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Por que os bancos reduziram o crédito da Marabraz?
Publicado 18/08/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 18/08/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Reprodução/Redes sociais
Por que os bancos reduziram o crédito da Marabraz?
O grupo responsável pelas Lojas Marabraz entrou com pedido de recuperação judicial no sábado (15), na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, para reorganizar um passivo de R$ 140,188 milhões.
Segundo a petição apresentada à Justiça, a dificuldade financeira foi agravada pela perda de uma estrutura de garantias que, durante anos, ajudou as empresas a obter crédito junto aos bancos.
Com a ruptura dessa estrutura, instituições financeiras passaram a reduzir limites, exigir novas garantias e encarecer ou não renovar algumas linhas usadas para financiar o capital de giro da operação.
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De acordo com a documentação apresentada pela Marabraz, parte relevante do acesso ao crédito era sustentada por uma estrutura patrimonial ligada à família controladora.
Imóveis comerciais, centros de distribuição e outros ativos estavam registrados em uma holding patrimonial e não diretamente nas empresas responsáveis pelas lojas. Mesmo assim, esses bens eram utilizados como garantia ou reforço em operações financeiras.
A petição afirma que essa estrutura funcionou durante décadas como um elemento de apoio para a obtenção de recursos. A situação teria mudado depois do agravamento de disputas familiares e societárias envolvendo o grupo.
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Com a ruptura dessa estrutura, os bancos passaram a reavaliar as condições das operações de crédito. Segundo a empresa, houve redução de limites, exigência de novas garantias e aumento dos custos para algumas operações.
Em determinados casos, ainda conforme o pedido de recuperação judicial, instituições financeiras deixaram de renovar linhas de crédito consideradas necessárias para o capital de giro.
As garantias servem para reduzir o risco assumido pelas instituições financeiras em uma operação de crédito. Quando uma empresa oferece ativos como respaldo para uma dívida, o banco passa a ter uma proteção adicional caso o empréstimo não seja pago.
No caso da Marabraz, os ativos usados como garantia não estavam necessariamente registrados nas empresas que operavam as lojas. Eles pertenciam a uma estrutura patrimonial ligada à família controladora.
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Segundo a petição, essa organização permitia que o grupo tivesse acesso a financiamentos compatíveis com o tamanho de sua operação.
A mudança nessa estrutura teria alterado a avaliação feita pelos credores sobre as empresas operacionais. Sem a mesma disponibilidade de garantias, as condições para obtenção de recursos ficaram mais restritivas.
A Marabraz afirma que o problema enfrentado pelo grupo é principalmente financeiro e relacionado à liquidez.
Isso significa que, segundo a própria empresa, a dificuldade não estaria na falta de atividade comercial das lojas, mas na capacidade de obter recursos para cumprir compromissos e manter o funcionamento da operação.
No varejo, o capital de giro é utilizado para financiar despesas e compromissos do dia a dia, como pagamento de fornecedores, funcionários e outros custos necessários à manutenção das lojas.
A redução das linhas de crédito, portanto, teria diminuído a margem financeira disponível para a operação.
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A petição sustenta que a Marabraz continuava com sua estrutura operacional e mantinha relevância no mercado, mas passou a enfrentar dificuldades para acessar recursos nas condições anteriormente disponíveis.
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Siga o Times | CNBCO pedido de recuperação judicial envolve cinco empresas ligadas ao grupo. São elas Comercial de Móveis Jordanésia, S.V.C. Jaraguá Comercial, Comercial Móveis das Nações, Comercial Zena Móveis e Monta Móveis Prestadora de Serviços.
Juntas, as empresas informaram à Justiça um passivo de R$ 140,188 milhões. A Marabraz afirma que as sociedades possuem controle comum e composição societária formada, em sua quase totalidade, pelos mesmos sócios.
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A petição também menciona mais de mil reclamações trabalhistas envolvendo mais de uma das empresas. Esse cenário foi utilizado pelos advogados para justificar a apresentação conjunta do pedido de recuperação judicial.
A relação entre a estrutura patrimonial da família e o acesso ao crédito também aparece no contexto de disputas societárias envolvendo o grupo.
Segundo a petição, a separação entre os ativos patrimoniais e as empresas operacionais perdeu parte de sua função como mecanismo de apoio às operações financeiras depois do rompimento dessa estrutura.
A empresa relaciona esse processo à deterioração das condições de financiamento, mas o pedido de recuperação judicial não atribui a crise à paralisação da atividade comercial das lojas.
Entre os pedidos feitos à Justiça está a manutenção de serviços considerados essenciais para o funcionamento das unidades.
A empresa solicita proteção para serviços como energia elétrica, água, telefonia, sistemas de tecnologia e processamento de pagamentos com cartões.
Também pediu medidas para impedir bloqueios de recursos e a suspensão de cobranças judiciais e extrajudiciais durante o período previsto pela recuperação judicial.
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A intenção é preservar a operação enquanto o grupo negocia a reorganização das dívidas com os credores.
Em nota enviada ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a Marabraz confirmou o pedido de recuperação judicial e afirmou que a medida busca reorganizar seus compromissos financeiros e criar condições para a continuidade dos negócios.
A empresa informou que as lojas permanecerão abertas e que a preservação dos empregos está entre as prioridades do processo. A Marabraz também afirmou que pretende manter as relações com clientes, fornecedores e parceiros enquanto avança na reestruturação financeira.
O pedido apresentado à Justiça não significa, por si só, que as lojas serão fechadas. A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação para permitir que empresas em dificuldade financeira reorganizem suas dívidas e negociem com os credores enquanto mantêm suas atividades.
O ponto central apresentado pela companhia à Justiça é que a deterioração das condições de crédito ocorreu após a ruptura da estrutura patrimonial que, durante anos, ajudou a garantir as operações financeiras do grupo.
Leia também: Marabraz diz que manterá operação, empregos e que recuperação judicial servirá para reestruturar empresa
No caso da Marabraz, a própria empresa afirma que a operação continua estruturada e que o objetivo do processo é justamente preservar o funcionamento do negócio enquanto as obrigações financeiras são reorganizadas.
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