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Carne bovina pode virar alvo de nova sobretaxa dos EUA, mas setor aposta em diversificação de mercados

Publicado 23/07/2026 • 17:23 | Atualizado há 3 meses

KEY POINTS

  • A carne bovina escapou da tarifa de 25% dos Estados Unidos, mas pode ser atingida por uma sobretaxa adicional de 12,5%.
  • Setor vê espaço para compensar eventuais perdas com novos mercados e avanço das exportações para outros destinos.
  • Japão surge como oportunidade, enquanto União Europeia e China concentram as principais preocupações do mercado.

A possível aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% pelos Estados Unidos, sob a justificativa de combate ao trabalho escravo, pode atingir a carne bovina brasileira, que ficou de fora da sobretaxa de 25% que entrou em vigor nesta quarta-feira (23). Apesar do risco, o setor avalia que a diversificação dos mercados de exportação reduz parte dos impactos, afirmou Hyberville Neto, diretor da HN Agro, em entrevista nesta quinta-feira (23) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“A carne bovina ficou de fora justamente porque atende ao interesse dos próprios Estados Unidos. Eles começaram 2026 com o menor rebanho bovino da série histórica do Departamento de Agricultura americano, que começa em 1960. Com uma oferta menor de gado, precisaram manter a carne brasileira entre as exceções”, afirmou.

Segundo ele, embora as demais carnes tenham sido atingidas pelo tarifaço, o impacto é limitado, já que os Estados Unidos são pouco relevantes como compradores de carne suína e de frango produzidas no Brasil.

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“Os Estados Unidos são o nosso segundo maior cliente para carne bovina. No ano passado chegamos a enfrentar tarifas de até 76,4% entre agosto e outubro, mas elas foram retiradas. Hoje trabalhamos com uma tarifa de 26,4%, e o setor mostrou que consegue abrir novos mercados para compensar eventuais perdas”, destacou.

China e Japão entram no radar

Além da preocupação com os Estados Unidos, Hyberville afirmou que o mercado acompanha com atenção as novas regras adotadas pela China, que passou a aplicar tarifas de 55% sobre importações acima de determinada cota para estimular sua produção doméstica.

“Não foi uma medida apenas contra o Brasil. Ela vale para os principais fornecedores de carne bovina da China. Como existe um tempo entre o embarque e a chegada da carne ao destino, nós já trabalhamos com a expectativa de que essa cota esteja esgotada para os embarques atuais”, explicou.

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Apesar desse cenário, o diretor da HN Agro vê oportunidades de expansão em outros mercados.

“Se olharmos os dez principais compradores da carne brasileira no primeiro semestre, só exportamos menos para México e Filipinas. Para todos os demais, houve crescimento. Além disso, existe uma expectativa positiva para a abertura do mercado japonês”, afirmou.

Segundo ele, o fim da vacinação contra a febre aftosa no Brasil atende a uma das principais exigências do Japão.

“Não há uma data definida, então não dá para contar com esse mercado imediatamente, mas a tendência é recebermos notícias positivas em um futuro não muito distante”, disse.

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União Europeia preocupa, mas impacto deve ser limitado

Outro tema acompanhado pelo setor é a decisão da União Europeia de suspender, a partir de 3 de setembro, as compras de carne bovina brasileira caso não sejam aceitas as comprovações sanitárias apresentadas pelo Brasil.

Segundo Hyberville, as negociações seguem em andamento e envolvem esclarecimentos sobre o uso de determinados aditivos permitidos na produção nacional.

“As autoridades brasileiras estão trabalhando para demonstrar que os animais destinados à União Europeia não receberam esses produtos durante sua criação. Esse é um ponto que está sendo tratado com bastante atenção”, afirmou.

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Embora reconheça a importância estratégica do mercado europeu, ele avalia que os efeitos econômicos tendem a ser limitados.

“A União Europeia não representa um grande volume de compras, mas paga muito bem e funciona como uma vitrine para o restante do mundo. Por isso, é um mercado que precisa ser defendido”, ressaltou.

Tarifa por trabalho escravo gera dúvidas

Na avaliação do diretor da HN Agro, a justificativa apresentada pela Casa Branca para uma eventual tarifa adicional relacionada ao trabalho escravo mistura temas que não possuem relação direta com o comércio internacional.

“Na tarifa de 25% nós vimos uma mistura de argumentos envolvendo Pix, etanol, corrupção e outros temas. Agora, a discussão sobre trabalho escravo também parece bastante aleatória, principalmente diante dos avanços que o Brasil vem apresentando no combate a esse problema”, afirmou.

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Segundo ele, a percepção do mercado é de que a nova tarifa possa substituir outras cobranças que estão próximas do vencimento.

“A impressão que temos é que essa tarifa de 10% ou 12,5% viria para substituir aquelas tarifas anteriores de maneira mais generalizada. Já a tarifa de 25% foi uma medida específica aplicada ao Brasil”, concluiu.

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