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Etanol vira foco de tensão entre Brasil e EUA, mas disputa tem motivação política
Publicado 03/06/2026 • 11:30 | Atualizado há 49 minutos
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Publicado 03/06/2026 • 11:30 | Atualizado há 49 minutos
KEY POINTS
A disputa em torno do acesso ao mercado brasileiro de etanol tem forte componente político e geopolítico, além das questões comerciais, afirmou a economista Juliana Inhasz em entrevista nesta quarta-feira (3) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ela, embora os Estados Unidos questionem os subsídios concedidos ao setor sucroenergético nacional, o debate não pode ser analisado apenas sob a ótica econômica.
“A narrativa do Donald Trump desde o ano passado tem sido essa, de trazer as questões comerciais como justificativa para essas medidas, mas existe uma questão política e uma questão geopolítica que são provavelmente as principais motivadoras”, destacou a especialista.
Juliana Inhasz explicou que o principal argumento brasileiro está relacionado às características da produção nacional. Segundo ela, o país produz etanol de cana-de-açúcar, considerado mais eficiente e menos poluente do que o etanol produzido majoritariamente a partir de milho nos Estados Unidos.
“A gente produz um etanol que tem mais eficiência. É um produto melhor, que polui menos. O Brasil tem bastante eficiência e muita evidência nessa cadeia produtiva”, afirmou. Ela acrescentou que o produto americano possui “uma potência energética um pouco menor” e é “um pouco mais poluente”.
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A economista também observou que, embora existam subsídios no Brasil, isso não significa necessariamente uma prática predatória. Segundo ela, parte dos incentivos busca preservar a competitividade de empresas menores dentro do mercado doméstico, e não ampliar artificialmente a participação brasileira sobre a demanda americana.
Ao comentar a possibilidade de negociações bilaterais reduzirem distorções comerciais, Juliana Inhas avaliou que avanços são possíveis, mas tendem a ocorrer apenas após os países perceberem os custos gerados por medidas protecionistas.
“Esse tipo de tarifa traz muita distorção dentro do mercado. Preços relativos mudam, o posicionamento das economias muda e investidores também mudam a forma como se colocam dentro da economia”, observou.
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Na avaliação da especialista, um cenário de comércio mais equilibrado pode surgir no futuro, mas não no curto prazo. “Não vejo isso num futuro muito próximo. Talvez nos próximos anos ou na próxima década a gente consiga fazer um saldo das perdas e ganhos dessas medidas protecionistas”, afirmou.
Ela ressaltou ainda que os países tendem naturalmente a se especializar naquilo que produzem com mais eficiência, o que cria vencedores e perdedores ao longo do processo. Ainda assim, defendeu que relações comerciais bem construídas podem trazer benefícios para todas as partes envolvidas.
Sobre a possibilidade de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, Juliana Inhasz afirmou que o primeiro efeito seria o aumento da incerteza nos mercados, com reflexos sobre preços, investimentos e expectativas econômicas.
“A onda de incerteza volta a aparecer. Vira um déjà-vu daquilo que a gente já viveu nos últimos anos”, disse. Segundo ela, a medida também pode elevar os preços de commodities e encarecer produtos brasileiros no mercado americano.
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Seguir no GoogleA especialista lembrou que, em situações anteriores, o fechamento de mercados externos levou à sobra de produtos no Brasil e à queda de preços internos. No entanto, destacou que esse movimento não necessariamente beneficia a economia nacional. “Nós vimos algumas cadeias produtivas que acabaram se desarticulando completamente, com grandes demissões e redução do volume de investimentos”, afirmou.
Para Juliana Inhasz, o principal caminho para evitar perdas maiores continua sendo a retomada das negociações diplomáticas entre os dois países. Ela defendeu a reabertura de espaços de diálogo e a apresentação de dados técnicos durante as discussões.
“Agora é voltar a negociar, voltar a apresentar dados e tentar achar caminhos que sejam benéficos para os dois lados”, afirmou. A economista ponderou, contudo, que o processo tende a ser mais complexo porque as motivações envolvidas não são exclusivamente econômicas. “Se fosse completamente econômica, estava mais fácil. A gente levava os dados, colocava em cima da mesa e discutia”, concluiu.
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