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Agro

Porto de Santos opera no limite e ameaça competitividade do café brasileiro

Publicado 14/05/2026 • 23:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Brasil deve ampliar sua participação no mercado global de café em dois a três pontos com a safra 2026/2027, segundo Sammarco.
  • Presidente da Associação Comercial de Santos diz que o porto opera no limite da capacidade e aguarda decisão sobre o Tecon 10.
  • Geopolítica, frete, fertilizantes, sustentabilidade e inteligência artificial estão entre os temas que pressionam a cadeia cafeeira.

O Porto de Santos opera no limite da capacidade, e os gargalos de infraestrutura e logística são hoje um dos principais desafios para manter a competitividade do café brasileiro no exterior. É o que afirmou Mauro Sammarco, presidente da Associação Comercial de Santos.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC durante o Seminário Internacional do Café, Sammarco disse que o Brasil segue na liderança global do setor e deve ampliar sua participação no mercado com a safra 2026/2027.

“O Brasil é líder do mercado mundial. Nós temos uma supersafra prevista agora para 2026/2027. Então, vamos aumentar o nosso market share em cerca de dois a três pontos”, afirmou.

Segundo Sammarco, o desempenho da produção é positivo, mas a infraestrutura ainda limita o avanço do setor. O problema envolve tanto o transporte das cargas até os portos quanto a capacidade de embarque.

“Acho que o maior desafio, além de questões de geopolítica, são os problemas de infraestrutura, de logística que nós temos no nosso país. Então, o embarque das cargas nos portos, principalmente o Porto de Santos, e também a infraestrutura para poder mover a carga, poder trazer a carga para os portos”, disse.

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De acordo com Sammarco, 70% do café brasileiro é exportado pelo Porto de Santos. Apesar da relevância, ele afirmou que o complexo portuário está no limite da capacidade.

“Setenta por cento do café brasileiro é exportado pelo Porto de Santos. Então, o Porto de Santos é o porto com maior volume de navios atracando, maior volume de terminais, mas ele está no limite da sua capacidade”, afirmou.

O presidente da Associação Comercial de Santos disse que o setor aguarda uma decisão do Ministério dos Portos sobre o leilão do Tecon 10, considerado importante para ampliar a capacidade de movimentação no terminal.

“Estamos aguardando uma decisão do Ministério dos Portos, do governo brasileiro, para o leilão do Tecon 10, um ativo importante para aumentar a capacidade”, afirmou.

Sammarco afirmou ainda que o café brasileiro conseguiu superar desafios recentes, como o aumento de tarifas, e pode se beneficiar do acordo entre Mercosul e União Europeia, especialmente no caso do café solúvel. Para o café em grãos, segundo ele, a tarifa já é zero.

As tensões geopolíticas, no entanto, seguem como fator de pressão para o setor. Sammarco citou a guerra envolvendo o Irã como um elemento de impacto sobre custos de frete, combustíveis de navegação e fertilizantes.

“Questões geopolíticas como a guerra do Irã impactam fortemente todo o mercado. Tem aumento de frete por causa do aumento do preço dos combustíveis de navegação e impactos quanto à dificuldade de trazer fertilizante para o país”, disse.

A tecnologia também entrou na agenda do seminário. Segundo Sammarco, a inteligência artificial e novas ferramentas tecnológicas devem ajudar a cadeia do café a responder a exigências internacionais, especialmente em sustentabilidade e experiência do consumidor.

“Como em todas as cadeias, a gente tem que se valer das tecnologias. O café tem um avanço muito grande para atender às exigências internacionais em questões de sustentabilidade e não é diferente também para poder utilizar as ferramentas de tecnologia”, afirmou.

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O Seminário Internacional do Café, realizado em Santos, reúne representantes de diferentes países, especialistas, exportadores e autoridades para debater logística, sustentabilidade, inteligência artificial e os desafios do mercado internacional.

Sammarco afirmou que o evento também discute novas formas de servir café e oferecer experiências ao consumidor, além dos métodos tradicionais.

“A gente tem uma expectativa boa, inclusive com a apresentação de especialistas da Unicamp em processos para servir o café, para poder oferecer uma experiência diferente para o consumidor, além do processo tradicional de máquinas expressas”, disse.

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