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Tarifaço: por que a Seção 301 preocupa o Brasil?
Publicado 03/06/2026 • 09:00 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 03/06/2026 • 09:00 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Foto: Canva
Tarifaço: por que a Seção 301 preocupa o Brasil?
A proposta do governo dos Estados Unidos sobre o tarifaço adicional de 25% sobre produtos brasileiros reacendeu o alerta em Brasília e no setor exportador.
A medida foi anunciada nesta segunda-feira (2), após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
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O mecanismo permite que Washington adote sanções comerciais contra países considerados responsáveis por práticas que prejudiquem empresas ou interesses econômicos dos Estados Unidos.
Criada pela Lei de Comércio de 1974, a Seção 301 é um dos principais instrumentos utilizados pelos Estados Unidos para contestar políticas comerciais de outros países.
A legislação autoriza o governo americano a investigar ações consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio dos EUA.
Na prática, o mecanismo abre caminho para a adoção de medidas de retaliação, como tarifas adicionais, suspensão de benefícios comerciais e restrições a determinados produtos importados.
O dispositivo ganhou destaque internacional nos últimos anos por ter sido utilizado pelos Estados Unidos em disputas comerciais envolvendo grandes parceiros econômicos.
O processo contra o Brasil começou após a abertura formal de uma investigação pelo USTR. Durante a apuração, o órgão realizou consultas, recebeu manifestações de empresas e representantes de setores econômicos e promoveu audiências públicas para reunir informações.
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Segundo o governo americano, foram analisados depoimentos de dezenas de participantes e centenas de contribuições enviadas durante o período de consulta.
Ao concluir a investigação, o USTR afirmou ter identificado práticas que, na avaliação dos Estados Unidos, criam obstáculos ao comércio americano.
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Siga o Times | CNBCEntre os pontos mencionados pelo governo dos EUA está o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
O comunicado do USTR afirma que determinadas políticas relacionadas aos meios eletrônicos de pagamento favorecem soluções nacionais e prejudicam empresas americanas que atuam no setor financeiro e de tecnologia.
A referência foi interpretada como uma crítica direta ao Pix, sistema desenvolvido pelo Banco Central e amplamente utilizado por consumidores e empresas no Brasil.
O tema já vinha sendo acompanhado com atenção por especialistas, uma vez que o crescimento acelerado do Pix alterou a dinâmica do mercado de pagamentos no país.
A preocupação vai além da tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos. O principal receio é que a conclusão da investigação sob a Seção 301 crie uma base legal para novas medidas comerciais no futuro.
Como o instrumento permite revisões periódicas e eventuais ampliações das sanções, empresas exportadoras acompanham o caso com cautela.
Setores que dependem do mercado americano temem aumento de custos, perda de competitividade e redução das vendas externas.
Além disso, a adoção de barreiras comerciais por parte dos EUA pode gerar incertezas para investimentos e negociações envolvendo empresas dos dois países.
Apesar da proposta já ter sido divulgada, o processo ainda prevê etapas adicionais. O USTR informou que realizará uma audiência pública para ouvir representantes de empresas, associações e demais interessados antes da implementação definitiva das medidas.
Após essa fase, o governo americano poderá confirmar, modificar ou ampliar as ações previstas.
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Do lado brasileiro, a expectativa é de que o tarifaço seja tratado por meio de negociações diplomáticas e comerciais, numa tentativa de evitar o agravamento das restrições e preservar o fluxo de comércio entre os dois países.
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