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O que vem a seguir para a BP? Saídas na liderança colocam à prova a confiança dos investidores na supervisão do conselho

Publicado 10/06/2026 • 06:18 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Mudanças recentes em cargos de alta liderança da BP levantaram questionamentos sobre a estrutura e a supervisão do conselho de administração da companhia.
  • Um dos principais investidores ativos da gigante do petróleo, porém, alerta que alguns podem estar correndo o risco de perder de vista o quadro mais amplo.
  • A BP anunciou recentemente que o executivo William Lin deixará a empresa, após a surpreendente demissão do presidente do conselho da companhia, Albert Manifold.
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Foto: Glyn KIRK / AFP

A BP está em seu terceiro CEO e terceiro presidente do conselho em menos de três anos, o que tem levado investidores a questionar a estrutura e a supervisão do conselho de administração enquanto a gigante do petróleo busca recuperar seu desempenho e se adaptar ao choque de oferta no mercado.

Poucas semanas após a CEO Meg O’Neill assumir o cargo, em abril, o presidente do conselho, Albert Manifold, foi demitido de forma repentina no fim de maio. O conselho afirmou que a decisão ocorreu devido a “sérias preocupações” relacionadas a padrões de governança, supervisão e conduta.

Leia também: BP destitui chairman Albert Manifold e cita preocupações “sérias” com governança e conduta “inaceitáveis”

Manifold afirmou que foi demitido “sem aviso prévio e sem explicação”, acrescentando que discorda “completamente da caracterização” feita sobre sua conduta.

Um dos principais investidores ativos da petroleira disse à CNBC que alguns podem estar correndo o risco de perder a visão do quadro mais amplo, enquanto um acionista ativista afirmou que a companhia precisa enfrentar com urgência as razões por trás dessa alta rotatividade.

“Um período caótico de troca de lideranças”

Nick Mazan, responsável pela estratégia para petróleo e gás do acionista ativista ACCR, disse que a BP precisa apresentar “uma avaliação clara e honesta” sobre o processo de seleção que levou à nomeação de Manifold.

“O processo de indicação parece disfuncional. Nenhuma grande empresa deveria ter tido três CEOs e três presidentes do conselho em tão poucos anos”, afirmou Mazan à CNBC por e-mail.

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“Há questionamentos relevantes sobre se o conselho, em sua composição atual, após supervisionar um período caótico de trocas na liderança, está apto a identificar um novo presidente e a desafiar a CEO em relação à estratégia atual de aumento dos investimentos em atividades de exploração e produção”, continuou.

“É difícil enxergar como a empresa poderá reconstruir a confiança dos investidores. Pode ser necessário um papel mais ativo dos acionistas no processo de indicação para o conselho.”

Procurada para comentar o assunto, a BP remeteu a CNBC às declarações de Ian Tyler, presidente interino do conselho, que afirmou no dia da demissão de Manifold:

“O conselho e a equipe de liderança têm plena convicção na direção estratégica que definimos, e a empresa está avançando rapidamente para executá-la.”

O’Neill busca simplificar a estrutura da companhia, retornando a um modelo dividido entre os segmentos upstream e downstream, como parte de uma mudança de rumo que reduz o foco em energias renováveis e reforça o negócio principal de petróleo e gás.

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A empresa informou na terça-feira que Gordon Birrell comandará a unidade de upstream, voltada para petróleo e gás, enquanto Richard Harding assumirá interinamente a unidade de downstream, que inclui refino, terminais, biocombustíveis e aviação.

O executivo veterano William Lin deixará a empresa ainda este ano, anunciou a BP na semana passada.

Brian Kersmanc, gestor de portfólio da GQG Partners, um dos maiores investidores ativos da BP, afirmou que os investidores estão “perdendo a floresta por olhar apenas para as árvores” ao focarem nas saídas de executivos.

“Acredito que a direção estratégica geral da BP e os avanços que ela já alcançou têm impacto maior do que as mudanças de pessoal”, disse Kersmanc à CNBC por e-mail.

A guerra no Irã desencadeou a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história, pressionando severamente os mercados globais de energia. Segundo Kersmanc, o atual mercado energético restrito pela oferta deixou o setor sem uma “solução fácil” para restaurar os níveis de produção, e tampouco existe “a disposição ou a capacidade” das petroleiras de aumentar significativamente a oferta.

Kersmanc acrescentou que a BP possui ativos “extremamente fortes e diversificados”, enquanto o mercado parece avaliar a empresa mais como uma produtora de shale oil de médio porte do que como uma grande petroleira integrada global.

“Acreditamos que a geração de fluxo de caixa livre da companhia aumentará, especialmente se os preços da energia permanecerem elevados por mais tempo”, acrescentou.

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O que a rotatividade na liderança da BP significa para os investidores?

Maurizio Carulli, analista global de energia da gestora patrimonial Quilter Cheviot, afirmou que a saída de Manifold e a de Lin não estão relacionadas e que o impacto tende a ser limitado.

“Embora a notícia possa ser vista de forma negativa no curto prazo, é importante lembrar que a BP redefiniu sua estratégia e realizou melhorias operacionais significativas ao longo do último ano”, disse Carulli.

“Essas mudanças refletem os esforços da organização como um todo e de sua equipe de gestão, e não dependem de um único indivíduo.”

John Browne, que foi CEO da BP durante 13 anos até 2007, afirmou ao programa Executive Decisions, da CNBC, que nem todos os problemas enfrentados pela companhia são sistêmicos.

Segundo ele, “muitas coisas” mudaram nos últimos 20 anos, “especialmente a determinação dos acionistas de que a indústria de petróleo e gás deveria voltar às suas origens e direcionar mais capital para seu negócio principal”.

A BP precisa “se estabilizar para o futuro”, afirmou Browne durante a entrevista concedida a Steve Sedgwick.

“Para mim, é muito claro que, a menos que a liderança seja de primeira linha — não de segunda linha, não quase de primeira, mas efetivamente de primeira linha — e seja estável, não será possível gerar bons retornos”, disse Browne.

Questionado se a nova CEO da BP se enquadra nesse perfil, Browne respondeu que “é cedo demais para dizer”.

“Conheço Meg muito bem e a ajudei durante um período em que ela estava na Woodside. Desejo a ela toda a sorte. Mas, no fim das contas, nunca é possível saber. Ela tem grande potencial, mas não se pode avaliar alguém antes que o trabalho esteja concluído”, afirmou.

Perguntado sobre o que as mudanças na liderança significam para os investidores, Carulli, da Quilter Cheviot, disse que as múltiplas camadas de gestão existentes em organizações desse porte fazem com que “a saída de uma única pessoa, por mais importante que seja, não deva afetar materialmente os negócios como um todo”.

“É importante que o conselho da BP conduza um processo rigoroso e bem estruturado para nomear um novo presidente, incluindo uma reflexão sobre as lições que podem ser extraídas das circunstâncias que cercaram a saída de Albert Manifold”, concluiu.

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