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Rombo contábil de R$ 5 bilhões na Aegea afeta Itaúsa e adia planos de IPO
Publicado 11/05/2026 • 07:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 11/05/2026 • 07:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Divulgação
Aegea
A Aegea voltou ao centro das atenções do mercado após ajustes contábeis em suas demonstrações financeiras reduzirem em aproximadamente R$ 700 milhões o patrimônio líquido da Itaúsa, holding que controla o Itaú e que detém participação na companhia de saneamento.
A informação foi divulgada em fato relevante pela Itaúsa, após a Aegea reapresentar demonstrações financeiras de anos anteriores. Segundo a holding, os ajustes contábeis feitos pela investida decorrem de revisões de políticas contábeis e reavaliações de estimativas, com necessidade de reapresentação de exercícios anteriores.
O impacto atinge a Itaúsa porque a holding possui participação acionária na Aegea, de 13,27%. A própria Itaúsa afirmou, no entanto, que a redução de cerca de R$ 700 milhões é considerada imaterial diante do patrimônio líquido de R$ 89 bilhões registrado ao fim de 2025.
A empresa também reforçou que é acionista minoritária da Aegea e que não atua na gestão operacional e financeira da companhia, exercendo influência por meio dos órgãos de governança. No mesmo comunicado, informou que seus representantes solicitaram diagnóstico do ocorrido e a apresentação de um plano de ação para fortalecer governança, gestão de riscos e controles internos.
A Aegea reapresentou dados financeiros de 2024 após revisões contábeis envolvendo informações de anos anteriores. Segundo fato relevante divulgado pela própria companhia, os ajustes foram incorporados às demonstrações de 2025 e levaram à reapresentação dos resultados de 2024.
A revisão reduziu o patrimônio líquido consolidado da Aegea em cerca de R$ 5 bilhões, de R$ 11,4 bilhões para R$ 6,4 bilhões. O lucro líquido de 2024, que antes havia sido informado em R$ 2,396 bilhões, caiu para R$ 1,803 bilhão após a reapresentação.
A companhia afirma que os ajustes têm natureza estritamente contábil e não afetam a geração de caixa operacional, a posição de liquidez, nem implicam descumprimento de obrigações financeiras ou vencimento antecipado de dívidas.
Entre os pontos revisados estão critérios de reconhecimento de receita, perdas de crédito esperadas e baixa de contas a receber, além de ajustes ligados a contratos de Parcerias Público-privadas (PPPs) e mensuração de ativos financeiros. A companhia afirmou que o processo busca reduzir a diferença entre resultado contábil e geração de caixa.
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Siga o Times | CNBCLeia também: Após atrasos sucessivos, Aegea muda balanço de 2024 com baixa de R$ 5 bi
A reapresentação dos balanços veio depois de atrasos na divulgação dos resultados e aumentou a pressão sobre a percepção de risco da companhia. A S&P rebaixou a nota global da Aegea para B e manteve perspectiva negativa; a Fitch rebaixou os ratings para BB- e A+(bra); e a Moody’s rebaixou a companhia para B2, com perspectiva estável.
O IPO esperado pelo mercado foi adiado para 2027, segundo declaração do CEO Radamés Casseb em teleconferência de resultados, frustrando expectativas de uma oferta em 2026.
O novo episódio se soma a um momento delicado para a empresa. Como o Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC mostrou, a companhia já vinha sob investigação após delações homologadas pelo Superior Tribunal de Justiça apontarem supostos pagamentos de ao menos R$ 63 milhões em propina entre 2010 e 2018 para obtenção ou manutenção de concessões de saneamento.
A Aegea firmou acordo de leniência com o Ministério Público Federal e aceitou pagar R$ 439 milhões à União. A empresa diz que os fatos são anteriores a 2018, foram apurados em investigações internas e independentes e compartilhados voluntariamente com o MPF.
A repercussão das delações levou à renúncia de Hamilton Amadeo ao cargo de presidente do conselho de administração da Copasa. Amadeo foi presidente da Aegea desde a fundação da empresa, em 2010, até fevereiro de 2020, e foi citado nas investigações. Ele aparece como um dos delatores do caso no STJ.
A saída ocorreu em meio ao plano de privatização da Copasa, acompanhado de perto pelo mercado e pelo setor de saneamento.
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