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Como a família Fares construiu o patrimônio por trás da Marabraz
Publicado 25/08/2026 • 19:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 25/08/2026 • 19:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Divulgação
Como a família Fares construiu o patrimônio por trás da Marabraz
A trajetória da Marabraz está ligada à família Fares há mais de seis décadas. O negócio começou em 1965, quando o imigrante libanês Abdul Hamid Mohamad Fares abriu a Credi-Fares, na Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo.
Desde então, a família expandiu as atividades no varejo e também criou uma estrutura própria para administrar parte dos bens acumulados ao longo dos anos.
Hoje, esse patrimônio está no centro de uma disputa entre diferentes gerações da família, enquanto a Marabraz tenta reorganizar uma dívida de R$ 140,188 milhões por meio de recuperação judicial.
Leia também: Quem é o dono da Marabraz? Conheça a família por trás da varejista
Após a morte de Abdul, em 1978, os filhos Nasser e Jamel Fares assumiram os negócios. O passo decisivo para a formação da marca atual ocorreu em 1986, quando a família adquiriu a Lojas Marabraz.
A partir daí, a empresa ampliou sua presença no varejo de móveis e eletrodomésticos e chegou a ter 135 lojas no estado de São Paulo. Paralelamente ao crescimento da operação, os integrantes da família organizaram uma estrutura para administrar parte do patrimônio acumulado.
Em 2006, surgiu a LP Administradora de Bens, holding que passou a concentrar imóveis da família e dividendos recebidos das Lojas Marabraz. Entre os ativos estavam imóveis comerciais e centros de distribuição, segundo as informações apresentadas nos documentos e reportagens sobre o caso.
A estrutura societária da holding mudou em 2011. Naquele ano, Nasser e Jamel transferiram suas participações na LP para os filhos. Nasser passou sua participação para a filha Najla. Já Jamel transferiu suas cotas para Karine, Sumaya e Abdul. Outro irmão, Adiel, também havia repassado sua participação para os filhos Nader e Raquel.
Com essas mudanças, integrantes da terceira geração passaram a participar da estrutura societária da empresa responsável pela administração dos bens. Posteriormente, Nasser e Jamel recorreram à Justiça para tentar recuperar o controle da holding.
A briga familiar ganhou relevância para a situação financeira da Marabraz porque os imóveis vinculados à holding podiam servir como garantias em determinadas operações de crédito.
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Siga o Times | CNBCSegundo a Marabraz, mudanças nessa estrutura reduziram a disponibilidade dessas garantias e dificultaram a obtenção de financiamento. A companhia afirma que bancos passaram a reduzir limites, exigir novos ativos, elevar custos ou deixar de renovar algumas linhas de crédito.
Os herdeiros, entretanto, contestam essa relação. A defesa sustenta que a LP possui patrimônio, administração e responsabilidades próprios e não participa da gestão da Marabraz. Portanto, a ligação entre a holding e a crise financeira permanece como um dos principais pontos de divergência entre os familiares.
A disputa pelo controle da LP ainda não terminou. Em dezembro de 2024, uma decisão de primeira instância determinou a retomada do controle da holding por Nasser e Jamel.
Meses depois, em abril de 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu a liminar e manteve os herdeiros na administração da empresa enquanto o recurso segue em análise. As partes apresentam versões diferentes sobre a transferência das cotas e sobre a finalidade da operação.
A ação também inclui alegações feitas por integrantes da família sobre retiradas milionárias e padrão de vida dos herdeiros. Entre os exemplos citados no processo está um anel avaliado em cerca de R$ 6 milhões, dado por Abdul Fares à atriz Marina Ruy Barbosa. Essas afirmações fazem parte da disputa judicial e não representam, por si só, uma conclusão da Justiça sobre irregularidades.
Leia também: Marabraz: holding de imóveis da família Fares vira alvo de disputa judicial
Enquanto a família discute a administração do patrimônio, cinco empresas ligadas à operação da Marabraz entraram com pedido de recuperação judicial em 15 de agosto de 2026, na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
O processo envolve R$ 140,188 milhões em dívidas sujeitas à recuperação. A empresa aponta dificuldades de liquidez, restrições ao crédito e juros elevados entre os fatores que pressionaram o caixa.
Assim, o patrimônio acumulado pela família Fares ao longo de décadas passou a ter papel importante na crise atual. De um lado, a Marabraz tenta preservar a operação e renegociar as dívidas. De outro, a Justiça ainda precisa definir os desdobramentos da disputa pelo controle da holding que administra parte dos bens da família.
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