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Apesar de barreiras tarifárias nos EUA, chocolates brasileiros mantêm competitividade no exterior

Publicado 16/09/2026 • 07:12 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • No Chile e no Uruguai, as empresas encontram as condições mais favoráveis: tarifa de importação zero, garantida pelos acordos do Mercosul
  • Por outro lado, Estados Unidos e Reino Unido exigem foco em produtos premium, como chocolates especiais, linhas bean-to-bar e marcas com forte apelo de sustentabilidade, rastreabilidade e origem do cacau.
  • Em termos de volume acumulado no quinquênio entre 2021 e 2025, o Chile se consolidou como o principal comprador (US$ 91,7 milhões), seguido por Uruguai (US$ 77,2 milhões) e Estados Unidos (US$ 56,8 milhões).
Chocolate

PxHere

O chocolate brasileiro mira a expansão global com foco em quatro mercados estratégicos: Chile, Uruguai, Estados Unidos e Reino Unido. É o que aponta o Estudo de Acesso a Mercado – Chocolate 2026, lançado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (ABICAB).

Entre 2021 e 2025, o bloco de países movimentou cerca de US$ 227,6 milhões em compras do produto brasileiro, registrando uma média anual de US$ 45,5 milhões. No ano passado, os quatro destinos apresentaram alta generalizada nas importações. O Reino Unido liderou o avanço percentual com um salto de 40,8%, seguido por Uruguai (+27,9%), Estados Unidos (+17,9%) e Chile (+17,2%).

Em termos de volume acumulado no quinquênio, o Chile se consolidou como o principal comprador (US$ 91,7 milhões), seguido por Uruguai (US$ 77,2 milhões) e Estados Unidos (US$ 56,8 milhões).

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Caminhos divergentes por mercado

O levantamento revela que o sucesso da internacionalização exige estratégias segmentadas, divididas entre a facilidade logística na América do Sul e o apelo de alto valor agregado nas economias desenvolvidas.

No Chile e no Uruguai, as empresas encontram as condições mais favoráveis: tarifa de importação zero, garantida pelos acordos do Mercosul, além da proximidade geográfica.

Por outro lado, Estados Unidos e Reino Unido exigem foco em produtos premium, como chocolates especiais, linhas bean-to-bar e marcas com forte apelo de sustentabilidade, rastreabilidade e origem do cacau. Nos Estados Unidos, o estudo aponta forte potencial em nichos gourmet, onde o consumidor é menos sensível a preços e busca experiências de alta qualidade.

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🔍Bean-to bar: O termo em inglês (traduzido literalmente como “do grão à barra”) define um movimento e um modelo de produção no qual o próprio fabricante controla todas as etapas de criação do chocolate, desde a seleção e compra direta das amêndoas de cacau na fazenda até a embalagem final da barra.

Desafios tarifários

Apesar do potencial, o mercado norte-americano impõe barreiras rigorosas. Em 2026, os chocolates brasileiros passaram a enfrentar um acréscimo tarifário que totaliza 37,5% sobre os produtos analisados, somando-se à tarifa de Nação Mais Favorecida (NMF). Já no Reino Unido, as taxas de importação variam de 8% a 11,08%.

Para a ApexBrasil, a diversificação de mercados é o antídoto para esses desafios. A inteligência comercial atua como ferramenta para orientar o setor produtivo na superação de barreiras.

“Diversificar mercados passa por conhecer onde estão as oportunidades e preparar as empresas para aproveitá-las. Estudos como este oferecem informações importantes para que o setor produtivo possa avaliar novos destinos, compreender as características de cada mercado e definir estratégias de internacionalização”, destaca Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil.

O fator diferenciação

A recomendação central da pesquisa é que as indústrias brasileiras apostem em certificações internacionais e transparência na cadeia produtiva. Em mercados maduros, atributos como rastreabilidade e responsabilidade socioambiental são decisivos para justificar preços mais elevados e consolidar a marca brasileira no exterior.

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