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Vendas de café do Brasil para os EUA caem 36% no primeiro semestre
Publicado 29/07/2026 • 13:40 | Atualizado há 53 minutos
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Publicado 29/07/2026 • 13:40 | Atualizado há 53 minutos
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As exportações de café do Brasil registraram uma forte queda para os principais mercados importadores no primeiro semestre deste ano. Para os Estados Unidos, o tombo foi de 36,6% em valor e de 36,2% em volume entre janeiro e junho de 2026, em comparação com os mesmos meses de 2025.
Para a Europa, o maior comprador do café brasileiro, a queda foi mais suave, de 9,8% em valor e de 10,8% em volume. Os dados sobre o café não torrado, chamado de café verde, são do Comex Stat, plataforma oficial de estatísticas de comércio exterior do país.
No primeiro semestre deste ano, a Alemanha superou os Estados Unidos na importação do café brasileiro em volume. O país europeu, maior consumidor do produto no continente, comprou 127,3 mil toneladas, enquanto o país norte-americano adquiriu 115,4 mil toneladas.
A Europa importou 556,8 mil toneladas de café brasileiro entre janeiro e junho de 2026. Nos seis primeiros meses do ano passado, o Brasil vendeu 623,9 mil toneladas de café para a Europa, 181 mil toneladas para os Estados Unidos e 154,8 mil toneladas para a Alemanha.
Em valor, a Europa gastou nos seis primeiros meses deste ano US$ 3,7 bilhões com o café brasileiro, ante US$ 4,1 bilhões no mesmo período do ano passado. As exportações para os Estados Unidos somaram US$ 760,9 milhões no primeiro semestre deste ano e US$ 1,2 bilhão no do ano passado. A Alemanha pagou US$ 843,4 milhões este ano e US$ 998 milhões no ano passado, de janeiro a junho. Vale lembrar que o café brasileiro permanece de fora das tarifas de importação anunciadas pelo governo norte-americano este mês, respectivamente de 25% e 12,5%.
“Os números mostram que a queda das exportações não é resultado de perda de competitividade do café brasileiro, mas de um ajuste global entre oferta, estoques e preços. Em um cenário de menor disponibilidade de arábica e maior volatilidade internacional, garantir produtividade, sanidade e regularidade da safra passa a ser um fator estratégico para sustentar a presença do Brasil nos principais mercados consumidores”, afirma o head da Ascenza Brasil, Hugo Centurion.
Leia também: Exportações de café do Brasil caem em volume, mas receita chega a US$ 14,6 bilhões
A redução das vendas de café para os Estados Unidos no primeiro semestre deste ano ocorreu por uma combinação de vários fatores de oferta e demanda. Em 2024 e 2025, o Brasil exportou volumes elevados de café para o país norte-americano, que formou estoques de segurança. Neste ano, o mercado dos EUA entrou em um ciclo de desestocagem, diminuindo o ritmo de compras.
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Siga o Times | CNBCA menor disponibilidade do café arábica na safra 2025/2026, afetada por períodos de seca e calor em regiões produtoras, também influenciou o recuo das exportações, assim como movimentos especulativos na Bolsa de Nova York, que derrubaram as cotações internacionais do café arábica, fazendo com que os compradores dos EUA adiassem embarques à espera de preços ainda menores.
Na Europa, a retração foi mais moderada porque o bloco continua sendo o principal destino do café brasileiro, com relações comerciais consolidadas e contratos de longo prazo. Embora a menor oferta brasileira também tenha afetado a região, o impacto foi mais limitado.
Para os próximos meses, o mercado internacional espera uma recuperação gradual das exportações brasileiras, condicionada principalmente ao comportamento da produção nacional. Se a próxima safra confirmar maior oferta, a tendência é de aumento dos embarques e de recomposição dos estoques dos principais importadores. “O Brasil reúne condições para retomar e manter sua trajetória de crescimento, desde que mantenha regularidade de oferta, qualidade e previsibilidade para atender a um mercado internacional cada vez mais exigente”, aponta o head da Ascenza Brasil.
Para os Estados Unidos, a expectativa é de retomada mais intensa dos volumes, justamente porque a base de comparação de 2026 foi muito baixa. Na União Europeia, a tendência é de crescimento mais gradual, uma vez que o bloco manteve um fluxo de compras relativamente estável mesmo durante o período de menor oferta.
Para conseguir uma safra mais positiva, os produtores devem investir em produtividade, renovação das lavouras, manejo para reduzir os impactos climáticos (como irrigação quando necessário e viável), conservação do solo e uso de cultivares mais resistentes. Certificações socioambientais e rastreabilidade são indispensáveis. O cafeicultor deve estar atento à produção de cafés com maior qualidade e maior valor agregado, ao investimento em eficiência pós-colheita, ao uso de tecnologias aplicadas à lavoura e ao gerenciamento de riscos e proteção de preços. Cooperativas e associações precisam se fortalecer para ampliar o acesso ao mercado externo.
“Em um cenário de maior variabilidade climática, a produtividade deixa de depender apenas do potencial da lavoura e passa a ser resultado da qualidade do manejo. Investir em proteção fitossanitária, monitoramento, tecnologias e boas práticas agronômicas é fundamental para preservar o potencial produtivo, reduzir perdas e garantir uma oferta consistente ao mercado internacional”, afirma Centurion.
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