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Casas Bahia: fechamento de lojas expõe desafio de integrar varejo físico e digital
Publicado 28/08/2026 • 21:27 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 28/08/2026 • 21:27 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A crise das Casas Bahia não pode ser explicada apenas pela migração dos consumidores das lojas físicas para o comércio eletrônico, avaliou Paulo Crepaldi, especialista em comportamento do consumidor. Para ele, o problema do varejo está mais na dificuldade de integrar canais e acompanhar a mudança no poder de decisão do cliente.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Crepaldi comentou o cenário após a entrada da Casas Bahia em recuperação judicial, com R$ 17,3 bilhões em dívidas, e o anúncio de fechamento de 298 lojas.
“A primeira reação de todo mundo é a famosa disputa entre a loja física e a loja digital. Todo mundo falando que a loja digital acabou com a loja física. Esse não é o conceito verdadeiro e não é um conceito real”, afirmou.
Segundo ele, o consumidor atual entra na loja já munido de informações, compara valores no próprio celular e espera que a empresa trate o site e o ponto físico como partes da mesma jornada.
“Não significa que a loja ficou inútil. Significa que o poder mudou de lugar”, disse.
Crepaldi afirmou que a loja física continua tendo valor principalmente em três frentes: certeza, posse e troca.
A primeira está ligada à possibilidade de experimentar ou avaliar um produto presencialmente. A segunda envolve levar a compra imediatamente. Já a terceira está relacionada à presença de uma pessoa capaz de resolver problemas.
“A certeza de eu experimentar aquele produto, sentir o sofá confortável, aquele colchão, confirmar o tamanho daquela televisão; a posse, ou seja, sair com o produto agora; e a troca, ter uma pessoa para resolver um problema”, explicou.
Para o especialista, o erro está em avaliar lojas e canais digitais como negócios separados.
“Eu não defendo a loja física por nostalgia. Eu defendo que o varejo pare de medir uma jornada diferente em canais isolados”, afirmou.
Crepaldi citou como exemplo o consumidor que encontra um produto na loja e, diante dele, consulta o preço no próprio site da empresa.
Esse comportamento, segundo o especialista, aumenta a pressão para que preços, condições e atendimento estejam integrados.
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Siga o Times | CNBC“Hoje o consumidor já chega mais informado, compara o preço em tempo real e espera que a empresa reconheça que é uma única jornada”, disse.
Na avaliação dele, empresas que ainda tratam loja física e operação digital como estruturas desconectadas correm o risco de piorar a experiência justamente no momento em que o consumidor tem mais informação e alternativas.
Crepaldi afirmou que outra mudança relevante é a ampliação do conceito de concorrência.
No passado, um varejista observava principalmente empresas do mesmo segmento ou estabelecimentos próximos. Hoje, segundo ele, outros tipos de negócio também disputam o orçamento e a atenção do consumidor.
“A concorrência não está destinada a quem está no teu quarteirão ou à tua loja concorrente da mesma indústria, do mesmo segmento”, afirmou.
Ele citou redes sociais, plataformas digitais e apostas como exemplos de atividades que podem disputar tempo, renda disponível e decisão de compra com o varejo tradicional.
“Outras indústrias e outros segmentos são concorrentes e podem, sim, afetar o seu negócio”, disse.
No caso das Casas Bahia, Crepaldi destacou que o parcelamento historicamente ajudou a construir a relação da marca com consumidores que não conseguiam comprar determinados produtos à vista.
Com a expansão de novas formas de pagamento e de crédito em outras plataformas, essa vantagem ficou menos exclusiva.
“As Casas Bahia facilitavam aquilo para o consumidor. Quando as Casas Bahia perdem isso, porque agora eu consigo parcelar em outros meios de pagamento, em outros sites, ela perde a grande experiência dela”, afirmou.
Segundo o especialista, o desafio do varejo é entender que experiência não se resume a preço ou elementos visuais da loja.
“Às vezes significa experimentar, sair com o produto imediatamente ou conseguir trocar sem sofrimento. A experiência útil é resolução, não é só espetáculo”, disse.
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