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Café: chuva ameaça qualidade do arábica e preço do grão brasileiro dispara, aponta Rabobank

Publicado 10/08/2026 • 12:30 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • Colheita de café chega a 76% da safra com risco à qualidade pelas chuvas de julho
  • Preços futuros de café negociados em Nova York seguem instáveis e em patamar elevado
  • Mercado físico brasileiro de café perde correlação com os preços internacionais
Café

Marcelo Camargo / Agência Brasil

Café é um dos produtos brasileiros que terão 10% a menos de taxação pros EUA

A colheita de café no Brasil chegou a 76% da safra até o final de julho, segundo o mais recente relatório mensal do RaboResearch, braço de pesquisa do Rabobank. O levantamento aponta atraso na colheita e chuvas registradas ao longo do mês no cinturão produtivo como fator de risco para a qualidade dos grãos.

Conforme o documento, já foram colhidos 65% do café arábica e 98% do café robusta, tipo conilon. Parte da produção foi derrubada pelas chuvas nas últimas semanas, e o Rabobank ainda não tem estimativa da proporção desse volume dentro da safra total.

Colheita atrasada eleva risco à qualidade do café

Segundo o relatório, esta safra pode registrar oferta mais restrita de café fino em comparação aos grãos de qualidade inferior. As chuvas do período teriam afetado a produção em regiões do cinturão cafeeiro, com reflexo direto sobre os diferenciais de qualidade observados pelo setor.

Em relação ao robusta, o Rabobank cita que empresas têm reportado quebra de safra em localidades específicas e podem revisar suas estimativas de produção. Para a pesquisa de safra conduzida pelo banco, essa quebra já era esperada, com base em visitas de campo realizadas no Espírito Santo e em Rondônia.

Leia também: EXCLUSIVO CNBC: safra forte no Brasil não impede café caro no exterior; cafeteiras domésticas ganham espaço

Chuvas concentram volumes acima da média histórica

De acordo com o levantamento, municípios do cinturão cafeeiro registraram, em julho, volumes de chuva acima da média histórica dos últimos 15 anos. Guaxupé, em Minas Gerais, somou 54 milímetros diante de uma média de 18 milímetros. Manhuaçu, também no estado, registrou 49 milímetros ante uma média de 12 milímetros.

Ainda segundo os dados, Três Pontas, em Minas Gerais, acumulou 24 milímetros frente a uma média de 12 milímetros, enquanto Franca, em São Paulo, somou 38 milímetros diante de uma média de 12 milímetros no mesmo período.

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Preços futuros mantêm instabilidade no mercado internacional

O contrato de café arábica negociado na bolsa de Nova York apresentou média de US$ 3,29 por libra-peso ao longo do mês, patamar historicamente alto para o produto. O mês fechou com o contrato em US$ 3,32 por libra-peso, após oscilações consideradas fortes pelo Rabobank.

Por outro lado, o levantamento aponta perda de correlação entre o mercado futuro internacional e os preços físicos praticados no Brasil. Enquanto o contrato em Nova York seguiu instável, os valores domésticos permaneceram mais contidos ao longo do período.

Mercado físico brasileiro segue mais contido

O Cerrado Peneira 6 fechou o mês cotado a R$ 1.767 por saca, enquanto o Sul de Minas Tipo 6 encerrou em R$ 1.716 por saca. Os números confirmam, segundo o relatório, o descolamento entre o comportamento do mercado futuro e o físico dentro do território brasileiro.

No cenário externo, o Rabobank destaca que os Estados Unidos não aplicaram tarifas ao café em suas diferentes formas de comercialização. Já produtos como etanol e açúcar orgânico foram tarifados em 25% pelo governo americano.

Exportações devem ganhar ritmo nos próximos meses

O Brasil exportou 3,06 milhões de sacas de café em junho, volume 1% inferior ao registrado em maio, quando as exportações somaram 3,09 milhões de sacas. Na comparação com junho de 2025, quando o volume embarcado foi de 2,61 milhões de sacas, o resultado deste ano representa alta de 17,2%.

Até o momento, o Brasil embarcou 17,8 milhões de sacas no acumulado de janeiro a junho, volume 8,2% menor frente às 19,4 milhões de sacas exportadas no mesmo intervalo do ano passado. Segundo o Rabobank, o atraso da colheita tem impactado o ritmo dos embarques, mas as exportações brasileiras devem aumentar nos próximos meses.

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