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Exportações de café devem ganhar ritmo com avanço da colheita, diz Cecafé
Publicado 22/06/2026 • 14:40 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 22/06/2026 • 14:40 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A expectativa de uma safra recorde de café em 2026 deve impulsionar os embarques brasileiros nos próximos meses, afirmou o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos. Segundo ele, apesar da queda no faturamento das exportações em maio, os preços pagos ao produtor continuam acima dos custos de produção e a tendência é de aceleração dos embarques à medida que a colheita avance.
O desempenho das exportações brasileiras de café em maio refletiu um momento de transição entre safras e um cenário de forte volatilidade no mercado internacional. De acordo com Matos, o crescimento de 3,6% no volume exportado foi sustentado principalmente pelo avanço dos embarques de café conilon, enquanto o arábica ainda apresenta ritmo mais lento.
“O arábica ainda está lento nos embarques, mas o conilon está crescendo. Isso fez com que o volume exportado fosse superior ao registrado em maio do ano passado”, explicou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta segunda-feira (22).
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A projeção de uma safra recorde brasileira, a primeira desde 2020, tem influenciado o comportamento do mercado. Matos observou que a expectativa de maior oferta contribuiu para uma acomodação dos preços ao longo dos últimos meses.
“Depois de 2020, quando tivemos nossa última safra recorde, agora temos novamente uma projeção de safra recorde. O mercado aguarda essa produção maior e os preços se arrefeceram”, observou.
Ao mesmo tempo, o executivo ressaltou que os desafios climáticos enfrentados durante a colheita voltaram a dar sustentação às cotações. “O produtor enfrentou muitas dificuldades para colher por causa das chuvas. Houve café que caiu no chão, e isso afetou a qualidade. Com esses desafios, os preços voltaram a reagir e a colheita ficou um pouco mais lenta”, afirmou.
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Mesmo com a volatilidade típica das commodities, Matos destacou que os preços continuam remunerando a atividade. “Os preços continuam acima dos custos de produção. O produtor que faz gestão de risco e aproveita as janelas de oportunidade consegue manter rentabilidade”, ressaltou.
As discussões sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos também estão no radar do setor. Segundo Matos, o Cecafé participará das audiências em Washington para defender a manutenção das exceções já concedidas ao café verde brasileiro e pleitear a inclusão do café solúvel.
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Siga o Times | CNBC“Estaremos em Washington junto com nossos parceiros da National Coffee Association para defender aquilo que já está na lista de exceção e também buscar a inclusão do café solúvel”, disse.
Ao comentar a situação do produto industrializado, Matos ressaltou que o café solúvel brasileiro enfrenta desvantagens competitivas em diversos mercados. “Nossos concorrentes, como Vietnã e México, possuem condições especiais de acesso ao mercado americano. Além disso, o café solúvel brasileiro também enfrenta tarifas na União Europeia e em países asiáticos”, explicou.
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O executivo também destacou a importância econômica do café brasileiro para os Estados Unidos e lembrou que o mercado norte-americano movimenta cerca de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,9 bilhões) por ano. “Cada dólar que os Estados Unidos importam em café agrega US$ 43 (R$ 221,88) à economia americana. Isso mostra a importância da indústria do café para o mercado norte-americano”, pontuou.
Para os produtores, Matos recomendou cautela na expansão das lavouras e reforçou a importância da gestão de custos e da comercialização escalonada da produção.
“É fundamental conhecer os custos de produção. Ninguém sabe exatamente se o preço vai subir ou cair porque existem muitas variáveis, como geopolítica, clima e conflitos internacionais”, afirmou.
O diretor-geral do Cecafé também alertou para os riscos de esperar indefinidamente por preços mais elevados. “Esperar por um dia de amanhã que pode nunca chegar é perigoso. O produtor precisa aproveitar as oportunidades de mercado e comercializar de forma escalonada”, destacou.
Segundo ele, a manutenção da presença brasileira nos mercados internacionais é essencial para preservar espaço junto aos compradores globais. “Se o importador não encontra produto brasileiro, ele procura outras origens. E recuperar esse espaço depois é muito difícil”, concluiu.
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