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Caso Banco Master é similar ao Cruzeiro do Sul e crise de liquidez era clara, diz diretor do BC
Publicado 30/01/2026 • 10:47 | Atualizado há 9 meses
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Publicado 30/01/2026 • 10:47 | Atualizado há 9 meses
KEY POINTS
Lula Marques/ Agência Brasil
Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central (BC)
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o caso envolvendo o Banco Master apresenta características semelhantes a grandes fraudes já registradas no sistema financeiro brasileiro, como os episódios do banco Cruzeiro do Sul.
Em 2012, o Banco Central interveio no Cruzeiro do Sul após identificar um rombo de R$ 1,3 bilhão e um patrimônio líquido negativo de R$ 150 milhões, resultado da criação de créditos fictícios.
Segundo Aquino, o Banco Central identificou indícios claros de geração massiva de créditos inexistentes, detectados por meio de técnicas avançadas de auditoria. “É muito similar ao caso do Cruzeiro do Sul, que também gerou créditos inexistentes. Aplicando técnicas de auditoria, conseguimos constatar claramente a inexistência dos créditos”, disse.
Leia também: Acareação do Banco Master: Defesa denuncia vazamentos enquanto Banco Central detalha intervenção e falta de liquidez
Ele explicou que, assim como em casos anteriores, foram usados métodos estatísticos, como a Lei de Benford, para identificar padrões artificiais nos valores das operações. “Eram valores repetidos, iguais a outros casos da espécie”, afirmou, ressaltando que o mesmo time técnico que atuou em investigações anteriores participou da análise atual.
Aquino destacou que, no passado, fraudes semelhantes levaram o Banco Central a reforçar regras do Sistema de Informações de Crédito (SCR), reduzindo limites mínimos de registro para dificultar a criação artificial de operações. “É algo que acontece no sistema financeiro, e nós temos que estar preparados”, afirmou.
No depoimento, o diretor de Fiscalização também afirmou que o Banco Master enfrentava uma grave crise de liquidez no período em que negociou carteiras com o BRB. “Não é normal uma instituição financeira não ter liquidez. A crise de liquidez do Master era muito clara”, disse.
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Siga o Times | CNBCSegundo ele, o banco tinha dificuldades até para cumprir o depósito compulsório, obrigação regulatória que exige que instituições financeiras mantenham parte dos recursos retidos no Banco Central. “Há um processo administrativo sancionador em curso pela não cobertura do compulsório”, afirmou.
Para Aquino, há uma contradição entre a falta de liquidez e o volume de créditos negociados. “A pergunta central é: como alguém que não tinha liquidez poderia gerar tanto crédito nessa magnitude para ceder ao BRB? Do ponto de vista lógico, isso acende um alerta”, disse.
Para Aquino, os mecanismos de controle do BRB falharam. “Eu tenho certeza de que a governança do BRB deveria ter identificado a fraude. Não tenho dúvida disso”, afirmou.
Segundo ele, técnicas tradicionais de auditoria e compliance seriam suficientes para verificar a existência real dos créditos. “Aplicando-se técnicas, é possível identificar a existência ou não dos créditos”, disse, apontando falha de governança.
Ele relatou ainda que a área de supervisão do Banco Central questionou repetidamente o BRB por meio de ofícios formais sobre a origem e a consistência das carteiras adquiridas. Apesar disso, parte do acompanhamento dos ativos teria sido feita com base apenas em extratos enviados pelo próprio Banco Master, sem a efetiva internalização das carteiras nos sistemas do BRB.
“Acompanhava-se por documentos encaminhados pelo Banco Master, por extratos impressos”, afirmou, destacando que esse procedimento fragiliza o controle e aumenta o risco de fraude.
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