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Febraban Tech: Análise de crédito vai além do score e passa a considerar contexto familiar, diz diretora de crédito da Serasa Experian Viviane Moura

Publicado 25/08/2026 • 21:53 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Executiva afirma que renda e score continuam relevantes, mas já não bastam para medir capacidade de pagamento.
  • Novas bases permitem avaliar endividamento, transações e outras informações para reduzir distorções na concessão de crédito.
  • Inteligência analítica ganha peso para cruzar dados e evitar tanto recusas indevidas quanto aprovações de maior risco.

A análise de crédito está deixando de olhar apenas para indicadores individuais, como score, renda e CPF, e passa a incorporar informações sobre o contexto financeiro ao redor do consumidor. É o que afirmou Viviane Moura, diretora de Serviços de Crédito da Serasa Experian, durante a Febraban Tech 2026.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Viviane disse que o modelo tradicional continua relevante, mas hoje há mais informações disponíveis para avaliar com maior precisão a capacidade de pagamento de uma pessoa.

“Analisar só o score dela de repente pode ser muito pouco”, afirmou.

Segundo ela, duas pessoas podem apresentar o mesmo score e, ainda assim, ter situações financeiras muito diferentes.

“Imagina que eu e você, de repente, temos o mesmo score. Significa que temos a mesma capacidade de pagar, estamos com o mesmo comprometimento financeiro? Não”, disse.

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Contexto domiciliar entra na análise

Uma das mudanças citadas por Viviane é a incorporação do chamado contexto domiciliar.

Segundo a executiva, a dinâmica financeira das famílias pode ajudar a explicar melhor a situação de determinados consumidores, especialmente jovens, idosos ou pessoas que compartilham renda e despesas com outros integrantes da casa.

“Às vezes a pessoa não tem, por si só, uma capacidade de pagar, de honrar aquele compromisso, mas aquele contexto ao redor da família dela, os familiares, inclusive aquele contexto de transações que acontecem ao redor dela, podem trazer muitas informações”, afirmou.

A lógica também pode funcionar no sentido contrário.

Uma pessoa com renda elevada pode aparentar maior capacidade de pagamento, mas carregar nível elevado de endividamento ou assumir despesas de outros familiares.

“Às vezes, inclusive, ela pode ajudar os familiares. Nesse contexto também fica complicado para ela assumir algumas contas, porque ela já assume a conta daquela família”, disse.

Para Viviane, essa realidade exige uma análise mais ampla.

“A dinâmica financeira das famílias é totalmente compartilhada. Então é importante, sim, considerar todo esse contexto”, afirmou.

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Score e renda continuam importantes

A executiva ressaltou que a ampliação das fontes de informação não elimina os indicadores tradicionais usados pelas instituições financeiras.

“O score continua sendo importante, a renda continua sendo importante, mas tem muito mais dados hoje que podem compor esse cenário”, afirmou.

Segundo Viviane, o objetivo é tornar as decisões de crédito mais precisas tanto na aprovação quanto na recusa.

Isso significa reduzir o risco de negar crédito a alguém que teria condições de honrar o compromisso, mas também evitar aprovações baseadas em uma leitura incompleta da situação financeira.

“Para que as decisões sejam melhores. Tanto uma decisão para negar quanto uma decisão para aprovar, para também não deixar a oportunidade”, disse.

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Dados isolados não bastam

Viviane afirmou que o aumento da quantidade de informações disponíveis não resolve sozinho o problema.

Para ela, o principal ganho está na capacidade de correlacionar diferentes dados e transformar essas informações em análise.

“Dado por si só é importante, mas fazer essas correlações dos dados, essa inteligência analítica aplicada aos dados, é fundamental”, afirmou.

Sem esse cruzamento, segundo a executiva, as instituições ainda correm o risco de produzir avaliações distorcidas.

“Sem isso, realmente podem acontecer decisões enviesadas”, disse.

A discussão sobre uso de dados, inteligência artificial e novas formas de avaliação de risco está entre os temas da Febraban Tech 2026, que reúne executivos dos setores financeiro e de tecnologia em São Paulo.

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