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Brasil encerra ciclo de expansão da soja após 20 anos, projeta RaboBank
Publicado 26/07/2026 • 19:30 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 26/07/2026 • 19:30 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Depois de mais de duas décadas de crescimento sustentado, a expansão da área plantada de soja no Brasil deve dar uma pausa na safra 2026/27, segundo relatório do RaboResearch, braço de pesquisa do Rabobank. A instituição classifica o momento como possível ponto de inflexão na estratégia dos produtores.
Ainda segundo o relatório, preços mais baixos da soja, margens comprimidas, crédito mais restrito, custos de financiamento mais altos e incerteza crescente em torno do mercado de insumos criaram um ambiente econômico menos favorável à expansão acelerada.
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Na safra 2025/26, a área plantada de soja no Brasil chegou a cerca de 49 milhões de hectares, com produção em torno de 182 milhões de toneladas, ambos recordes históricos, segundo o RaboResearch. Esses resultados refletem uma trajetória de crescimento estrutural apoiada em expansão de área, ganhos de produtividade e maior intensidade tecnológica ao longo das últimas duas décadas.
Entre as safras 2000/01 e 2025/26, a área de soja cresceu de forma constante, impulsionada pela conversão de pastagens, melhorias na infraestrutura agrícola e condições favoráveis de mercado. Esse movimento foi particularmente forte entre 2020 e 2022, período em que preços elevados, margens positivas e maior disponibilidade de capital sustentaram uma expansão mais rápida.
Ao longo desse período, a área plantada de soja cresceu a uma taxa composta média anual de aproximadamente 4%, enquanto a produção brasileira ganhou relevância crescente nos mercados globais. A participação do país na produção mundial subiu de cerca de 28% em 2010 para aproximadamente 42% em 2026, consolidando o Brasil como protagonista do equilíbrio global entre oferta e demanda.
A partir da safra 2022/23, porém, os produtores passaram a enfrentar novas restrições. Segundo o RaboResearch, custos de produção mais altos, sobretudo de fertilizantes, compressão de margens, queda nos preços internacionais da soja, real mais valorizado em parte do período e juros elevados alteraram os incentivos econômicos dos produtores.
Como resultado, o foco estratégico do setor migra da expansão de área para a preservação de caixa, gestão de risco e otimização do uso da terra. Essa dinâmica sugere uma possível pausa no ritmo de expansão, ainda que o potencial estrutural de crescimento da cultura permaneça intacto no médio e longo prazo, segundo o relatório.
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Siga o Times | CNBCAlém da dinâmica interna, a estabilização da área de soja no Brasil também tem implicações para o mercado agrícola global. Como o país é o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa, uma pausa na expansão de área pode contribuir para um equilíbrio mais estável entre oferta e demanda globais, moderando o crescimento da produção e dos estoques finais.
O RaboResearch projeta que o Brasil deve seguir como fornecedor dominante, mas o crescimento mais achatado da produção pode levar a volumes de exportação mais estáveis após anos de expansão contínua. No mercado interno, o crescimento mais lento da oferta disponível pode trazer sustentação moderada para os níveis de base da soja.
Segundo o relatório, a safra 2026/27 pode marcar um ponto de inflexão, mas a principal mudança não é uma contração estrutural da produção de soja, e sim uma moderação no ritmo de expansão, refletindo tanto restrições econômicas dos produtores quanto crescimento mais lento da demanda global.
O RaboResearch estima que a área plantada de soja deve permanecer amplamente estável no ciclo 2026/27, já que a terra segue como principal ativo produtivo dos agricultores, o que limita a chance de contração relevante de área. Novas expansões, porém, devem se tornar mais seletivas, condicionadas à rentabilidade, ao acesso a crédito e à gestão de risco.
Como consequência, os ganhos futuros de produção devem depender menos da incorporação de novas terras e mais de estratégias voltadas à produtividade, incluindo maior intensificação do uso da terra por meio de sistemas de safrinha e melhorias incrementais de eficiência ao longo da cadeia produtiva.
Mesmo com a estabilização da área, a safra 2026/27 deve manter produtividade elevada. O RaboResearch projeta produção inicial de 178 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo do recorde da safra 2025/26, refletindo principalmente uma normalização de produtividade após dois anos de desempenho acima da média histórica.
A estimativa, segundo a instituição, ainda não incorpora possíveis impactos climáticos ligados ao El Niño. Episódios recentes do fenômeno já afetaram negativamente a produção em regiões relevantes, como na safra 2023/24, quando condições climáticas adversas reduziram o potencial produtivo em áreas agrícolas importantes. Um cenário semelhante em 2026/27 representaria risco adicional de baixa para a produtividade, sobretudo no Centro-Oeste, Norte, Nordeste e partes do Sudeste.
O relatório também destaca que o cenário segue sensível a fatores financeiros e geopolíticos. Segundo o RaboResearch, condições de crédito, câmbio, clima e custo de insumos devem continuar influenciando as decisões de produção e a rentabilidade dos produtores ao longo da safra 2026/27, com a taxa de câmbio seguindo como variável relevante para a competitividade das exportações e a formação de preços internos.
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