduzir essa inadimplência e garantir essa volta do produtor à adimplência, para voltar a tomar crédito e voltar para a atividade econômica”, explicou.

Perspectivas para o ano

Apesar dos desafios, a CNA mantém expectativa de crescimento para a agropecuária ao longo de 2026, com desempenho superior ao da economia brasileira como um todo.

“A agropecuária vai continuar dando a sua contribuição para o crescimento econômico brasileiro”, afirmou Conchon. Segundo ele, a principal variável a ser acompanhada nos próximos meses será a evolução das condições climáticas e seus impactos sobre o plantio da safra de verão.

“A atividade agropecuária brasileira deve apresentar um crescimento robusto superior ao crescimento do Brasil ao longo de 2026”, projetou. Ao mesmo tempo, ressaltou a necessidade de monitorar os efeitos do clima sobre as diferentes regiões produtoras do país. “A gente tem que acompanhar com calma como isso vai impactar as regiões produtoras de norte a sul, de leste a oeste de todo o Brasil”, concluiu.

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