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Bauducco busca sócio minoritário, mas Mondelez quer o controle da companhia
Publicado 08/07/2026 • 22:52 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 08/07/2026 • 22:52 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: Divulgação
A Bauducco abriu conversas para avaliar a entrada de um sócio minoritário no negócio, mas já atraiu o interesse de uma gigante global com apetite maior: a Mondelez.
A dona de marcas como Oreo, Lacta, Bis e Club Social quer comprar o controle da operação, segundo apurou o Pipeline. O interesse da Mondelez esbarra, porém, na disposição da família Bauducco de discutir apenas uma fatia minoritária, e não uma venda total da companhia.
A companhia contratou a BR Partners como assessora financeira para conduzir conversas com potenciais investidores. Ao menos dez grupos, entre fundos e empresas estratégicas, já teriam sinalizado interesse.
Entre os nomes citados estão GIC, Itaúsa, Hershey’s e Mars. A Hershey’s, inclusive, já teve uma parceria com a marca brasileira no passado.
Leia também: Por que a Bauducco está investindo US$ 200 milhões nos Estados Unidos?
A Bauducco é controlada pela Pandurata Alimentos, empresa da família Bauducco. O grupo é dono de marcas como Bauducco, Casa Bauducco, Visconti e Tommy, além da Ellece Logística.
Embora a companhia seja cobiçada há anos por fundos, empresas estratégicas e bancos de investimento, uma venda de controle sempre foi vista como difícil.
A avaliação de pessoas próximas às conversas ouvidas pelo Pipeline é que a família estaria aberta a discutir uma fatia minoritária, mas não uma venda total. Uma operação de controle só avançaria diante de uma proposta considerada muito acima dos padrões de mercado.
Esse é o principal obstáculo para a Mondelez, que estaria sendo assessorada pelo UBS BB. Procurado pelo Pipeline, o UBS BB negou envolvimento na transação. A Mondelez afirmou que não comenta especulações de mercado.
A estimativa de mercado é que a Bauducco esteja avaliada entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões.
Esse valor implicaria um múltiplo entre 12 e 14 vezes o Ebitda, indicador que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Nas projeções para os 12 meses encerrados em julho, a companhia deve atingir receita de R$ 5,8 bilhões e Ebitda de R$ 700 milhões.
A empresa também é pouco alavancada, com dívida líquida em torno de 0,5 vez o Ebitda, o que aumenta o interesse de potenciais investidores.
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Siga o Times | CNBCPelo mandato da BR Partners, a venda minoritária pode ocorrer em formato primário, secundário ou uma combinação dos dois.
Em uma operação primária, o dinheiro entra no caixa da empresa para financiar crescimento. Em uma venda secundária, os recursos vão para os acionistas que vendem parte de sua participação.
Essa diferença importa porque a Bauducco vive uma fase de expansão internacional e pode usar uma eventual entrada de capital para acelerar investimentos fora do Brasil.
Ainda assim, há ceticismo no mercado. A família Bauducco já avaliou uma venda parcial em 2012, quando fundos como KKR e GIC estavam entre os interessados, mas acabou desistindo do processo.
O interesse pela Bauducco vem em um momento de avanço internacional da companhia.
No mês passado, o grupo inaugurou sua primeira fábrica de panettones e chocolates fora do Brasil. A unidade fica na Flórida, nos Estados Unidos, e recebeu investimento de US$ 200 milhões.
A planta também produzirá para exportação. Antes disso, a empresa já tinha centro de distribuição e produção de wafers no mercado americano.
A expansão nos EUA reforça a tese de crescimento global da Bauducco e ajuda a explicar o interesse de grupos estratégicos internacionais.
Para uma empresa como a Mondelez, uma eventual aquisição daria acesso a uma marca brasileira forte, com presença consolidada em categorias como panettones, biscoitos, wafers e chocolates, além de uma plataforma já em expansão no mercado americano.
Leia também: EXCLUSIVO: CEO internacional da Bauducco detalha plano de expansão nos EUA
Procurada, a Pandurata Alimentos afirmou que “a gestão contínua do portfólio de investimentos dos acionistas é uma prática natural e recorrente em grupos empresariais sólidos e em crescimento”.
A companhia não comentou diretamente as conversas com investidores nem o interesse da Mondelez.
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