Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Etanol vira foco de tensão entre Brasil e EUA, mas disputa tem motivação política
Publicado 03/06/2026 • 11:30 | Atualizado há 5 meses
OpenAI negocia captação de US$ 30 bilhões e prepara abertura de capital em 2027
Elon Musk investe cerca de US$ 1 bilhão na Skydance
Barclays planeja cortar 5 mil empregos com avanço da inteligência artificial
CEO da Nvidia diz que demanda por neoclouds está “nas alturas”, mas falta capital
Anthropic anuncia prévia do Claude Duet, agente pessoal de IA para competir com Muse e Dots
Publicado 03/06/2026 • 11:30 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
A disputa em torno do acesso ao mercado brasileiro de etanol tem forte componente político e geopolítico, além das questões comerciais, afirmou a economista Juliana Inhasz em entrevista nesta quarta-feira (3) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ela, embora os Estados Unidos questionem os subsídios concedidos ao setor sucroenergético nacional, o debate não pode ser analisado apenas sob a ótica econômica.
“A narrativa do Donald Trump desde o ano passado tem sido essa, de trazer as questões comerciais como justificativa para essas medidas, mas existe uma questão política e uma questão geopolítica que são provavelmente as principais motivadoras”, destacou a especialista.
Juliana Inhasz explicou que o principal argumento brasileiro está relacionado às características da produção nacional. Segundo ela, o país produz etanol de cana-de-açúcar, considerado mais eficiente e menos poluente do que o etanol produzido majoritariamente a partir de milho nos Estados Unidos.
“A gente produz um etanol que tem mais eficiência. É um produto melhor, que polui menos. O Brasil tem bastante eficiência e muita evidência nessa cadeia produtiva”, afirmou. Ela acrescentou que o produto americano possui “uma potência energética um pouco menor” e é “um pouco mais poluente”.
Leia também: Brasil está entre os 47 países que receberam nova tarifa de 12,5% dos EUA; veja lista
A economista também observou que, embora existam subsídios no Brasil, isso não significa necessariamente uma prática predatória. Segundo ela, parte dos incentivos busca preservar a competitividade de empresas menores dentro do mercado doméstico, e não ampliar artificialmente a participação brasileira sobre a demanda americana.
Ao comentar a possibilidade de negociações bilaterais reduzirem distorções comerciais, Juliana Inhas avaliou que avanços são possíveis, mas tendem a ocorrer apenas após os países perceberem os custos gerados por medidas protecionistas.
“Esse tipo de tarifa traz muita distorção dentro do mercado. Preços relativos mudam, o posicionamento das economias muda e investidores também mudam a forma como se colocam dentro da economia”, observou.
Leia também: Tarifaço: por que a Seção 301 preocupa o Brasil?
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCNa avaliação da especialista, um cenário de comércio mais equilibrado pode surgir no futuro, mas não no curto prazo. “Não vejo isso num futuro muito próximo. Talvez nos próximos anos ou na próxima década a gente consiga fazer um saldo das perdas e ganhos dessas medidas protecionistas”, afirmou.
Ela ressaltou ainda que os países tendem naturalmente a se especializar naquilo que produzem com mais eficiência, o que cria vencedores e perdedores ao longo do processo. Ainda assim, defendeu que relações comerciais bem construídas podem trazer benefícios para todas as partes envolvidas.
Sobre a possibilidade de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, Juliana Inhasz afirmou que o primeiro efeito seria o aumento da incerteza nos mercados, com reflexos sobre preços, investimentos e expectativas econômicas.
“A onda de incerteza volta a aparecer. Vira um déjà-vu daquilo que a gente já viveu nos últimos anos”, disse. Segundo ela, a medida também pode elevar os preços de commodities e encarecer produtos brasileiros no mercado americano.
Leia também: Relatório do USTR é vago ao apontar falhas do Brasil no combate ao trabalho forçado
A especialista lembrou que, em situações anteriores, o fechamento de mercados externos levou à sobra de produtos no Brasil e à queda de preços internos. No entanto, destacou que esse movimento não necessariamente beneficia a economia nacional. “Nós vimos algumas cadeias produtivas que acabaram se desarticulando completamente, com grandes demissões e redução do volume de investimentos”, afirmou.
Para Juliana Inhasz, o principal caminho para evitar perdas maiores continua sendo a retomada das negociações diplomáticas entre os dois países. Ela defendeu a reabertura de espaços de diálogo e a apresentação de dados técnicos durante as discussões.
“Agora é voltar a negociar, voltar a apresentar dados e tentar achar caminhos que sejam benéficos para os dois lados”, afirmou. A economista ponderou, contudo, que o processo tende a ser mais complexo porque as motivações envolvidas não são exclusivamente econômicas. “Se fosse completamente econômica, estava mais fácil. A gente levava os dados, colocava em cima da mesa e discutia”, concluiu.
—
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings
Maiores Audiências
1
GERP: Flávio tem 53 pontos e Lula, 47; distância aumenta a cinco dias das eleições
2
Lula promete tarifa zero a cinco dias do 2º turno, mas não detalha como bancar custo bilionário
3
PESQUISA QUE ACERTOU PRIMEIRO TURNO: Flávio tem 53% e Lula 47% dos votos válidos, diz Gerp
4
Mega-Sena: prêmio supera R$ 200 milhões no concurso 3.073; confira o resultado
5
Na guerra da quebra de sigilo, campanha de Flávio Bolsonaro escala Deltan Dallagnol para analisar documentos entregues por Lula