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Com R$ 491,6 milhões em dívidas, Estrela apresenta plano de recuperação judicial com desconto de 90% a credores

Publicado 14/08/2026 • 21:56 | Atualizado há 35 minutos

KEY POINTS

  • Plano prevê deságio de 90% para credores quirografários e micro e pequenas empresas, com pagamentos iniciados após carência de 22 meses.
  • Grupo Estrela lista R$ 109,3 milhões em créditos sujeitos à recuperação judicial e outros R$ 382,3 milhões em dívidas fiscais, que serão tratados separadamente.
  • Companhia projeta faturamento bruto acumulado de R$ 3,42 bilhões em 15 anos e admite a venda de unidades produtivas isoladas para reforçar o caixa.
Estrela

Foto: reprodução/internet

O que muda para a Estrela após a proteção judicial?

O Grupo Estrela apresentou nesta sexta-feira (14) seu plano de recuperação judicial, com proposta de desconto de 90% para parte dos credores e prazo de pagamento que pode chegar a 15 anos.

O documento foi protocolado na 1ª Vara Cível da Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais, onde tramita a recuperação de oito empresas do grupo, entre elas Manufatura de Brinquedos Estrela S.A., Estrela Distribuidora de Brinquedos, Editora Estrela Cultural, Brinquemolde e JM Comércio e Indústria de Plásticos.

Segundo a relação apresentada no processo, os créditos sujeitos à recuperação judicial somam R$ 109,3 milhões. O valor reúne obrigações trabalhistas, dívidas quirografárias e créditos de micro e pequenas empresas.

Separadamente, o grupo informa um passivo fiscal de R$ 382,2 milhões. Essas dívidas não entram nas mesmas condições propostas aos credores concursais e deverão ser equacionadas por mecanismos de transação tributária e pela manutenção de parcelamentos já existentes.

O pedido de recuperação judicial havia sido protocolado em 20 de maio. O processamento foi deferido em junho, e o plano foi apresentado dentro do período previsto para essa etapa do processo.

Leia também: Fabricante de brinquedos Estrela pede recuperação judicial após pressão financeira

Credores comuns teriam desconto de 90%

A proposta estabelece condições diferentes para cada classe de credores.

Os créditos trabalhistas deverão ser pagos integralmente até o limite de 150 salários mínimos por credor, observados os prazos previstos na legislação de recuperação judicial. Valores que ultrapassarem esse teto passarão a seguir as condições aplicáveis aos quirografários.

Para os credores da Classe III, que não possuem garantia real sobre os valores a receber, o grupo propõe deságio de 90%. O pagamento previsto corresponde a 10% do crédito original.

A mesma condição foi apresentada aos credores enquadrados como microempresas e empresas de pequeno porte, integrantes da Classe IV.

O plano prevê carência de 22 meses contados da homologação e quitação ao longo de um período que pode se estender até o 15º ano.

Atualmente não existem credores classificados na Classe II, formada por créditos com garantia real. Caso créditos dessa natureza sejam reconhecidos posteriormente, a proposta é aplicar também deságio de 90%, carência de 22 meses e pagamento até o 15º ano.

Fornecedor que continuar com a Estrela poderá receber sem desconto

O plano cria uma condição alternativa para fornecedores e instituições financeiras dispostos a continuar fazendo negócios com o grupo durante a recuperação.

Esses credores poderão aderir ao mecanismo chamado de amortização acelerada, que prevê o pagamento dos créditos originais sem deságio à medida que novas operações forem realizadas.

Pela proposta, parte do valor de novos pedidos ou operações será destinada à amortização da dívida anterior. Os percentuais variam de 1,5% a 5%, conforme as condições de faturamento, que podem ser à vista ou em prazos de 30, 60 ou 90 dias.

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O mecanismo procura preservar fornecedores e fontes de financiamento considerados necessários para a continuidade das atividades enquanto o grupo reestrutura suas obrigações.

Estrela projeta R$ 3,42 bilhões em faturamento em 15 anos

Para demonstrar a capacidade de cumprir o plano, o Grupo Estrela apresentou projeções financeiras para os próximos 15 anos.

O faturamento bruto previsto começa em R$ 183,9 milhões no primeiro ano e chega a R$ 278,3 milhões no 15º. No período completo, a projeção soma R$ 3,42 bilhões.

A receita líquida acumulada é estimada em R$ 2,89 bilhões, enquanto o resultado operacional projetado para os 15 anos alcança R$ 332,9 milhões.

O plano trabalha ainda com geração de caixa positiva durante todo o período. A estimativa parte de R$ 9,1 milhões anuais e chega a R$ 22,1 milhões.

As projeções fazem parte das premissas apresentadas pelo grupo para sustentar a viabilidade econômica da recuperação. Seu cumprimento dependerá do desempenho efetivo da operação ao longo dos próximos anos.

Venda de ativos também está no plano

Outra alternativa prevista é a constituição e posterior alienação de Unidades Produtivas Isoladas, as chamadas UPIs.

Esse mecanismo permite separar determinados ativos ou conjuntos de ativos da estrutura das empresas em recuperação e colocá-los à venda por meio de processo competitivo, incluindo leilão ou apresentação de propostas fechadas.

O plano prevê que os recursos obtidos com eventuais alienações sejam utilizados para sustentar as atividades do grupo e seu processo de reestruturação.

A possibilidade de venda não significa, por enquanto, que algum ativo específico tenha sido colocado à venda. O documento estabelece o instrumento como uma das alternativas que poderão ser utilizadas durante a recuperação.

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Grupo atribui crise a problemas acumulados desde os anos 1990

No plano, a Estrela afirma que a deterioração financeira não decorreu de um único episódio.

As empresas apontam uma combinação de fatores que, segundo elas, afetou a indústria brasileira de brinquedos ao longo das últimas décadas, entre eles a abertura comercial a partir dos anos 1990, a concorrência com importados de menor custo, informalidade e contrabando, carga tributária e custo do crédito.

Mais recentemente, o grupo afirma ter sido afetado também pela transformação no consumo infantil, com maior presença de plataformas digitais, jogos eletrônicos e outras formas de entretenimento.

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