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Cade quer rever aval a acordo entre MSC e Maersk sobre disputa do Tecon 10, no Porto de Santos
Publicado 04/09/2026 • 15:39 | Atualizado há 34 minutos
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Publicado 04/09/2026 • 15:39 | Atualizado há 34 minutos
KEY POINTS
Foto: Divulgação Codesp
O presidente interino do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Diogo Thomson de Andrade, propôs que o plenário do órgão reavalie duas operações entre MSC e Maersk diretamente ligadas à possível disputa pelo Tecon 10, novo terminal de contêineres planejado para o Porto de Santos.
Os negócios haviam sido aprovados sem restrições pela Superintendência-Geral do Cade em agosto. Thomson, porém, entende que a autorização precisa de salvaguardas porque sua execução depende de um leilão que ainda não tem edital definitivo nem cronograma conhecido.
O acordo organiza antecipadamente como MSC e Maersk poderão desfazer a sociedade que mantêm na Brasil Terminal Portuário, a BTP, caso uma delas conquiste o Tecon 10.
Atualmente, os dois grupos dividem o controle da BTP. A APM Terminals, do grupo Maersk, possui 50%, enquanto os outros 50% pertencem à Europe Terminal, controlada pela Terminal Investment Limited, do grupo MSC.
As empresas apresentaram ao Cade duas operações alternativas. Se a Maersk precisar deixar a BTP, a MSC compraria sua participação e passaria a controlar sozinha o terminal. No cenário inverso, a Maersk compraria os 50% pertencentes à MSC.
A execução de uma ou outra operação depende de um dos grupos vencer o futuro leilão do Tecon 10.
A justificativa apresentada pelas empresas é que a eventual conquista do novo terminal poderá exigir que a vencedora se desfaça da participação que já possui na BTP. Por isso, os dois grupos estruturaram antecipadamente uma saída para a sociedade atual.
As operações também dependem de aprovação do Cade e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
A principal preocupação de Thomson é o intervalo entre uma autorização concedida agora e a eventual realização do negócio.
O Tecon 10 ainda não tem edital definitivo. Também não estão definidos o cronograma, as regras finais para participação, as obrigações do futuro vencedor nem a própria configuração final do terminal.
Segundo o conselheiro, uma aprovação sem prazo permitiria que MSC e Maersk utilizassem daqui a alguns anos uma autorização baseada nas condições concorrenciais existentes em 2026, mesmo que o mercado do Porto de Santos estivesse diferente naquele momento.
“A consumação das operações está subordinada a eventos futuros e incertos, sem horizonte temporal definido”, escreveu Thomson.
Para evitar esse problema, ele propõe que uma eventual aprovação tenha prazo de validade. Se o negócio não for realizado dentro desse período, as empresas precisariam voltar ao Cade para uma nova avaliação.
Thomson também quer garantir que a eventual conquista do Tecon 10 por MSC ou Maersk seja analisada previamente pelo órgão antitruste.
Hoje, não é possível afirmar se a futura outorga do terminal estaria automaticamente sujeita à notificação obrigatória ao Cade, porque o modelo jurídico e econômico do leilão ainda não foi definido.
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Siga o Times | CNBCA proposta é, por isso, exigir que qualquer obtenção do direito de exploração do Tecon 10 pelos grupos envolvidos seja submetida previamente ao Conselho, mesmo que a operação futura não alcance os critérios que normalmente obrigariam uma notificação.
O objetivo, segundo Thomson, é permitir que o Cade analise naquele momento como estará estruturada a concorrência no Porto de Santos.
O documento cita como pontos relevantes a integração entre transporte marítimo e terminais portuários, além das relações comerciais que MSC e Maersk podem continuar mantendo entre si mesmo depois de deixarem de dividir a BTP.
O conselheiro ressalta que a proposta não significa uma conclusão de que haverá efeitos anticompetitivos.
“Não se trata, em qualquer dos casos, de antecipar a existência de efeitos anticompetitivos, mas de preservar a possibilidade de sua adequada avaliação”, afirma o despacho.
MSC e Maersk notificaram as duas operações ao Cade em julho.
Em 17 de agosto, a Superintendência-Geral concluiu que os negócios poderiam ser aprovados sem restrições.
A avaliação foi de que os dois grupos já participavam conjuntamente do controle da BTP e que a mudança para o controle exclusivo de uma das empresas não alteraria de forma relevante as condições de concorrência.
Thomson pede que o plenário reveja o caso e acrescente condições à aprovação.
Se a proposta for aceita, as operações só poderão avançar dentro de um prazo a ser definido e qualquer futura conquista do Tecon 10 por uma das partes terá de passar previamente pelo Cade.
A International Container Terminal Services Inc. (ICTSI), operadora portuária que pediu para participar do processo como terceira interessada, questionou os negócios apresentados por MSC e Maersk.
A empresa sustentou ao Cade, entre outros pontos, que as operações deveriam ser analisadas em conjunto com o futuro leilão, que o arranjo poderia reduzir a incerteza competitiva e que a concentração do controle da BTP poderia ampliar riscos ligados à integração entre armadores e terminais portuários.
A ICTSI também pediu a suspensão da análise até a publicação do edital do Tecon 10 e chegou a solicitar a reprovação das operações.
A Superintendência-Geral havia negado a participação da companhia como terceira interessada. Thomson registra, no entanto, que a discussão sobre esse pedido não impede que o próprio Cade leve as operações ao plenário para nova análise.
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