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Agro entra em ciclo de preços mais favorável, mas produtor precisa reduzir dívida, diz sócio de agronegócio da EY José Carlos Hausknecht

Publicado 13/10/2026 • 19:14 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • Sócio de agronegócio da EY Brasil diz que recuperação dos preços internacionais melhora a perspectiva para o setor após dois anos de pressão sobre margens.
  • Hausknecht recomenda redução do endividamento, proteção de preços e uso de seguro agrícola para enfrentar volatilidade e riscos climáticos.
  • Demanda por alimentos e biocombustíveis segue forte, enquanto eventual El Niño pode limitar a oferta e afetar a próxima safra.

O agronegócio brasileiro começa a entrar em um cenário mais favorável de preços depois de dois anos de pressão sobre a rentabilidade dos produtores, avaliou José Carlos Hausknecht, sócio de agronegócio da EY Brasil, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo o executivo, a combinação entre recuperação das cotações internacionais, demanda firme por alimentos e biocombustíveis e menor ritmo de expansão da oferta começa a melhorar as perspectivas para o setor.

“O ciclo de preços começa a melhorar e isso traz uma perspectiva bastante positiva para o setor nos próximos [meses]”, afirmou.

A melhora ocorre após um período em que a produção permaneceu elevada, mas preços mais baixos e custos pressionados reduziram as margens no campo.

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“A gente veio de dois anos muito complicados, principalmente de preços. A gente teve produção, mas o produtor sofreu com a rentabilidade”, disse.

Produtor precisa reduzir dívida

Apesar da melhora nas cotações, Hausknecht afirmou que o momento exige cautela financeira.

Para ele, produtores que atravessaram os últimos anos com maior endividamento devem aproveitar a melhora do cenário para reduzir a alavancagem e fortalecer o caixa.

“O produtor tem que investir na parte financeira, tentar se desalavancar, reduzir dívida, aumentar sua eficiência e fazer medidas de proteção de risco”, afirmou.

Entre os instrumentos citados estão seguro agrícola e operações de proteção de preços no mercado futuro.

Segundo o executivo, esses mecanismos ganham importância porque o setor continua exposto simultaneamente a riscos climáticos e à volatilidade das commodities.

Safra recorde sustentou exportações

Hausknecht afirmou que a última safra teve desempenho forte, com produção recorde de soja e milho.

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“Foi uma supersafra. A produção de soja foi recorde, a produção de milho recorde também”, disse.

Na avaliação dele, esse desempenho permitiu ampliar as exportações e sustentou o resultado positivo da balança comercial do agronegócio, também impulsionado pelas vendas externas de carnes e outros produtos.

O executivo atribuiu a expansão de longo prazo do agro brasileiro a ganhos de produtividade, eficiência e gestão, além da disponibilidade de terras e das condições climáticas do país.

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“O Brasil tem ganhado esse mercado mundial, tem se tornado um grande fornecedor de alimentos para o mundo”, afirmou.

Clima segue como principal risco

Para a próxima safra, Hausknecht apontou o clima como um dos principais fatores de incerteza.

Segundo ele, produtores acompanham a possível formação de um El Niño e seus efeitos sobre diferentes regiões agrícolas.

“É uma discussão grande e a gente nunca sabe exatamente qual vai ser o efeito dele nas regiões”, afirmou.

A recomendação, segundo Hausknecht, é combinar decisões mais cautelosas de plantio com manejo e instrumentos de proteção.

Mesmo com esse risco, o executivo avalia que o cenário de preços mais altos melhora a perspectiva de rentabilidade do setor.

“Os preços subindo trazem uma perspectiva bem melhor para o produtor, que estava realmente muito pressionado”, disse.

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