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Alta do petróleo pressiona custos das aéreas, mas repasse às passagens segue limitado, diz FecomercioSP
Publicado 05/08/2026 • 17:38 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 05/08/2026 • 17:38 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O avanço dos preços do petróleo provocado pelo conflito no Oriente Médio elevou os custos das companhias aéreas brasileiras, mas esse aumento ainda não foi integralmente repassado aos consumidores. É o que mostra um levantamento da FecomercioSP, segundo o qual o preço médio das passagens aéreas subiu cerca de 9% entre março e junho, apesar de o querosene de aviação ter registrado alta de 37% no mesmo período.
De acordo com a entidade, como o combustível representa aproximadamente 32% da estrutura de custos das companhias, o encarecimento do querosene elevou o custo total das operações em cerca de 12%. Ainda assim, o reajuste médio das tarifas ficou abaixo desse patamar, indicando que parte da pressão foi absorvida pelas empresas.
“O consumidor costuma associar imediatamente a alta do petróleo a passagens mais caras. Mas, desta vez, os dados mostram que as companhias aéreas não repassaram integralmente esse aumento ao preço final pago pelos passageiros”, afirmou Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP.
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Segundo o levantamento, um dos fatores que ajudaram a conter o impacto foi a valorização do real frente ao dólar. A moeda americana recuou de uma média de R$ 5,25, em março, para cerca de R$ 5,00 nos meses seguintes, reduzindo despesas dolarizadas, como seguros, arrendamento de aeronaves e manutenção, que representam cerca de 22% dos custos do setor.
Outro elemento apontado pela Federação é o comportamento da demanda. Com o transporte aéreo mantendo elevados índices de ocupação – cerca de 82% até junho – e em um ambiente de juros altos, inflação persistente e elevado endividamento das famílias, aumentos mais intensos nas tarifas poderiam desestimular viagens e reduzir o número de passageiros.
Na avaliação da FecomercioSP, a retomada da escalada dos preços do petróleo tende a manter a pressão sobre os custos das empresas aéreas ao longo do segundo semestre.
Leia também: Como encontrar passagens aéreas mais baratas mesmo com a alta dos preços
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Siga o Times | CNBCDietze afirma que as companhias têm buscado absorver parte desse impacto para preservar a demanda, mas alerta que essa estratégia possui limites.
“As companhias sabem que o consumidor brasileiro enfrenta um cenário de inflação elevada, juros altos e forte endividamento. A questão é até quando será possível absorver esses custos sem comprometer as margens e os resultados das empresas”, afirmou.
Segundo o executivo, os balanços do segundo trimestre já devem refletir parte dessa pressão. Embora receitas adicionais, como cobrança por bagagens e outros serviços, ajudem a reduzir os impactos, elas não devem ser suficientes para compensar totalmente a alta dos combustíveis.
Leia também: Além do combustível, veja o que está encarecendo as passagens aéreas
Entre março e junho, o preço médio do litro do querosene de aviação, descontada a inflação, passou de R$ 3,88 em igual período de 2025 para aproximadamente R$ 5,30 neste ano. No mesmo intervalo, o valor médio das passagens comercializadas avançou de R$ 614 para R$ 671.
A FecomercioSP ressalta que os preços variam conforme a rota, a antecedência da compra e promoções oferecidas pelas companhias, além de dependerem de outros componentes de custo, como mão de obra, leasing de aeronaves, manutenção e taxas aeroportuárias.
O estudo também destaca a diferença entre os dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto a Anac calcula o preço médio das passagens efetivamente vendidas, o IBGE utiliza uma metodologia baseada em pesquisa de preços com antecedência aproximada de dois meses, o que explica a diferença entre as variações registradas pelas duas instituições.
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