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Ciências e Saúde

Healthtech brasileira usa I.A. da Nvidia para analisar lesões e identificar câncer de pele em segundos

Publicado 14/07/2026 • 13:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Healthtech Nevo aguarda registro na Anvisa como software médico classe II para uso clínico no Brasil
  • Modelo de IA foi treinado com lesões de pele nos seis fototipos da escala de Fitzpatrick
  • Vínculo com a Nvidia ocorre via programa Inception, sem investimento ou parceria comercial
Healthtech brasileira usa IA da Nvidia para identificar câncer de pele

Divulgação: AI Pathology

Healthtech brasileira usa IA para identificar lesões suspeitas de câncer de pele e aguarda aprovação da Anvisa para uso clínico.

Uma healthtech brasileira desenvolveu uma plataforma de inteligência artificial capaz de identificar lesões suspeitas de câncer de pele a partir de fotos de smartphone. Batizada de Nevo, a ferramenta da AI Pathology utiliza tecnologia da Nvidia para acelerar o processamento das imagens e já soma uma rodada pré-seed liderada pelo family office Enseada.

Segundo a empresa, o sistema analisa uma imagem clínica em menos de 8 segundos, cruzando dados da lesão com informações como localização, histórico médico e características demográficas do paciente. A companhia afirma processar mais de 400 imagens por hora.

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Registro na Anvisa ainda está pendente

A Nevo é classificada como Software como Dispositivo Médico (SaMD) de Classe II, segundo a RDC 657/2022 da Anvisa. Em resposta enviada à reportagem, a AI Pathology informou que a solução segue o mesmo enquadramento regulatório de produtos similares no país e que está em fase final de submissão ao órgão.

🔍 SaMD Sigla em inglês para Software as a Medical Device, categoria que enquadra programas de computador usados com finalidade médica, sujeitos a regras específicas de segurança e eficácia definidas pela Anvisa.

A empresa afirmou que o modelo foi treinado com dezenas de milhares de lesões de pele, contemplando os seis fototipos da escala de Fitzpatrick, parâmetro internacional que classifica tons de pele conforme a reação à exposição solar. Segundo a companhia, essa cobertura é um diferencial diante da diversidade da população brasileira.

Sobre a taxa de acerto do sistema, a AI Pathology declarou índice de acurácia superior a 94% na identificação de lesões suspeitas ou malignas.

A empresa também informou que, entre os casos classificados como urgentes pela plataforma, a sensibilidade foi de 100%, ou seja, todos os pacientes que precisavam de encaminhamento prioritário foram direcionados a especialistas, com a urgência posteriormente confirmada por dermatologistas.

A companhia afirmou que conduz testes clínicos com instituições em diferentes regiões do país e que prepara artigos científicos para publicação. Até o momento, os dados de validação não foram divulgados em estudo revisado por pares.

Vínculo com a Nvidia é via programa gratuito

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Em resposta enviada à reportagem, a Nvidia esclareceu que a relação com a AI Pathology ocorre por meio do NVIDIA Inception, programa global voltado a startups que oferece suporte técnico, capacitação e acesso a recursos de computação, sem envolver investimento financeiro, participação societária ou parceria comercial exclusiva.

De acordo com a Nvidia, o programa está presente em mais de 100 países e já reuniu mais de 30 mil startups participantes. Como integrante da iniciativa, a AI Pathology utiliza tecnologias da companhia, entre elas CUDA, cuDNN, TensorRT, Nvidia Clara e MONAI, para treinar e executar os modelos de inteligência artificial da plataforma.

Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da Nvidia para a América Latina, afirmou que a colaboração contribui para o aprendizado contínuo do modelo e permite que cada decisão gerada pela tecnologia seja visualizada e auditada por profissionais de saúde.

Decisão clínica permanece com o médico

A AI Pathology informou que o sistema não substitui o julgamento do profissional de saúde. Segundo a empresa, a indicação de biópsia e a conduta clínica são sempre definidas pelo dermatologista responsável, cabendo à plataforma apenas priorizar e sinalizar casos com base no risco estimado.

Willian Peter Boelcke, doutor em Oncologia pela FOP/Unicamp e CEO da AI Pathology, é um dos fundadores da empresa ao lado de Lucas Lacerda, doutorando em Estomatopatologia pela mesma instituição.

Empresa reconhece concorrentes internacionais

A AI Pathology informou que reconhece como concorrentes diretos empresas como Legit.Health e SkinVision, entre outras healthtechs do setor de triagem dermatológica assistida por IA.

Segundo a companhia, o diferencial da Nevo está na base de dados própria com cobertura dos seis fototipos de Fitzpatrick e em mecanismos de interpretabilidade que permitem ao médico visualizar e validar cada análise gerada pelo sistema.

Sobre o tratamento de dados dos pacientes, a empresa afirmou seguir política formal de consentimento informado, nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com infraestrutura operada por provedores certificados internacionalmente. A companhia também informou possuir encarregado de proteção de dados formalmente designado.

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