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Marabraz: entenda a crise financeira em 5 pontos

Publicado 22/08/2026 • 12:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Durante anos, a estrutura financeira da Marabraz contou com imóveis comerciais, centros de distribuição e outros bens vinculados ao patrimônio da família Fares.
  • Esses ativos não estavam necessariamente registrados nas empresas que administravam as lojas, mas podiam ser utilizados para dar segurança às operações de crédito.
  • A situação mudou com o agravamento de uma disputa familiar e societária envolvendo a holding patrimonial da família.
Marabraz

Foto: reprodução

Marabraz: entenda a crise financeira em 5 pontos

A Marabraz entrou com pedido de recuperação judicial no dia 15 de agosto, na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, após enfrentar dificuldades para manter o acesso ao crédito usado no funcionamento das lojas.

O processo envolve cinco empresas e uma dívida de R$ 140,188 milhões. Segundo os documentos apresentados à Justiça, a crise ganhou força depois de mudanças na estrutura patrimonial ligada à família controladora, que por anos ajudou a sustentar operações financeiras do grupo.

A empresa afirma que continuava operando, mas passou a ter problemas de liquidez com a redução de limites bancários, a exigência de novas garantias e a dificuldade para renovar algumas linhas de financiamento. O cenário foi agravado pelo custo elevado do crédito e por disputas familiares envolvendo parte do patrimônio usado como garantia.

Leia também: Por que os bancos reduziram o crédito da Marabraz?

1. Marabraz perdeu parte das garantias usadas para obter crédito

Durante anos, a estrutura financeira da Marabraz contou com imóveis comerciais, centros de distribuição e outros bens vinculados ao patrimônio da família Fares. Esses ativos não estavam necessariamente registrados nas empresas que administravam as lojas, mas podiam ser utilizados para dar segurança às operações de crédito.

A situação mudou com o agravamento de uma disputa familiar e societária envolvendo a holding patrimonial da família.

Segundo a Marabraz, a alteração dessa estrutura reduziu a disponibilidade das garantias que ajudavam o grupo a negociar financiamentos com os bancos. Com menos ativos disponíveis para respaldar as operações, as instituições financeiras passaram a rever as condições oferecidas à empresa.

Leia também: Quem é o dono da Marabraz? Conheça a família por trás da varejista

2. Bancos reduziram limites e passaram a exigir mais garantias

A mudança não significou apenas uma dificuldade para conseguir novos empréstimos. De acordo com a documentação entregue à Justiça, algumas instituições financeiras reduziram os limites disponíveis para a Marabraz.

Também houve exigência de novas garantias e aumento dos custos de determinadas operações. Em alguns casos, linhas de crédito que eram utilizadas pela empresa deixaram de ser renovadas.

Para uma companhia do varejo, esse movimento pode ter impacto direto no caixa. A operação depende de recursos para manter estoques, pagar fornecedores, funcionários e outras despesas que continuam mesmo quando a empresa está vendendo.

Leia também: EXCLUSIVO: Marabraz pede recuperação judicial para reestruturar dívidas de R$ 140 milhões

A redução do crédito, portanto, apertou a margem financeira da Marabraz em um momento em que a companhia precisava preservar liquidez.

3. Crise ocorreu mesmo com as lojas funcionando

A situação financeira da Marabraz não significa que a empresa tenha deixado de operar ou que suas lojas tenham parado de vender.

A própria companhia afirma que o negócio continuava funcionando e que o principal problema estava na capacidade de obter recursos para cumprir seus compromissos financeiros.

Essa diferença é importante para entender o pedido de recuperação judicial. Uma empresa pode manter suas atividades comerciais e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades para pagar suas obrigações no prazo.

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No caso da Marabraz, a falta de liquidez se tornou mais preocupante com a diminuição das alternativas de financiamento.

4. Juros altos aumentaram a pressão sobre o caixa

A dificuldade de acesso ao crédito ocorreu em um ambiente de juros elevados. Com a Selic em 14%, novas operações financeiras ficaram mais caras para empresas que precisavam buscar recursos no mercado.

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Esse cenário aumentou a pressão sobre o caixa da varejista. Além de encontrar mais obstáculos para obter crédito, a empresa passou a enfrentar um custo maior caso conseguisse contratar novas linhas.

O problema também aparece em um setor que depende bastante de vendas parceladas. Juros elevados podem reduzir a disposição dos consumidores para assumir financiamentos e compromissos de longo prazo.

Leia também: Disputa na família Marabraz: justiça mantém herdeiros no controle da holding de R$ 5 bilhões

Segundo avaliação citada no processo, o segmento de atuação da Marabraz apresentou crescimento nos últimos 12 meses. Isso reforça que a crise da empresa não pode ser explicada apenas por uma queda nas vendas.

O ponto central foi a combinação entre liquidez limitada, crédito mais restrito e custo elevado do dinheiro.

5. A recuperação judicial tenta reorganizar uma dívida de R$ 140 milhões

O pedido apresentado em agosto reúne cinco empresas ligadas à operação da Marabraz. Fazem parte do processo a Comercial de Móveis Jordanésia, a S.V.C. Jaraguá Comercial, a Comercial Móveis das Nações, a Comercial Zena Móveis e a Monta Móveis Prestadora de Serviços. Juntas, as empresas informaram uma dívida de R$ 140,188 milhões sujeita à recuperação judicial.

O processo também menciona mais de mil reclamações trabalhistas envolvendo as sociedades. A companhia busca proteção contra cobranças e bloqueios enquanto negocia uma solução com os credores.

Leia também: Marabraz diz que manterá operação, empregos e que recuperação judicial servirá para reestruturar empresa

Entre os pedidos está a manutenção de serviços essenciais para as lojas, como energia elétrica, água, telefonia, tecnologia e processamento de pagamentos.

O papel da família Fares na crise

A história da Marabraz está ligada à família Fares desde 1965, quando Abdul Hamid Mohamad Fares criou a Credi-Fares em São Paulo. Após sua morte, os filhos assumiram o negócio e, em 1986, a família adquiriu a marca Lojas Marabraz.

Ao longo dos anos, o grupo construiu uma estrutura patrimonial separada das empresas que administravam as lojas. A holding LP Administradora de Bens passou a concentrar parte dos imóveis da família. É justamente essa estrutura que ganhou importância no processo de recuperação judicial.

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A Marabraz afirma que os imóveis ajudavam a sustentar operações de crédito. Os atuais administradores da holding, porém, contestam essa interpretação e defendem que a empresa possui patrimônio, administração e responsabilidades próprias. A disputa sobre a holding ainda tramita na Justiça.

O que acontece agora com a Marabraz?

A recuperação judicial não significa o fechamento imediato das lojas. O objetivo do processo é permitir que as empresas reorganizem suas dívidas e negociem com os credores enquanto tentam preservar as atividades.

A Marabraz informou que pretende manter as unidades abertas e preservar os empregos. O caso mostra como a estrutura de garantias pode ser decisiva para uma empresa que depende de crédito para financiar o capital de giro. No caso da varejista, a perda dessas garantias ocorreu em meio a uma disputa familiar e coincidiu com um período de juros elevados.

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A combinação desses fatores reduziu o espaço financeiro da companhia e aumentou a pressão sobre o caixa. A recuperação judicial surge agora como uma tentativa de reorganizar as dívidas e manter a operação enquanto a Marabraz busca uma nova estrutura financeira.

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