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Exportação de carne bovina cai 16% em agosto, mas Brasil amplia destinos e soma 171 países compradores

Publicado 17/09/2026 • 14:45 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Vendas de carne bovina in natura para a China recuam 89,62% em agosto após esgotamento da cota
  • Nova cota dos Estados Unidos de até 300 mil toneladas deve compensar perdas com China e UE
  • Chile, Rússia e Arábia Saudita registram forte alta nas compras de carne bovina brasileira
Peças de carne bovina

AEN

As exportações brasileiras de carne bovina caíram 16,11% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, para US$ 1,399 bilhão, resultado do esgotamento da cota chinesa e das novas exigências sanitárias impostas pela União Europeia. Apesar da retração, o país ampliou vendas para outros mercados, como Chile, Rússia e Arábia Saudita, e fechou os oito primeiros meses do ano com 171 países compradores, ante 164 no mesmo período de 2025. Os dados foram compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Em volume, os embarques de carne bovina, incluindo carne in natura, industrializada, miúdos comestíveis e outros subprodutos do abate, recuaram 25,56% em agosto, para 267,34 mil toneladas. Ainda segundo a Abrafrigo, o resultado do mês refletiu principalmente o esgotamento da cota de exportação para o mercado chinês, fixada em 1,106 milhão de toneladas, acima da qual as vendas passam a ser sobretaxadas em 55%.

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Exportações de Carne Bovina Brasileira – 2026

Exportações Brasileiras de Carne Bovina

Panorama do acumulado de Jan-Ago 2026 vs 2025

Mês de Agosto (2026)

US$ 1,39 Bilhão
▼ 16,11% em receita
▼ 25,56% em volume

Acumulado (Jan-Ago)

US$ 12,95 Bilhões
▲ 19,55% em receita
▼ 1,14% em volume

Alcance Global

171 Países
▲ 126 aumentaram compras
Eram 164 países em 2025

Desempenho por Mercado (Acumulado Jan-Ago)
País Destino Receita (US$) Var. Receita Volume (Ton) Var. Volume
🇨🇳 China 5,438 Bi ▲ 9,43% 873.000 ▼ 7,9%
🇺🇸 Estados Unidos 2,000 Bi ▲ 24,75% N/D
🇪🇺 União Europeia 791,3 Mi ▲ 44,4% N/D
🇨🇱 Chile 650,0 Mi ▲ 47,6% 106.800 ▲ 32,4%
🇷🇺 Rússia 454,0 Mi ▲ 46,4% 96.000 ▲ 29,4%
🇲🇽 México 399,0 Mi ▼ 9,4% 65.800 ▼ 18,8%
🇭🇰 Hong Kong 301,0 Mi ▲ 34,7% 71.000 ▲ 9,9%
🇸🇦 Arábia Saudita 297,5 Mi ▲ 56,8% 49.700 ▲ 24,9%

Fonte: Abrafrigo com base em dados da Secex/MDIC (Setembro/2026). Elaboração: Times Brasil | CNBC

Exportações de carne recuam com fim da cota chinesa

No acumulado de janeiro a agosto de 2026, as exportações do setor somaram US$ 12,957 bilhões, alta de 19,55% sobre o mesmo período de 2025, embora o volume tenha recuado 1,14%, para 2,387 milhões de toneladas. A China permaneceu como maior compradora da carne bovina brasileira no período, com US$ 5,438 bilhões em aquisições, aumento de 9,43%, ainda que o volume tenha caído 7,9%, para 873 mil toneladas.

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Considerando apenas agosto, as vendas de carne bovina in natura para o mercado chinês recuaram 89,62% em receita, para US$ 92 milhões, e 89,82% em volume, para 16 mil toneladas, na comparação com agosto de 2025. Segundo a Abrafrigo, a expectativa é de que as compras chinesas sejam retomadas a partir de novembro, quando passam a contar para a cota do ano seguinte.

Nova cota dos Estados Unidos deve aliviar perdas

Para compensar parte do impacto, os Estados Unidos, segundo maior importador da carne bovina brasileira, passaram a contar com uma nova cota de até 300 mil toneladas livre da tarifa de 26,4%, destinada a países sem cota específica no mercado americano. A medida entrou em vigor em setembro e será dividida em cotas mensais de até 100 mil toneladas, válidas até novembro de 2026.

De acordo com dados do serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP), compilados pela adidância do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) no país, a cota de setembro já havia sido preenchida em 22,16% até segunda-feira (14). As normas estabelecem que o volume não utilizado em um mês não é automaticamente repassado ao mês seguinte, o que reforça o ritmo de embarques necessário para aproveitar o benefício por completo.

No acumulado de janeiro a agosto, as vendas totais de carne bovina para os Estados Unidos somaram US$ 2 bilhões, alta de 24,75% sobre igual período de 2025. Apenas as vendas de carne in natura cresceram 62,16%, para US$ 1,458 bilhão, com volume 37,24% maior, em 241 mil toneladas. Em agosto, antes da entrada em vigor da nova cota, as vendas de carne in natura para os Estados Unidos já haviam disparado 385% em receita e 390% em volume, também influenciadas pelo fim da tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, que havia entrado em vigor em agosto de 2025.

União Europeia mantém barreira sanitária à carne brasileira

A União Europeia foi o terceiro maior destino da carne bovina brasileira nos oito primeiros meses do ano, com vendas de US$ 791,3 milhões, alta de 44,4% sobre 2025. As exportações de carne in natura para o bloco cresceram 38,54%, para US$ 659 milhões, com volume 26,36% maior, em 72,95 mil toneladas.

Apesar do avanço no acumulado, o setor enfrenta uma barreira relacionada ao reconhecimento do protocolo de produção livre de antimicrobianos, apresentado por entidades da cadeia produtiva e homologado pelo MAPA. Segundo estimativas da Abrafrigo, a exigência deve impedir o embarque de cerca de 70 mil toneladas de carne bovina para o bloco europeu, com impacto de aproximadamente US$ 700 milhões entre setembro e dezembro de 2026. O governo brasileiro ainda negocia com as autoridades europeias uma possível reversão da barreira.

Chile, Rússia e Arábia Saudita ampliam compras

Entre os demais mercados considerados importantes pelo setor, o Chile manteve ritmo forte de expansão, com 106,8 mil toneladas embarcadas, alta de 32,4%, e receita de US$ 650 milhões, avanço de 47,6%. A Rússia também ampliou as compras, para cerca de 96 mil toneladas, aumento de 29,4%, com receita de aproximadamente US$ 454 milhões, alta de 46,4%.

Já o México foi o único entre os cinco mercados analisados pela Abrafrigo a registrar retração, com queda de 18,8% em volume, para 65,8 mil toneladas, e recuo de 9,4% em receita, para US$ 399 milhões. Hong Kong, por sua vez, voltou a crescer, com 71 mil toneladas importadas, alta de 9,9%, e faturamento de US$ 301 milhões, avanço de 34,7%.

A Arábia Saudita teve um dos desempenhos mais expressivos entre os mercados acompanhados, com alta de 24,9% em volume, para 49,7 mil toneladas, e de 56,8% em receita, que somou US$ 297,5 milhões.

Brasil soma 171 países compradores no ano

No total, o número de países compradores de carne bovina brasileira passou de 164 para 171 na comparação entre janeiro e agosto de 2025 e 2026. Do total, 126 países aumentaram as aquisições, enquanto 55 reduziram suas compras no período, segundo o levantamento da Abrafrigo.

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