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Aviação

Aviação na América Latina tem potencial, mas falta política pública, diz CEO da LATAM

Publicado 07/06/2026 • 20:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • CEO da LATAM Roberto Alvo afirma que Brasil foi o mercado doméstico de aviação que mais cresceu no mundo em 2025.
  • Brasil tem 0,5 passageiro por habitante, um quinto dos países desenvolvidos e metade do índice do Chile, segundo Roberto Alvo.
  • Jerome Cadier critica falta de política de Estado para aviação no Brasil e aponta carga tributária como gargalo do setor.

O potencial da aviação na América Latina existe, mas só se materializa com políticas públicas de longo prazo. A avaliação é de Roberto Alvo, CEO global da LATAM Airlines Group, durante painel realizado neste domingo (7) na 82ª Assembleia Geral Anual da IATA, no Rio de Janeiro.

Brasil cresce, mas ainda voa pouco

Alvo citou um dado que resume o paradoxo do mercado brasileiro. Dos dez maiores mercados domésticos de aviação do mundo, o Brasil foi o que mais cresceu em 2025. Ao mesmo tempo, o país registra apenas 0,5 passageiro por habitante, um quinto da média dos países desenvolvidos e metade do índice registrado no Chile.

“Não há razão para não crescer. Precisamos de políticas públicas que melhorem o desenvolvimento da indústria, pois o potencial existe”, disse Alvo.

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🔍 Passageiros por habitante Indicador que mede a intensidade do uso do transporte aéreo em um país, dividindo o número total de passageiros transportados pela população. Países com renda per capita mais alta e infraestrutura aeroportuária mais desenvolvida tendem a registrar índices maiores. O Brasil, apesar do tamanho do território e da população, ainda opera bem abaixo de economias comparáveis.

Tributação trava o crescimento

Alvo também apontou a carga tributária como um dos principais entraves ao desenvolvimento da aviação regional na América Latina. Citou o caso da Colômbia, onde o custo de impostos e taxas sobre passagens aéreas supera o próprio preço do bilhete, o que deprime a demanda e inviabiliza rotas para cidades menores e mais isoladas.

Segundo o executivo, muitas cidades no interior da América Latina são mal conectadas, inclusive entre si. A combinação de selvas, montanhas e desertos torna o transporte aéreo ainda mais necessário nessas regiões, mas os custos elevados impedem a expansão da malha.

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Mercosul com céus abertos seria positivo, mas não é prioridade

Alvo avaliou que a abertura dos céus entre os países do Mercosul seria benéfica para a aviação regional, mas não é o requisito mais urgente para o desenvolvimento do setor. Para ele, há prioridades mais rápidas e impactantes do que a integração aérea regional.

🔍 Céus abertos Acordos bilaterais ou multilaterais entre países que eliminam restrições ao número de voos, rotas e companhias aéreas que podem operar entre os territórios signatários. Tendem a aumentar a concorrência, reduzir tarifas e ampliar a conectividade aérea entre as regiões envolvidas.

Falta política de Estado, não de governo

Jerome Cadier, CEO da LATAM Brasil, reforçou a crítica à ausência de planejamento de longo prazo para o setor aéreo no país. Segundo ele, o Brasil trocou de ministro do Turismo mais de 20 vezes em 20 anos, o que impede a continuidade de políticas setoriais.

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Cadier argumentou que a baixa penetração do transporte aéreo entre a população brasileira não se explica pela renda, mas pelo custo das passagens, que por sua vez reflete uma estrutura tributária e regulatória que onera as operações das companhias. A preferência histórica do brasileiro por longas viagens rodoviárias também foi apontada como reflexo direto do custo comparativo entre os dois modais.

A cobertura especial do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC acompanha os três dias de evento no Rio de Janeiro.

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