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IA deixa de ser opção e vira exigência no varejo, diz sócio líder de varejo da EY na América Latina William Valiante

Publicado 06/10/2026 • 19:25 | Atualizado há 59 minutos

KEY POINTS

  • Sócio líder de varejo da EY na América Latina afirma que IA já está incorporada a sistemas, produtos e processos usados pelo setor.
  • Executivo diz que varejistas precisam combinar controle de caixa e estoque com investimentos em produtividade e novos canais de receita.
  • Valiante avalia que consumidor mais seletivo exige das empresas maior conhecimento sobre comportamento, jornada e momento de compra.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma opção de investimento e passou a fazer parte das exigências de produtividade e competitividade do varejo, afirmou William Valiante, sócio líder de varejo da EY na América Latina, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

“Produtividade com inteligência artificial é quase que um must have já. Todo mundo está usando, todo mundo está testando alguma coisa”, disse. Segundo ele, a tecnologia já aparece incorporada a sistemas e produtos utilizados pelas empresas. “Quase que não é uma escolha mais.”

Para Valiante, porém, a adoção de novas tecnologias precisa ocorrer ao mesmo tempo em que as companhias mantêm atenção sobre caixa, estoques, preços e margens. O varejo, segundo ele, continua altamente sensível a mudanças no cenário econômico e político.

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“O varejo é um setor muito sensível. Tudo muda de um dia para o outro”, afirmou.

Caixa e estoque continuam no centro da gestão

Apesar da transformação tecnológica, Valiante disse que alguns fundamentos permanecem inalterados.

“Uma coisa não muda no varejo: é a necessidade de sempre cuidar do dinheiro, do caixa, do estoque e do que você prevê que vai acontecer”, afirmou.

Segundo ele, empresas precisam identificar oportunidades de compra e venda e acompanhar movimentos de preços que podem alterar rapidamente as margens.

O desafio é equilibrar essas decisões de curto prazo com investimentos capazes de sustentar crescimento e produtividade nos próximos anos.

Abrir lojas nem sempre significa crescer

Valiante afirmou que a estratégia de expansão precisa variar de acordo com o segmento e com a situação de cada companhia.

“Muitas empresas têm oportunidade de crescer abrindo novas lojas e, consequentemente, vendendo mais. Outras não. Outras, abrir lojas não significa vender mais, significa o contrário”, disse.

Nesses casos, o foco pode estar em extrair mais produtividade da estrutura já instalada.

Para o executivo, vender continua sendo o objetivo central, mas a maneira de chegar ao consumidor mudou.

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“O ponto é como vender”, afirmou.

O consumidor, segundo ele, pesquisa por diferentes canais, compra em momentos distintos e está mais seletivo. Por isso, conhecer a jornada e o comportamento de cada público ganhou importância estratégica.

IA pode criar novas fontes de receita

Valiante também vê espaço para que a inteligência artificial deixe de atuar apenas nos bastidores da operação e passe a integrar diretamente produtos e serviços oferecidos aos clientes.

Ele citou como exemplo produtos com IA embarcada que podem oferecer funcionalidades diferentes dependendo da rede varejista responsável pela distribuição.

“Com a inteligência artificial, isso vai para um nível completamente diferente, porque não é só a cor diferente ou um formato diferente. Talvez seja o serviço que você tenha”, afirmou.

Na avaliação de Valiante, esse movimento pode abrir novas fontes de receita para empresas que consigam associar serviços digitais aos produtos físicos.

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“É um mercado de bilhões. A possibilidade de produtos baseados em inteligência artificial é brutal”, disse.

Dados precisam virar decisões

Outra tendência destacada pelo executivo é a integração das informações geradas dentro das empresas.

Valiante afirmou que o varejo já passou por diferentes ondas de adoção tecnológica, como CRM, sistemas de gestão, comércio eletrônico e transformação digital. O próximo passo, segundo ele, será conectar melhor esses dados para apoiar decisões.

Nesse contexto, citou o conceito de “ontologia”, usado para organizar e relacionar diferentes informações de uma empresa.

“Como eu realmente uso e conheço a minha empresa? Qual é o organismo vivo, o tecido vivo que conecta tudo que eu conheço de dados, das pessoas, dos produtos dentro e fora da minha organização?”, afirmou.

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