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Combustíveis

Recém-chegada, E32 já dá lugar à discussão sobre versão hipertrofiada, a E35

Publicado 21/07/2026 • 09:45 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • E32 entra em vigor com validade de 180 dias aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética.
  • Subcomitê do MME testa desde 2025 viabilidade técnica do E35, mistura de até 35% de etanol anidro.
  • Testes de durabilidade de longo prazo ainda não foram realizados para misturas acima de 30%.
e35 O que é a gasolina E32 e por que ela pode elevar o consumo de etanol no Brasil

Foto: unsplash

O que é a gasolina E32 e por que ela pode elevar o consumo de etanol no Brasil

A gasolina E32 chegou aos postos há poucos dias e o debate já avança para sua versão hipertrofiada, a E35. Enquanto a mistura de 32% de etanol anidro na gasolina entra em vigor em agosto, o Ministério de Minas e Energia segue estruturando os testes técnicos que vão avaliar a viabilidade de elevar o teor para até 35%.

A diferença entre as duas etapas é de escala, mas também de método. A E32 teve validade imediata de 180 dias, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão responsável por fixar o percentual de etanol anidro na gasolina desde 2022.

Já a E35 segue em fase de avaliação, sem data de decisão anunciada pelo governo, dependendo dos relatórios técnicos que o subcomitê responsável vem produzindo desde outubro de 2025.

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Lei prevê teto de 35% desde 2024

A base legal do processo está na Lei nº 14.993, de 8 de outubro de 2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro. O artigo 9º fixou em 27% o percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina e deu ao Poder Executivo a prerrogativa de elevar esse teor até o limite de 35%, desde que constatada a viabilidade técnica, ou reduzi-lo a 22%.

Antes da nova lei, a faixa permitida ia de 18% a 27,5%. Passados dois anos da sanção, o país já percorreu duas etapas dessa escala, primeiro a E30, em agosto de 2025, depois a E32, agora em agosto de 2026. O teto de 35% segue como horizonte declarado pelo governo, mas ainda sem prazo formal para deliberação.

Subcomitê técnico assume os testes do E35

Em outubro de 2025, o Ministério de Minas e Energia formalizou a criação do Subcomitê de Avaliação da Viabilidade Técnica de Misturas de Altos Teores de Biocombustíveis, vinculado ao Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro (CTP-CF). A instância reúne governo, setor privado e universidades.

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O CTP-CF foi a estrutura criada para coordenar toda a regulamentação da Lei do Combustível do Futuro, incluindo os testes de misturas em percentuais superiores aos vigentes. Conforme apresentação do diretor do Departamento de Biocombustíveis do ministério, Marlon Arraes, em painel realizado em março, o subcomitê é responsável por coordenar os ensaios e consolidar os relatórios que podem embasar eventual deliberação sobre novos percentuais de mistura.

Ensaios miram motores, octanagem e emissões

Segundo o ministério, os testes do E35 preveem uma bateria de ensaios físico-químicos, como estabilidade do combustível, pressão de vapor e corrosividade, além de testes mecânicos em motores de diferentes tecnologias. Parte das análises conta com apoio do programa Política com Ciência, financiado pelo CNPq.

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas também integra a rede responsável pelos estudos, com participação no monitoramento da qualidade dos combustíveis testados. O projeto tem vigência prevista até dezembro de 2027, segundo informações do próprio instituto.

O ministério já havia defendido publicamente, em outubro de 2024, os ganhos ambientais esperados com a mudança. Na ocasião, o secretário Pietro Mendes afirmou que a elevação para 35% poderia evitar a emissão de cerca de 55 milhões de toneladas de CO2 até 2037.

Testes de durabilidade seguem como lacuna

Os ensaios conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia para validar a E30, usados também como referência para a E32, avaliaram dirigibilidade, partida a frio, consumo e emissões. Até o momento, essas avaliações não incluíram uma etapa específica de testes de durabilidade de longo prazo, capaz de simular o desgaste de motores e componentes ao longo de anos de uso.

O colunista Eduardo Sodré, da Folha de S.Paulo, apontou essa lacuna e afirmou que uma nova fase de testes deve começar em setembro, com foco justamente na durabilidade de veículos mais antigos, motos não flex e importados. O governo, até a publicação desta reportagem, não confirmou oficialmente essa data.

Essa lacuna é relevante para veículos movidos exclusivamente a gasolina, motocicletas não flex e importados que ainda dependem de misturas com menor teor de etanol. A expectativa é que os próximos ensaios do subcomitê técnico incorporem essa dimensão antes de qualquer deliberação do CNPE sobre o novo percentual.

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