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Energia

IEA vê disputa por cargas de GNL até 2027 com estoques europeus no menor nível desde 2013

Publicado 03/11/2026 • 21:46 | Atualizado há 41 minutos

KEY POINTS

  • A interrupção dos fluxos pelo Estreito de Ormuz reduziu em mais de 60 bilhões de metros cúbicos os carregamentos de Catar e Emirados Árabes Unidos entre março e outubro.
  • Contratos de longo prazo e cargas já asseguradas podem reduzir a exposição imediata do Brasil à volatilidade do mercado internacional.
  • A demanda mundial de gás deve recuar cerca de 1,5% em 2026, o equivalente a quase 65 bilhões de metros cúbicos.

A oferta mundial de gás natural liquefeito (GNL) deve cair 3% em 2026, o equivalente a quase 20 bilhões de metros cúbicos, ampliando a disputa internacional por cargas disponíveis. O cenário pode prolongar a competição pelo combustível até 2027, especialmente entre importadores da Europa, Ásia e América do Sul.

A avaliação consta do Global Gas Security Review 2026, publicado nesta terça-feira (3) pela Agência Internacional de Energia (IEA). O relatório aponta que a Europa inicia a temporada de aquecimento de 2026-2027 com os menores estoques de gás natural desde 2013. A necessidade de recompor os inventários pode manter a pressão sobre o mercado internacional.

A redução da oferta está associada à interrupção dos fluxos pelo Estreito de Ormuz, que diminuiu em mais de 60 bilhões de metros cúbicos os carregamentos de Catar e Emirados Árabes Unidos entre março e outubro.

Do lado da demanda, a IEA estima uma retração mundial de aproximadamente 1,5% em 2026, equivalente a quase 65 bilhões de metros cúbicos. A queda está relacionada à destruição de demanda no Oriente Médio, ao menor consumo industrial europeu e à substituição do gás por carvão na geração de eletricidade em países asiáticos.

A redução do consumo ajuda a equilibrar o mercado, mas não elimina o risco de altas pontuais nos preços. A combinação de estoques europeus baixos e capacidade limitada de armazenamento em países importadores de GNL na Ásia e na América do Sul pode intensificar a concorrência por cargas com destino flexível.

Um inverno mais frio, falhas técnicas ou novas interrupções de oferta podem ampliar a pressão, principalmente no mercado à vista.

Impactos para o Brasil

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No Brasil, os efeitos dependem de fatores como a necessidade de geração termelétrica para complementar a produção hidrelétrica e de fontes renováveis, os contratos de suprimento das usinas e a disponibilidade dos terminais de regaseificação.

Uma alta nas cotações internacionais não é necessariamente repassada na mesma proporção às tarifas de energia ou aos preços domésticos do gás. A exposição varia conforme as condições de contratação e a disponibilidade de combustíveis substitutos.

O país conta com terminais de GNL e usinas que podem ampliar a geração em períodos de escassez hídrica ou diante de necessidades operativas. Caso seja necessário contratar volumes adicionais em um mercado internacional restrito, porém, o custo marginal pode aumentar.

Contratos de longo prazo e cargas já asseguradas reduzem a exposição imediata, mas não eliminam os riscos de reajustes, indisponibilidades ou renegociações ao longo da cadeia de fornecimento.

Entre os indicadores que devem ser acompanhados nos próximos meses estão a evolução dos estoques europeus, a retomada dos carregamentos pelo Estreito de Ormuz, o volume de cargas flexíveis e os preços no mercado à vista.

No Brasil, a atenção se volta ao despacho das termelétricas, ao nível dos reservatórios, à disponibilidade dos terminais de regaseificação e às decisões de contratação de combustível para 2027.

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