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Credores da Braskem pressionam Petrobras e IG4 por aporte de capital

Publicado 20/09/2026 • 17:00 | Atualizado há 26 minutos

KEY POINTS

  • Braskem tenta reestruturar cerca de US$ 11 bilhões em dívidas, mas detentores de títulos consideram insuficientes os termos apresentados pela companhia.
  • Credores cobram um compromisso executável de aporte dos acionistas, e alguns sinalizam que não haverá acordo sem entrada de capital novo.
  • Distância entre as partes voltou a colocar uma eventual recuperação judicial no radar.
Braskem

As negociações para reestruturar a dívida da Braskem entraram em uma fase mais delicada. Credores da petroquímica resistem à proposta apresentada pela companhia e aumentaram a pressão sobre Petrobras e IG4 Capital Group, controladores da empresa, para que assumam um compromisso concreto de injeção de recursos.

A tensão aumentou depois que os acionistas suavizaram, nas discussões mais recentes, a linguagem relacionada a um eventual aporte de capital. As informações foram reveladas pela Bloomberg News, que conversou com pessoas a par das negociações.

A Braskem busca reorganizar aproximadamente US$ 11 bilhões em dívidas. Desse total, cerca de US$ 7 bilhões correspondem a títulos internacionais detidos por investidores globais.

Leia também: Braskem entra na reta final de processo para aprovar 1ª fábrica de eteno verde na Ásia

Proposta prevê US$ 2 bilhões em recursos novos

Na versão mais recente do plano, apresentada no fim de agosto, os credores forneceriam cerca de US$ 2 bilhões em novos recursos.

A estrutura prevê aproximadamente US$ 1,25 bilhão para uma operação de recompra de dívida, com possibilidade de aquisição dos papéis por até 50% do valor de face. Outros US$ 750 milhões seriam destinados ao capital de giro da companhia.

Os termos representam uma mudança em relação às conversas iniciais, que não previam desconto sobre o valor da dívida.

Ao mesmo tempo, parte dos credores passou a exigir que os acionistas assumam um compromisso efetivo de capitalização. Alguns deixaram claro que não pretendem apoiar a reestruturação sem a participação financeira dos controladores.

Petrobras tenta evitar recuperação judicial

A Petrobras tem aumentado sua participação nas negociações e busca evitar que a Braskem entre em recuperação judicial.

Até agora, porém, a estatal não teria se mostrado disposta a oferecer o tipo de compromisso de aporte que os credores estão exigindo.

Alguns investidores avaliam inclusive não apresentar contraproposta caso não haja avanço na questão do capital dos acionistas. Com isso, a hipótese de uma recuperação judicial voltou a ganhar força nas discussões.

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Braskem, IG4 e Petrobras não comentaram as informações.

Prazos apertam negociação

As partes têm até 9 de outubro para tentar definir os termos básicos de um eventual acordo. O prazo antecede uma fase decisiva do calendário político brasileiro e pode influenciar a continuidade das tratativas.

A companhia ainda tem até o fim de novembro para apresentar um plano definitivo apoiado por mais da metade de seus credores e, assim, tentar evitar uma recuperação judicial.

A Braskem já havia recorrido a uma medida cautelar em junho para ganhar tempo enquanto buscava adesão suficiente a uma solução extrajudicial.

Em agosto, a empresa passou a figurar entre as grandes companhias brasileiras obrigadas a reorganizar suas dívidas após atrasos no cumprimento de obrigações financeiras.

Leia também: Como a Petrobras ajudou a Braskem na recuperação extrajudicial

Pressão financeira vem de anos de dificuldades

A situação financeira da Braskem se deteriorou após anos de pressão sobre o caixa, que incluem os custos relacionados ao desastre ambiental provocado pela mineração de sal-gema em Alagoas e um período prolongado de preços baixos no setor petroquímico.

Tentativas anteriores da Novonor de vender sua participação de controle na companhia também não avançaram.

O plano de reestruturação chegou a prever a possibilidade de entrada de novo capital após um chamado “Período de Alívio”, por meio do qual a empresa buscaria reorganizar operações e reforçar liquidez.

Uma das alternativas discutidas seria uma oferta pública de ações sem direito a voto.

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