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EXCLUSIVO CNBC: Gargalos migram para terra e pressionam fretes globais, diz CEO da Maersk
Publicado 13/08/2026 • 21:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 13/08/2026 • 21:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Os principais gargalos da cadeia global de transportes estão deixando de se concentrar na disponibilidade de navios e avançando para portos, rodovias, ferrovias e outras infraestruturas terrestres, avalia Vincent Clerc, presidente-executivo da Maersk. Em entrevista à CNBC, o executivo afirmou que a demanda permanece surpreendentemente resistente mesmo diante das recentes turbulências geopolíticas e comerciais, contribuindo para congestionamentos e para a elevação dos fretes.
Clerc destacou que o último trimestre foi marcado por diferentes choques, da guerra no Oriente Médio às novas tarifas dos Estados Unidos, sem que isso provocasse uma retração significativa nos volumes transportados.
“O ponto principal para mim sobre o que está acontecendo agora nos mercados de transporte é a incrível resiliência da demanda e da economia, o que levou os volumes a continuarem completamente inabalados por qualquer uma dessas interrupções”, afirmou.
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O resultado dessa resistência, segundo o executivo, começa a aparecer fora dos oceanos. “Estamos observando cada vez mais gargalos no transporte terrestre, seja na África, na Europa ou na América Latina, que estão causando congestionamentos e elevando as taxas de frete”, ressaltou.
Durante anos, a capacidade do comércio marítimo foi analisada principalmente pela relação entre quantidade de navios disponíveis e número de contêineres necessários. Clerc avalia que essa lógica está mudando.
“Acho que o que estamos vendo agora é como resultado do subinvestimento em infraestrutura terrestre nos últimos 15 anos e do crescimento contínuo nos volumes comercializados”, explicou. “Estamos começando a chegar e a esticar as limitações do que o lado terrestre pode realmente suportar”, acrescentou.
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O problema envolve tanto terminais quanto infraestrutura de transporte no interior dos países. Na Europa, por exemplo, os baixos níveis de água do Rio Reno reduzem a capacidade das vias navegáveis e transferem uma parcela maior das cargas para as rodovias.
Clerc também citou dificuldades no Canal do Panamá e limitações na disponibilidade de transporte rodoviário em diferentes mercados.
“Tudo isso está, de fato, começando a criar um cenário mais favorável para as taxas de frete e levará algum tempo para recuperar 15 anos de falta de investimento”, pontuou.
Para o executivo, enquanto a demanda permanecer resistente, os gargalos deverão surgir em diferentes pontos da cadeia, ser solucionados e posteriormente reaparecer em outros locais. “Veremos volatilidade, com certeza. Mas veremos cada vez mais esses gargalos aparecendo, sendo resolvidos e reaparecendo novamente”, afirmou.
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A grande quantidade de embarcações encomendadas pela indústria ainda representa um risco de excesso de capacidade marítima, especialmente se rotas atualmente afetadas por interrupções voltarem à normalidade.
Clerc reconheceu que a carteira de pedidos permanece elevada, mas argumentou que a capacidade dos navios deixou de ser o único fator determinante para as perspectivas do setor.
“Acredito que o que observamos é que o gargalo na cadeia de suprimentos está se deslocando da capacidade marítima para a capacidade de transporte terrestre”, destacou.
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Com uma demanda forte, essa mudança pode criar um ambiente mais favorável para o transporte global no próximo ano, segundo o executivo.
Outra transformação identificada pela Maersk está no tipo de mercadoria transportada nos contêineres. Parte importante da força atual do comércio vem das exportações chinesas, mas Clerc observa que o crescimento não está concentrado apenas nos tradicionais bens de consumo.
“Grande parte ou a maior parte da força que observamos neste mercado deve-se às exportações chinesas e não tanto em bens de consumo, mas mais em bens de infraestrutura”, apontou.
Entre essas cargas estão produtos relacionados à eletrificação, transição energética, centros de dados e grandes projetos de infraestrutura necessários para atender ao aumento da demanda mundial por energia.
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“Conforme isso se desenrola, acredito que também estamos observando o conteúdo dos contêineres mudar gradualmente de bens de consumo para mais infraestrutura, o que é mais resiliente ao ciclo econômico”, explicou Clerc.
Para o executivo, essa transformação representa uma notícia positiva para a Maersk e para o setor de transportes.
As condições do Rio Reno, uma das principais artérias logísticas da Europa, exemplificam os desafios que devem exigir novos investimentos. Clerc afirmou que períodos de níveis insuficientes de água têm se tornado mais frequentes em meio às mudanças climáticas.
“É muito pouco provável que o rio Reno, caso não tomemos nenhuma atitude, possa continuar a ser a artéria de transporte que tem sido nas últimas décadas”, alertou.
Segundo ele, será necessário administrar os níveis de água de maneira diferente ou criar alternativas ferroviárias e rodoviárias capazes de absorver as cargas.
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As limitações já provocam aumento do tempo de permanência dos contêineres nos terminais. “É muito difícil encontrar maneiras de levar os contêineres ao seu destino final. Isso impulsiona as dinâmicas que vocês veem hoje”, explicou.
Para Clerc, a resposta exigirá investimentos tanto nos terminais quanto nas conexões terrestres. “Nós vamos precisar de investimentos em capacidade de terminais e também no interior para lidar com o nível de comércio que estamos vendo agora”, frisou.
“A resiliência da economia é um bom indicador de que não há tempo a perder”, concluiu.
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