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Estreia da SpaceX em Wall Street reforça aposta do mercado em projetos de longo prazo

Publicado 13/06/2026 • 06:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Investidores demonstram interesse em projetos como a Starlink e os futuros data centers espaciais, que prometem aproveitar energia solar abundante e reduzir custos de resfriamento para aplicações de inteligência artificial.
  • Especialistas avaliam que a colonização de outros planetas e parte das propostas apresentadas por Elon Musk ainda enfrentam desafios científicos e biológicos relevantes, especialmente relacionados à permanência humana no espaço.
  • A SpaceX mantém ampla vantagem sobre concorrentes no setor espacial graças aos avanços em reutilização de foguetes e redução dos custos de lançamento, consolidando-se como a principal candidata a liderar novas infraestruturas tecnológicas fora da Terra.

A estreia da SpaceX na Nasdaq continua alimentando debates sobre os limites entre inovação tecnológica, expectativas de mercado e projetos que ainda pertencem ao campo das possibilidades futuras. Após a forte valorização registrada no primeiro dia de negociações, especialistas avaliam que o entusiasmo dos investidores está mais ligado ao potencial da companhia do que aos seus resultados atuais.

Para Marcel Nobre, especialista em tecnologia e inovação, a reação do mercado reflete uma aposta em projetos capazes de transformar setores inteiros da economia.

“Ficou muito claro que é uma leitura de potencial futuro mais do que de resultado presente”, afirmou, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo ele, os números financeiros isoladamente não explicam a avaliação alcançada pela empresa. Embora a SpaceX tenha registrado receita de US$ 18,67 bilhões em 2025, a companhia também encerrou o período com prejuízo líquido próximo de US$ 5 bilhões.

Na avaliação de Nobre, o interesse dos investidores está concentrado em iniciativas como a expansão da rede Starlink e a proposta de desenvolver data centers espaciais, um conceito que ainda não saiu do papel, mas que vem ganhando espaço entre as teses de crescimento da companhia.

A ideia consiste em transferir parte da infraestrutura de processamento de dados para a órbita terrestre. Entre as vantagens teóricas estariam a abundância de energia solar e a redução dos custos de resfriamento dos equipamentos.

“É menos sobre turismo espacial e muito mais sobre construção de infraestrutura tecnológica no espaço, como data centers”, disse.

Apesar do potencial, o especialista ressalta que o projeto ainda enfrenta obstáculos significativos. Questões relacionadas à radiação espacial, à durabilidade dos equipamentos e à viabilidade econômica permanecem sem respostas definitivas.

“É só ainda uma teoria, um potencial possibilidade que ainda não foi comprovado viável financeiramente nem tecnicamente”, afirmou.

A visão apresentada por Elon Musk de transformar a humanidade em uma espécie multiplanetária também foi tema da análise. Para Nobre, a proposta funciona como uma narrativa de longo prazo capaz de atrair investidores, mas ainda esbarra em desafios biológicos e científicos relevantes.

Segundo ele, pesquisas realizadas com astronautas mostram que longos períodos no espaço podem provocar impactos cognitivos e físicos importantes, o que demonstra que a colonização de outros planetas ainda está distante.

“Não adianta eu ter um foguete para levar para Marte se o ser humano não vai conseguir sobreviver a isso”, observou.

Ao mesmo tempo, o especialista reconhece que a SpaceX já promoveu avanços considerados improváveis há poucos anos. Entre eles estão a reutilização de foguetes e a redução drástica dos custos de lançamento espacial.

“O que o Elon Musk fez com a SpaceX foi revolucionário”, afirmou.

Para Nobre, a companhia construiu uma vantagem competitiva significativa enquanto concorrentes ainda tentavam validar seus modelos de negócio. Esse posicionamento coloca a empresa à frente de rivais como a Blue Origin em áreas ligadas à infraestrutura espacial.

Times Brasil - CNBC

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“Se tem alguém que está mais próximo disso, com certeza é a SpaceX e não tem ninguém no retrovisor”, disse.

Além da exploração espacial, o especialista acredita que os avanços da empresa podem gerar impactos sobre setores tradicionais da economia. A expansão da Starlink, por exemplo, já cria novos desafios para operadoras de telecomunicações em diversas regiões do mundo.

No caso dos data centers espaciais, os efeitos poderiam ser ainda mais amplos. Caso a tecnologia se torne viável, parte da infraestrutura atualmente instalada na Terra poderá enfrentar concorrência direta de sistemas orbitais mais eficientes.

Ainda assim, Nobre pondera que o principal desafio será transformar expectativas em resultados concretos. Com o novo volume de recursos captado no mercado, a SpaceX ganha fôlego para acelerar projetos ambiciosos. Resta saber se os investidores estarão dispostos a esperar o tempo necessário para que essas apostas se materializem.

“Se vai dar certo em um ano, dez anos, trinta anos ou cem anos, essa é a grande pergunta e o grande enigma que a gente deve ver nos próximos anos”, concluiu.

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