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Banco Master admite falhas em garantias e entra na mira do Banco Central
Publicado 20/01/2026 • 12:47 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 20/01/2026 • 12:47 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
Rovena Rosa/Agência Brasil
O Banco Master admitiu ao Banco Central do Brasil (BC) que não possuía informações detalhadas sobre os fundos administrados pela Reag Investimentos que serviam como garantia para empréstimos concedidos pela instituição em caso de inadimplência.
As operações de crédito entraram no radar das autoridades e são investigadas pela Polícia Federal (PF) por suspeita de fraude. Tanto o Banco Master quanto a Reag, liquidados pelo BC, negam irregularidades.
Segundo os investigadores, o Master concedia empréstimos a empresas que não quitavam as parcelas, o que resultava na geração de receitas apenas contábeis, sem entrada efetiva de caixa. Os prazos de carência eram frequentemente prorrogados, evitando o reconhecimento formal de perdas.
De acordo com o inquérito da PF, “não houve efetivo pagamento de juros nem amortizações” dessas operações.
Leia também: Crise do Banco Master expõe graves falhas de compliance
As apurações indicam que, poucos minutos após a liberação dos empréstimos, os recursos eram quase integralmente transferidos para fundos administrados pela Reag, que simulavam uma rentabilidade fora dos padrões de mercado. Em seguida, o dinheiro retornava ao próprio banco, por meio de aplicações financeiras.
Ao analisar esse fluxo, o BC solicitou ao Master os controles internos de acompanhamento dos projetos financiados e dos valores já liberados. O banco respondeu que não detinha essas informações e que seria necessário consultar a Reag.
A resposta acendeu um alerta regulatório. O BC ressalta que o Banco Master deveria receber relatórios mensais sobre as garantias dos empréstimos. Para a autoridade monetária, a prática “evidencia a falta de adequado acompanhamento das operações estruturadas”.
Leia também: Master: Toffoli bloqueia bens de Nelson Tanure, que nega elo societário com o banco
Documento do BC enviado ao Ministério Público Federal (MPF) aponta “reavaliação indevida de ativos”, permitindo que os fundos envolvidos apresentassem rentabilidade extraordinária.
O caso mais emblemático envolve um empréstimo de R$ 459 milhões concedido a uma empresa ligada a uma ex-funcionária da Reag. Vinte dias após ser criado, um fundo com patrimônio inicial de apenas R$ 15 mil recebeu R$ 450 milhões desses recursos.
Em sequência relâmpago:
Para efeito de comparação, no mesmo período, o bitcoin avançou cerca de 120% em dólar, enquanto o ouro subiu 61,6% em reais.
A PF também apura se, após circular pelos fundos, os recursos retornaram ao Banco Master por meio da compra de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), principal instrumento de captação da instituição.
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