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Um ano depois do sino, JBS cresce na NYSE e chega na antessala dos grandes índices americanos

Publicado 12/06/2026 • 09:40 | Atualizado há 47 minutos

KEY POINTS

  • JBS completou um ano na NYSE com 90% das ações nas mãos de investidores estrangeiros e liquidez diária triplicada para US$ 115 milhões
  • Entrada no Russell 1000 é considerada questão de tempo, mas S&P 500 exige valor de mercado de US$ 22,7 bilhões, contra os atuais US$ 13,1 bilhões
  • Crise do gado nos EUA gerou prejuízo operacional no primeiro trimestre e fez o papel recuar de US$ 18 para cerca de US$ 12 por ação

Divulgação/JBS

JBS celebra entrada da empresa na Bolsa de Valores de Nova York

Há um ano, José Batista Sobrinho, fundador da JBS, tocou o sino da Bolsa de Nova York. A cena marcou a estreia formal da maior processadora de carnes do mundo no maior mercado de capitais do planeta, após 18 anos negociada na Bolsa brasileira.

O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC acompanhou o momento. A dupla listagem aprovada pelos acionistas em maio de 2025 transformou as ações em BDRs para o investidor brasileiro, sob o código JBSS32, enquanto os papéis passaram a ser negociados na NYSE a partir do dia 13 de junho daquele ano.

Um ano depois, o balanço da operação tem resultados positivos, mas a principal aposta ainda está em jogo.

O que o mercado americano já entregou

A liquidez das ações praticamente triplicou desde a listagem. O volume diário de negociação subiu de cerca de US$ 37 milhões para US$ 115 milhões, segundo cálculos do Citi. A base de investidores mudou na mesma proporção: a fatia de estrangeiros nos papéis passou de 72% para 90%, com americanos respondendo pela maior parcela.

O custo da dívida também recuou de forma relevante. O spread dos títulos de dez anos da JBS em relação aos da Tyson Foods, sua principal rival americana, era de 3 pontos percentuais em 2019. Hoje está em 0,2 ponto. Em abril de 2026, a SEC reconheceu a JBS como emissor frequente bem conhecido, o que agiliza futuras captações no mercado americano.

Outro movimento visível foi a reprecificação parcial do papel. Antes da listagem na NYSE, a empresa negociava a 4,5 vezes o lucro operacional projetado. Hoje opera próximo ao múltiplo da Pilgrim’s, sua subsidiária americana de frango, que sempre valeu mais por já estar em um índice americano.

O que bancos veem

O Itaú BBA mantém recomendação de compra para a JBS com preço-alvo de US$ 20 ao fim de 2026, uma alta de 37% em relação ao patamar atual. Para o banco, o valuation segue atrativo e a listagem nos EUA continua sendo um catalisador para a reprecificação da ação, ainda que o ciclo de oferta de proteínas traga incertezas no curto prazo.

A XP Investimentos compartilha da mesma recomendação e do mesmo preço-alvo. Em relatório de abril de 2026, a casa destacou que o primeiro trimestre deve marcar o piso dos resultados da companhia no ano, e que uma eventual fraqueza dos papéis pode abrir oportunidades de entrada, especialmente diante da possibilidade de listagem em índices americanos no segundo semestre.

“Esse desconto, aliado à execução operacional consistente e à solidez financeira, sustenta a tese construtiva para o papel”, avaliou a equipe de análise da XP.

Fachada JBS
Divulgação/JBS

Porta de entrada

O passo mais aguardado do ano veio no fim de maio, quando a JBS apareceu na lista preliminar do Russell 3000, índice que reúne as maiores companhias listadas no mercado americano. A entrada, prevista para entrar em vigor após o fechamento dos mercados na sexta-feira (26), abre caminho direto para o Russell 1000.

O Morgan Stanley, em relatório recente, projeta que a JBS também deve integrar o Russell 1000, voltado às companhias de maior capitalização. Com valor de mercado atual de US$ 17 bilhões, a empresa supera o piso mínimo exigido pelo índice.

Para o Citi, a inclusão no Russell vale menos como evento de rebalanceamento pontual e mais como sinal de amadurecimento da listagem. “Em nossa visão, a listagem no Russell é menos relevante como um rebalanceamento de um dia e mais como a primeira validação real de que a listagem na NYSE está começando a desbloquear estruturalmente liquidez, propriedade passiva e normalização de avaliação”, disse Renata Cabral, analista do Citi, em relatório.

O banco estima que o movimento pode destravar até US$ 15 bilhões em valor de mercado para a JBS no longo prazo. Para o Russell 3000 especificamente, a demanda passiva imediata ficaria entre US$ 190 milhões e US$ 300 milhões.

S&P 500 ainda está distante

O destino final da JBS é o S&P 500. Lá está a Tyson Foods, sua principal referência de valuation. A rival americana negocia a cerca de 7,5 vezes o lucro operacional projetado. A JBS, apesar de faturar US$ 86 bilhões em 2025 contra US$ 54 bilhões da Tyson, gerar quase o dobro de Ebitda e cerca de quatro vezes mais lucro líquido, vale menos na bolsa. A diferença não é operacional. É de índice.

O S&P 500 exige valor de mercado total de pelo menos US$ 22,7 bilhões. A JBS ainda está abaixo disso. Mas o obstáculo mais difícil no curto prazo é o free float: como a J&F, holding da família Batista, detém cerca de 48% das ações, e o BNDESPar outros 18,61%, apenas um terço dos papéis circula livremente, o que equivale a cerca de US$ 4,3 bilhões, bem abaixo do piso exigido pelo índice.

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A decisão para o S&P 500 passa por um comitê e geralmente leva de três a quatro anos após a estreia na bolsa. O Citi avalia que, no melhor cenário, com o múltiplo se aproximando do da Tyson, a JBS poderia alcançar US$ 28 bilhões em valor de mercado, superando o critério mínimo de elegibilidade.

Crise do gado pressiona o caminho

A jornada em direção aos índices enfrenta um obstáculo de curto prazo: a crise do rebanho bovino nos Estados Unidos. O boi americano está escasso, e o custo do gado subiu mais rápido do que o preço da carne, comprimindo as margens no principal mercado da JBS.

No primeiro trimestre de 2026, o negócio de carne bovina nos EUA registrou prejuízo operacional. O lucro consolidado caiu 56%, para US$ 221 milhões. Wesley Batista Filho, presidente-executivo da JBS USA, classificou janeiro e fevereiro como um dos períodos “mais desafiadores que já vimos na história” e projetou que 2026 será ainda mais difícil que 2025.

Depois do balanço, os papéis recuaram do maior patamar desde a listagem, próximo de US$ 18 por ação, para cerca de US$ 12, abaixo dos US$ 13,87 do primeiro dia de negociação na NYSE.

A XP projeta que os resultados do segundo trimestre também serão pressionados, com compressão de margens em quase todas as divisões da companhia. A única exceção esperada é a JBS Brasil, onde os spreads de exportação seguem favoráveis mesmo com o boi mais caro.

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