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Protagonistas: Liderança mais humana passa por autonomia e inclusão, diz Lígia Izzo, executiva da Bayer
Publicado 18/06/2026 • 22:43 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 18/06/2026 • 22:43 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A liderança do futuro precisa ser mais humana, menos hierárquica e baseada em autonomia, inclusão e desenvolvimento de pessoas, afirmou Ligia Izzo, vice-presidente de operações da divisão agrícola da Bayer para a América Latina.
Em entrevista ao quadro Protagonistas, do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Ligia disse que a liderança tradicional, marcada por excesso de controle, dá lugar a modelos mais flexíveis, voltados a empoderar quem está mais perto do cliente.
“A ideia é tirar hierarquia, desburocratizar, empoderar, tratar as pessoas que estão mais perto dos clientes como as mais importantes dentro da empresa”, afirmou.
Primeira mulher a ocupar a vice-presidência de operações da divisão agrícola da Bayer na América Latina, Ligia afirmou que só passou a refletir sobre o peso da representatividade depois de uma conversa com uma estagiária, ainda no início de sua trajetória na companhia.
Ela conta que a jovem comentou a importância de ver uma mulher em uma posição de liderança em uma fábrica de químicos no interior de São Paulo. A partir daquele momento, Ligia disse ter entendido que ocupar aquele espaço também significava abrir caminho para outras mulheres.
“Não era só sobre o cargo, era sobre eu ser a primeira e também abrir porta para que eu não fosse a última”, disse.
Leia também: Innovation Week: Agro é parte da solução climática, diz diretora da Bayer
A executiva afirmou que ser pioneira traz desafios, especialmente em ambientes historicamente masculinos. Para ela, duas habilidades foram essenciais ao longo da carreira: coragem para se posicionar e autenticidade.
“Precisa ter coragem para se posicionar, para ser diferente e para desafiar o status quo”, afirmou.
Ligia também defendeu que diversidade é condição para inovação. Segundo ela, empresas inovam mais quando criam ambientes em que pessoas diferentes têm voz e podem usar energia para gerar valor, em vez de tentar se adaptar a padrões que não refletem quem são.
“Inovação e diversidade andam lado a lado”, disse.
Na Bayer Brasil, segundo Ligia, as mulheres representam 60% dos cargos de liderança. Ela afirmou que o avanço é motivo de orgulho, mas disse que o debate também precisa incluir o acesso de mulheres ao mercado de trabalho, especialmente em posições industriais e técnicas.
A executiva citou uma iniciativa da companhia em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, que capacita mulheres em situação de vulnerabilidade para o mercado. Segundo ela, três meses após a conclusão do curso, mais de 30% das participantes estavam empregadas.
Para mulheres que desejam crescer na carreira, Ligia afirmou que o primeiro passo é entender o que significa sucesso para cada uma. Depois, disse, é preciso mapear habilidades, experiências e relacionamentos necessários para avançar.
“Não adianta nada fazer tudo isso e não contar para ninguém, porque só você saber do seu plano não te ajuda a conseguir sponsor, não te ajuda a conseguir alguém que te desafie, não te ajuda a conseguir alguém que te abra portas”, afirmou.
Ligia também destacou a importância de comunicar ambições sem medo. Segundo ela, falar sobre planos de carreira com pessoas de confiança, pares, líderes e redes de relacionamento pode abrir caminhos não previstos.
“Falar sobre isso sem vergonha, sem medo de parecer ambiciosa”, disse.
Com passagem pela Suíça entre 2023 e o início deste ano, Ligia afirmou que a experiência internacional ampliou sua visão sobre liderança. No período, ela lidou com equipes de múltiplas nacionalidades e operações em 52 países, o que exigiu reaprender formas de gestão.
“Eu descobri que o que estava dando certo aqui não ia dar certo lá”, afirmou.
Ao comparar o Brasil com outros mercados, a executiva destacou a relevância do agro brasileiro e a abertura do produtor à tecnologia. Segundo ela, o Brasil é o segundo maior mercado da Bayer na divisão de Crop Science, atrás apenas dos Estados Unidos.
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Seguir no Google“O agricultor e a agricultora brasileira são os que mais adotam tecnologia digital no mundo”, afirmou.
Ligia disse que o agro brasileiro é moderno e usa tecnologia em diferentes etapas da produção, de GPS no plantio a monitoramento de clima e solo para tomada de decisão. Para ela, o setor segue relevante e deve se digitalizar ainda mais.
“Existe um mito de que o agro é uma indústria, um setor ultrapassado. O agro é muito moderno”, afirmou.
Leia também: Beleza S.A. – Brasil vira centro de inovação da Bayer para desenvolvimento de novos produtos
A executiva afirmou que a inteligência artificial já está presente no campo e na cadeia de suprimentos. Na área de operações da Bayer, segundo ela, a tecnologia é usada para melhorar segurança, produtividade e qualidade nas fábricas, além de apoiar decisões no campo.
Para Ligia, o medo de substituição por IA decorre, em parte, da falta de conhecimento. Ela disse que algumas atividades serão substituídas, mas que decisões estratégicas e visão de futuro continuarão dependendo da combinação entre humanos e tecnologia.
“A convivência de humanos e inteligência artificial é o futuro”, afirmou.
Questionada sobre o principal conselho que recebeu na carreira, Ligia citou uma frase que tenta aplicar em momentos de maior pressão: “Seja dura com os problemas e gentil com as pessoas.”
Ao definir o que significa ser protagonista da própria história, a executiva afirmou que a ideia passa por não viver no automático, assumir responsabilidade pelas próprias escolhas e abrir portas para outras pessoas.
“Protagonismo, para mim, é ir além da minha própria história, abrir portas para que outros venham comigo”, concluiu.
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