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Agro

Entrada da Amaggi no etanol de milho pressiona crédito e Fitch põe ratings em observação negativa

Publicado 22/05/2026 • 15:59 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • A Fitch colocou os ratings da Amaggi em observação negativa após a empresa comprar 40% da FS, produtora de etanol de milho. A companhia comercializa cerca de 18 milhões de toneladas de grãos por ano e possui 386 mil hectares de terras agrícolas.
  • A agência avalia que a operação amplia a presença da companhia na cadeia do milho e dos biocombustíveis, mas reduz a flexibilidade financeira. A alavancagem ajustada pode chegar a 7,1 vezes em 2026, nível considerado incompatível com a nota atual “BB-”.
  • No cenário operacional, a Fitch vê a soja em Mato Grosso com perspectiva estável em 2026. A produção é estimada em cerca de 51 milhões de toneladas, em linha com 2025.
  • A Fitch destacou, ainda, que a Amaggi segue com posição relevante em Mato Grosso, onde compete com grandes tradings globais como Archer Daniels Midland, Cargill e Bunge na originação de grãos.

Divulgação/Amaggi

A entrada da Amaggi no mercado de etanol de milho aumentou a pressão sobre o perfil de crédito da companhia. A Fitch colocou os ratings da empresa em observação negativa após a aquisição de 40% da FS, operação financiada por uma nova dívida de US$ 700 milhões.

A agência avalia que o negócio fortalece a estratégia da Amaggi no agro, ao ampliar a diversificação e integrar a companhia a uma cadeia de maior valor agregado, ligada ao milho e aos biocombustíveis. A FS é uma das principais produtoras de etanol de milho do país, segmento que vem ganhando espaço no Centro-Oeste.

O impacto financeiro, porém, deve pesar no curto e médio prazo. Segundo a Fitch, a transação deve elevar significativamente a alavancagem da Amaggi e reduzir sua flexibilidade financeira.

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Alavancagem pode levar a rebaixamento

Nas contas da Fitch, a alavancagem ajustada por estoques com liquidez imediata deve subir para 7,1 vezes em 2026. A alavancagem líquida deve permanecer acima de 4 vezes nos próximos anos.

Esses patamares são considerados incompatíveis com a nota atual “BB-”. Caso a compra seja aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e concluída, a Fitch informou que os ratings provavelmente serão rebaixados em um grau.

Apesar disso, a agência reconhece que a operação melhora o posicionamento estratégico da Amaggi. O investimento aumenta a exposição da empresa a produtos de maior valor agregado e reforça a presença em biocombustíveis, área conectada à produção de milho em Mato Grosso.

Safra em Mato Grosso segue estável

No cenário operacional, a Fitch vê a soja em Mato Grosso com perspectiva estável em 2026. A produção é estimada em cerca de 51 milhões de toneladas, em linha com 2025.

Uma safra robusta tende a aumentar a concorrência pela originação, favorecer spreads comerciais e ajudar a diluir custos logísticos. Ainda assim, a agência citou riscos climáticos ligados ao El Niño no segundo semestre e possíveis efeitos do conflito no Irã sobre fertilizantes e fretes em 2027.

A Fitch projeta preços da soja em US$ 11,30 por bushel em 2026 e US$ 11,10 em 2027. Para o milho, a estimativa é de US$ 4,47 por bushel nos dois anos.

Segundo a agência, esses níveis não devem pressionar o capital de giro das tradings, mas o custo dos fertilizantes no segundo semestre de 2026 exigirá monitoramento.

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Amaggi mantém peso na originação de grãos

A Fitch destacou que a Amaggi segue com posição relevante em Mato Grosso, onde compete com grandes tradings globais como Archer Daniels Midland, Cargill e Bunge na originação de grãos.

A companhia comercializa cerca de 18 milhões de toneladas de grãos por ano e possui 386 mil hectares de terras agrícolas.

No lado operacional, a agência projeta margem Ebitda de cerca de 5,3% em 2026, acima dos 3,6% registrados em 2024, mas abaixo dos 6,1% de 2025.

O fluxo de caixa operacional estimado é de US$ 209 milhões em 2026 e US$ 252 milhões em 2027.

Liquidez deve ficar mais apertada

A Fitch também avalia que a liquidez da Amaggi deve enfraquecer após a operação, por causa do aumento da alavancagem e dos riscos de refinanciamento no médio prazo.

Em dezembro de 2025, a companhia tinha caixa e aplicações financeiras de US$ 870 milhões, frente a uma dívida de curto prazo de US$ 890 milhões.

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