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Insumos e frete podem encarecer para empresas em 2027 com El Niño, que tem 95% de chance de ficar muito forte neste ano

Publicado 02/11/2026 • 09:45 | Atualizado há 30 minutos

KEY POINTS

  • Boletim do Inpe e do Inmet aponta 95% de chance de El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026
  • Impacto na alimentação no domicílio acumula mais de 11 pontos percentuais em quatro trimestres, segundo estudo do BC
  • Especialista recomenda mapear insumos, diversificar rotas e renegociar contratos antes da alta de custos
El Niño

Imagem gerada por IA

Os efeitos do El Niño sobre a economia brasileira devem ultrapassar o calendário do clima e chegar à planilha das empresas em 2027. A pressão recai sobre insumos e frete, com repasse defasado de preços depois do pico do fenômeno, previsto para o fim de 2026.

O quarto boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), indica 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026.

A previsão inclui chuva acima da média no Sul e estiagem em faixas do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste.

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Insumos e frete encarecem com defasagem

Apesar de o pico climático ocorrer neste ano, a transmissão do choque de oferta aos custos das empresas será mais lenta. Estudo do Banco Central (BC) sobre episódios anteriores mostra que o impacto na alimentação no domicílio acumula mais de 11 pontos percentuais em quatro trimestres.

Além disso, relatórios do BC e estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) projetam alta média de até 5% nos preços internacionais das commodities agrícolas em 12 meses.

Na logística, o desequilíbrio afeta a navegação nos rios do Norte e o tráfego rodoviário no Sul, o que encarece os fretes.

Cadeia de fornecedores concentra o risco do El Niño

Para Dema Oliveira, CEO e fundador da Goshen Land, a maior vulnerabilidade das companhias está no descompasso entre o evento climático e o reajuste das tabelas de suprimentos. “O clima muda primeiro, e o custo chega depois, quando a quebra de safra, o frete mais caro e o reajuste dos contratos se espalham pela cadeia. Quem olha só para o calendário do clima percebe o problema tarde”, afirma.

Segundo o executivo, o risco operacional raramente fica restrito ao endereço da empresa e se concentra na cadeia estendida de suprimentos. A falta de visibilidade sobre a origem das matérias-primas expõe os negócios a imprevistos.

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“Muitas companhias conhecem bem o fornecedor direto, mas não sabem de onde vêm os insumos dele. É nesses elos mais distantes que a dependência de uma única região aparece. Um insumo agrícola que encarece, uma estrada comprometida ou uma matéria-prima mais difícil de repor chegam ao negócio como atraso, despesa extra e aperto no caixa, mesmo para quem opera longe das áreas atingidas”, explica.

Mapeamento de insumos reduz risco ao caixa

Para conter riscos sem comprometer a liquidez, a orientação é mapear os insumos críticos, calcular o tempo de reposição (lead time) e buscar rotas e fornecedores alternativos.

Por outro lado, formar estoques de segurança reduz a chance de parada de fábrica, mas imobiliza capital e eleva custos de armazenagem.

Também se recomenda renegociar com antecedência os contratos com transportadoras, fornecedores e seguradoras, com ajuste das cláusulas de reajuste e de força maior antes que a volatilidade se consolide.

“O que a empresa precisa saber é quais itens não podem ficar sem, quais são difíceis de substituir e quanto custaria, em dias parados e em margem, reagir só depois que o problema aparecer”, diz Oliveira.

Plano de ação tem três etapas

Na prática, a blindagem operacional começa pela auditoria da cadeia de suprimentos, que deve classificar os itens por grau de dependência e vulnerabilidade geográfica. A análise também precisa identificar matérias-primas substitutas, com homologação técnica pronta para uso.

Em seguida, as empresas devem firmar acordos operacionais flexíveis (SLA) e diversificar as rotas de escoamento, com previsão de migração do modal aquaviário para o rodoviário, ou o inverso, em períodos de seca severa ou enchente.

Por fim, a recomendação é criar um comitê multifuncional de gerenciamento de riscos, que acompanhe todo mês os indicadores de chuva e os índices de frete. Com isso, a companhia pode antecipar compras antes das escaladas de preço.

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