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Bancos acusam Ambipar de priorizar credores externos em plano de recuperação e audiência nos EUA é adiada para julho

Publicado 22/06/2026 • 23:07 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Audiência nos EUA que analisaria o pedido de Bradesco, Banco do Brasil, Sumitomo Mitsui e Caixa foi remarcada para 24 de julho.
  • Credores brasileiros contestam plano da Ambipar por entenderem que a proposta favorece bondholders em detrimento de bancos e debenturistas locais.
  • Grupo tem passivo estimado em R$ 10,5 bilhões e acumula três resultados pendentes de divulgação, além de inquérito aberto pela CVM.
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em edição Ambipar: empresas em recuperação judicial podem manter patrocínios milionários?

A Justiça dos Estados Unidos remarcou para 24 de julho a audiência que analisaria o pedido de um grupo de bancos e credores para ingressar no processo de recuperação judicial da Ambipar que tramita no país no âmbito do Chapter 11. A sessão estava prevista para esta segunda-feira (22).

O adiamento prolonga a incerteza sobre um dos capítulos mais delicados de uma das maiores reestruturações corporativas em andamento no país. Bradesco, Banco do Brasil e Sumitomo Mitsui haviam acionado a Corte americana para contestar o plano de reestruturação desenhado pela Ambipar, que, segundo eles, favorece os detentores de títulos de dívida emitidos no exterior (os chamados bondholders) em detrimento dos credores brasileiros.

A Caixa Econômica Federal também ingressou com pedido semelhante, mas como detentora de debêntures do grupo, que somam R$ 1,75 bilhão de um total de R$ 3 bilhões emitidos pela companhia.

O BTG Pactual também solicitou ingresso no grupo de credores financeiros do processo americano.

Leia também: O contraste da Ambipar: dívida bilionária, disputa judicial e marca na Ferrari

A disputa por dentro

A briga nos tribunais americanos reflete uma fratura na recuperação judicial da Ambipar. A empresa entrou em recuperação judicial no Brasil em outubro de 2025, com passivo estimado em cerca de R$ 10,5 bilhões.

A distribuição desse passivo explica a assimetria que motivou a reação dos bancos: os bondholders respondem pela maior fatia, estimada em R$ 5,4 bilhões; os debenturistas somam aproximadamente R$ 3 bilhões; e os bancos credores, cerca de R$ 2 bilhões.

Como os bondholders concentram mais da metade do passivo, têm peso determinante na aprovação do plano de reestruturação. O plano negociado pela Ambipar com esse grupo prevê a transferência de subsidiárias americanas aos credores externos em troca da liquidação de parte das obrigações financeiras.

Entre os ativos citados no plano está a Ambipar Response, uma das principais operações internacionais do grupo.

Os bancos brasileiros argumentam que a Ambipar descumpriu a legislação americana ao não comunicá-los sobre a abertura do processo nos Estados Unidos e sobre o prazo para ingresso, que venceu em 18 de fevereiro. Por isso, pediram à Corte que aceite a participação tardia no Chapter 11, o que lhes garantiria direito de votar no plano e participar da distribuição dos ativos. 

O BTG Pactual já teria comprado R$ 1 bilhão em bonds e no mercado de dívida local, afirmaram as fontes ao Estadão Broadcast, somando um total de R$1,2 bilhão. Já a Caixa foi uma das principais compradoras de duas emissões de debêntures feitas pelo grupo Ambipar, em 2022 e 2024, que somam R$ 1,75 bilhão, de um total de R$ 3 bilhões.

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Uma questão mais ampla

Com o adiamento para 24 de julho, os credores brasileiros seguem sem poder participar formalmente das decisões no processo americano. O desfecho da audiência pode redefinir o equilíbrio de poder nas negociações e os percentuais de recuperação dos créditos de cada classe.

A Ambipar acumula três resultados pendentes de divulgação — terceiro trimestre de 2025, quarto trimestre de 2025 e primeiro trimestre de 2026 — e é alvo de inquérito administrativo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aberto em maio de 2025 para apurar indícios de infrações em operações nos mercados à vista e de derivativos envolvendo ações da própria companhia.

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