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Grupo Fictor: entenda por que a crise da empresa era considerada previsível
Publicado 11/03/2026 • 22:27 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 11/03/2026 • 22:27 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: reprodução.
Fictor
No início de fevereiro de 2026, o mercado financeiro recebeu o anúncio de que o Grupo Fictor entraria em recuperação judicial (RJ). A protocolação do pedido veio pelo acúmulo de R$ 4 bilhões em dívidas, originadas pelo dano reputacional de tentar comprar o Banco Master.
Logo no dia seguinte, as ações da divisão de alimentos do conglomerado, a Fictor Alimentos (FICT3), tiveram mais de 20% de queda. Contudo, apesar do impacto financeiro ser nítido após o anúncio de recuperação judicial, a crise do grupo era considerada previsível.
De acordo com Jorge Calazans, colunista e advogado especializado na defesa de investidores vítimas de fraudes, do escritório Calazans e Vieira Dias Advogados, embora o conglomerado já desse sinais de alerta para órgãos reguladores e assessores de investimentos, investimentos da empresa continuaram sendo recomendados.
Leia também: Caso Fictor acende alerta e levanta temor de nova onda de recuperações judiciais em 2026
No que se refere aos sinais de alerta, segundo Calazans, o Grupo Fictor era alvo de uma investigação sigilosa da Polícia Federal (PF) desde 2023.
Ou seja, naquela época, o conglomerado já era alvo de suspeitas de envolvimento com práticas ilegais dentro do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Além disso, a CVM já acompanhava atentamente os passos do conglomerado, suspeitando da companhia por possíveis vendas irregulares de investimentos.
Mesmo assim, investimentos do Grupo Fictor continuaram a ser recomendados. “Investidores que aportaram capital em Sociedades em Conta de Participação (SCPs) vinculadas ao Grupo Fictor relataram um cenário de clara dissonância informativa envolvendo a atuação da Autem Investimentos — assessoria de investimentos vinculada ao BTG Pactual“, detalhou o advogado em blog.
Nesse sentido, o advogado discorre que o BTG em si emitia alerta sobre o Fictor e chegou a descontinuar a indicação de ativos associados. Entretanto, sua subsidiária Autem fez o exato oposto.
“Os investidores afirmam que, ao serem questionados sobre os riscos crescentes, os assessores da Autem teriam assegurado a higidez [regularidade] do negócio, incentivando não apenas a manutenção das posições, mas também a continuação dos aportes“, reforçou Jorge Calazans em artigo.
Se comprovada, essa abordagem implicaria em uma violação direta dos deveres de lealdade, transparência e diligência, conforme a Resolução CVM nº 178.
Sendo assim, entende-se que, nos bastidores, já se esperava que o grupo tivesse problemas estruturais e que, eventualmente, eles representariam prejuízos para os investidores.
Atualmente, segundo o advogado, é possível que a Justiça de São Paulo esteja aproveitando o processo de RJ para apurar qual é a verdadeira situação do Grupo Fictor e suas subsidiárias. De acordo com Calazans, em coluna ao Capital News, suspeita-se de uma “perícia extra” em andamento devido ao bloqueio persistente de bens e valores. Com o processo em andamento, não seria necessário manter a retenção.
Nesse contexto, os trâmites do processo de recuperação judicial sugerem que, de fato, o problema do conglomerado vai além dos danos reputacionais. Isso porque, de início, o pedido de RJ visava apenas a Fictor Holding e a Fictor Invest. Já que ambas perderam liquidez devido à saída de investidores ao serem associadas ao Banco Master. Agora, analistas já sugerem a inclusão compulsória de outras subsidiárias.
Leia também: Grupo Fictor pede recuperação judicial: como ficam os investidores da Fictor Alimentos?
Na visão de Jorge Calazans, esses movimentos incitam dúvidas sobre a autonomia financeira da Fictor Alimentos (FICT3) – que tornou-se uma holding pura depois de uma reorganização societária em 2024.
Ainda sobre a FICT3, a formação da holding exigiu o lançamento da Fictor Invest, um fundo de investimento em direitos creditórios para substituir o modelo de Sociedades em Conta de Participação (SCPs).
Entretanto, a desconfiança também atingiu a divisão de alimentos, levando à saída de mais investidores e até à renúncia da BRL Trust. Segundo Calazans, precisou-se fechar os pedidos de resgates após as solicitações de saque ultrapassarem 40% do patrimônio da empresa.
Ou seja, o encerramento definitivo do Grupo Fictor ainda não é um fato consumado, mas entende-se que há novos obstáculos para a reestruturação do conglomerado.
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