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Saiba como possível taxa em Ormuz pode elevar inflação global e pressionar agronegócio brasileiro
Publicado 26/05/2026 • 11:41 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 26/05/2026 • 11:41 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A possibilidade de o Irã implementar cobranças para a navegação no Estreito de Ormuz aumentou as preocupações globais sobre inflação, energia e estabilidade logística, segundo avaliação do professor de estratégia da Fundação Dom Cabral, Paulo Vicente. Em entrevista nesta terça-feira (26) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o especialista afirmou que a medida representa uma tentativa iraniana de transformar a posição geográfica da região em instrumento de pressão econômica e diplomática.
Segundo ele, apesar de ainda não existir clareza total sobre o modelo de cobrança, há relatos de que alguns armadores já estariam realizando pagamentos ao Irã, inclusive via Bitcoin, para utilizar rotas controladas pelo país. “Eles querem estabelecer algum tipo de fonte de renda baseado na posição geográfica e no controle de Ormuz”, afirmou.
Paulo Vicente destacou que a adoção de taxas ou pedágios na região teria impacto direto sobre os custos globais de transporte marítimo, atingindo não apenas petróleo e gás, mas também commodities agrícolas, fertilizantes e outros produtos estratégicos. “Isso aumentaria os custos de frete e criaria inflação global”, disse.
O professor explicou que, pelas regras internacionais, estreitos estratégicos como Ormuz, Malaca e Gibraltar são considerados áreas de navegação livre, o que impediria, em tese, a cobrança formal pelo trânsito de embarcações. Diferentemente dos canais do Panamá e de Suez, que operam dentro de territórios nacionais específicos, os estreitos internacionais possuem status distinto nas convenções marítimas globais.
Leia também: O que o Estreito de Ormuz tem a ver com o acordo de gás entre Rússia e China
Ainda assim, segundo ele, o Irã encontrou uma forma de pressionar os países que dependem da rota. O especialista afirmou que os canais tradicionais de navegação teriam sido bloqueados com minas, levando embarcações a utilizarem novas rotas mais próximas da faixa marítima iraniana – justamente onde ocorreriam as cobranças.
“Para usar esses dois canais meus, você tem que me pagar algum tipo de pedágio”, resumiu Paulo Vicente ao descrever a lógica adotada por Teerã desde o agravamento do conflito no Oriente Médio.
Na avaliação do professor, o controle sobre o Estreito de Ormuz se transformou em uma das principais cartas de negociação do Irã nas discussões internacionais sobre cessar-fogo e redução das tensões na região. Ele afirmou que a questão passou a ter peso semelhante ao programa nuclear iraniano dentro das negociações diplomáticas.
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“O Irã quer ter poder sobre a economia global, usar o Estreito de Ormuz como moeda de barganha”, afirmou. Segundo ele, a relevância estratégica da passagem acabou se mostrando ainda maior do que o próprio governo iraniano imaginava inicialmente.
O especialista alertou que, caso a cobrança seja consolidada, outros países poderiam tentar adotar medidas semelhantes em pontos estratégicos do comércio marítimo internacional. Ele citou como exemplos o Estreito de Malaca, entre a Malásia e a Indonésia, além da região de Gibraltar e das rotas ao redor do Cabo da Boa Esperança, na África do Sul.
Para Paulo Vicente, os efeitos econômicos não ficariam restritos aos grandes importadores de petróleo e gás. O Brasil também poderia sofrer impactos relevantes, especialmente no agronegócio, devido à dependência de fertilizantes importados da região do Golfo.
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Segundo ele, produtos como ureia e outros insumos agrícolas podem ficar mais caros, pressionando os custos de produção no campo em um momento em que o setor já enfrenta margens apertadas. “Você aumenta o custo para produzir no agro”, afirmou.
O professor também destacou que a destruição parcial da infraestrutura de gás natural no Catar tende a prolongar a pressão sobre os preços energéticos globais por anos. Segundo ele, a reconstrução da capacidade operacional pode levar de dois a três anos, mantendo os mercados internacionais sob tensão prolongada.
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