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Energia

Mercado de petróleo não se normalizará antes de 2027 se crise em Ormuz persistir, diz CEO da Saudi Aramco

Publicado 11/05/2026 • 19:41 | Atualizado há 2 dias

KEY POINTS

  • CEO da Saudi Aramco afirmou que reequilíbrio do mercado pode levar até 2027 se bloqueio em Ormuz continuar.
  • Fechamento do estreito já provocou perda líquida de cerca de 880 milhões de barris, segundo a companhia.
  • Executivo disse que apenas de dois a cinco navios cruzam Ormuz diariamente, ante 70 antes da guerra.

O mercado de petróleo levará até 2027 para se normalizar se a interrupção no Estreito de Ormuz persistir além da metade de junho, alertou nesta segunda-feira o CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser.

“Se o Estreito de Ormuz abrir hoje, ainda levará meses para o mercado se reequilibrar, e se a abertura for adiada por mais algumas semanas, então a normalização se estenderá até 2027”, disse Nasser durante teleconferência de resultados do primeiro trimestre da companhia.

Frota desorganizada

Os Estados Unidos e o Irã não parecem mais próximos de um acordo para encerrar a guerra e reabrir Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que o cessar-fogo com Teerã está “por um fio” após rejeitar a contraproposta iraniana para encerrar o conflito.

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Cerca de 20% do petróleo mundial passava pelo estreito antes da guerra. O Irã conseguiu praticamente fechar a estreita rota marítima, que conecta o Golfo Pérsico ao mercado global, desde o início de março.

O maior desafio enfrentado pelo mercado é a interrupção da frota global de petroleiros, disse Nasser. Mais de 600 embarcações, principalmente navios-tanque de petróleo e derivados, estão atualmente presas no golfo.

Segundo o executivo, cerca de 240 navios aguardam do lado de fora de Ormuz. Parte dessas embarcações pode deixar a região porque está parada há muito tempo.

A frota está “misturada”, com alguns petroleiros posicionados nos locais errados, afirmou Nasser. Segundo ele, será necessário reposicionar navios de diferentes partes do mundo para normalizar a cadeia de abastecimento.

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“Mesmo no cenário mais otimista, as cadeias globais de fornecimento de energia e commodities precisarão de vários meses para retornar ao tráfego pré-conflito, à medida que embarcações desviam rotas ou evitam permanecer paradas”, afirmou.

Perda de barris

O mercado de petróleo perderá 100 milhões de barris de oferta por semana enquanto o estreito permanecer fechado, disse o CEO. Atualmente, apenas de dois a cinco navios cruzam Ormuz diariamente, contra cerca de 70 embarcações antes da guerra.

O mercado já perdeu mais de 1 bilhão de barris devido ao fechamento de Ormuz, afirmou Nasser. A perda líquida está em torno de 880 milhões de barris, graças ao redirecionamento de exportações pelo oleoduto leste-oeste da Aramco e à liberação de reservas estratégicas por governos.

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O oleoduto leste-oeste, também conhecido como Petroline, contorna o Estreito de Ormuz transportando petróleo bruto até o Mar Vermelho a partir da costa saudita no Golfo. Segundo Nasser, a Aramco ampliou a capacidade do oleoduto para 7 milhões de barris por dia.

Estoques em queda

Os estoques de petróleo estão caindo rapidamente, especialmente de produtos como gasolina e combustível de aviação, devido à perda de oferta do Oriente Médio, afirmou o executivo.

Isso pode atingir níveis criticamente baixos antes da temporada de viagens e deslocamentos de verão”, disse Amin Nasser.

Segundo o CEO, a interrupção do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz provocou o maior choque de oferta de energia da história. A pressão sobre o abastecimento globalse intensifica a cada dia”, afirmou.

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