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Como uma operação de nicho com cobre se tornou um indicador em tempo real do próximo movimento de Trump sobre tarifas

Publicado 14/08/2026 • 08:39 | Atualizado há 59 minutos

KEY POINTS

  • O prêmio de preço entre os contratos futuros de cobre da COMEX, nos EUA, e os preços da London Metal Exchange (LME) está se tornando um indicador em tempo real do potencial de novas tarifas sobre o cobre refinado.
  • O Société Générale estima que o prêmio atual implica uma probabilidade de 14,6% de uma tarifa de 15% em janeiro de 2027 e de 37% de uma alíquota de 30% em janeiro de 2028.
  • O maior nível de entrada de cobre nos EUA em 12 anos tem sustentado os preços, enquanto os traders aguardam uma decisão final da Casa Branca sobre novas tarifas.
cobre

Fios de cobre

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Uma operação especializada de arbitragem no mercado de metais está se transformando em um indicador em tempo real do risco de novas tarifas nos Estados Unidos.

O cobre — considerado um termômetro mais amplo da economia, por ser um metal industrial fundamental para a construção civil, eletrônicos e transporte — está em forte alta há mais de um ano. Os contratos futuros chegaram a uma máxima histórica de quase US$ 6,90 por libra na semana passada.

O diferencial entre os contratos futuros de cobre negociados na COMEX, nos Estados Unidos, e os preços da London Metal Exchange (LME) historicamente é utilizado por traders do mercado físico, bancos, hedge funds, produtores e consumidores para lucrar com diferenças temporárias de preços e se proteger contra riscos entre os dois mercados.

No passado, essa arbitragem era impulsionada por fatores como choques na demanda chinesa ou interrupções no fornecimento na América do Sul.

Agora, porém, analistas do Société Générale afirmam que essa dinâmica foi alterada pela possibilidade de novas tarifas da Seção 232 sobre o cobre refinado, enquanto uma investigação da Casa Branca está em andamento. Com isso, investidores passaram a usar cada vez mais o prêmio da COMEX como um indicador das possíveis novas tarifas.

Leia também: Trump impõe tarifa universal de 50% sobre importação de cobre, diz Casa Branca

Os Estados Unidos já aplicam uma tarifa de 50% sobre as importações de produtos de cobre semielaborados e determinados outros produtos fabricados com cobre. O Departamento de Comércio recomendou uma tarifa universal escalonada de 15% sobre o cobre refinado a partir de 1º de janeiro de 2027, com aumento para 30% em 1º de janeiro de 2028.

“O diferencial entre COMEX e LME se tornou cada vez mais um indicador das expectativas de tarifas nos Estados Unidos, com um prêmio maior sinalizando uma percepção maior de risco tarifário e continuando a atrair metal para os EUA”, afirmou Ewa Manthey, estrategista de commodities do ING, em declaração enviada por e-mail à CNBC.

Os Estados Unidos importaram mais de 200 mil toneladas métricas de cobre em julho, o maior volume em 12 anos.

Analistas do Société Générale, liderados por Mike Haigh, chefe de pesquisa de commodities e FIC, afirmam que as autoridades americanas estão cada vez mais preocupadas com a dependência do país de cobre refinado importado, em um momento em que a infraestrutura de inteligência artificial, a modernização da rede elétrica e os gastos com defesa impulsionam a demanda global.

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Segundo Haigh, a investigação conduzida sob a Seção 232 reflete um objetivo mais amplo de “garantir o acesso a um material considerado fundamental tanto para o crescimento econômico quanto para a segurança nacional”.

Previsões para as tarifas sobre o cobre

Para transformar o diferencial de preços em probabilidades de tarifas, o Société Générale calculou o custo de transportar cobre da qualidade LME armazenado em depósitos europeus até a Costa Leste dos Estados Unidos e comparou esse preço final, incluindo todos os custos de entrega, com os contratos futuros da COMEX.

Segundo os analistas, o atual prêmio da COMEX sobre o cobre da LME com entrega integralizada indica uma probabilidade de 14,6% de que seja implementada, até janeiro de 2027, a tarifa universal escalonada de 15% recomendada pelo secretário de Comércio.

Essa probabilidade sobe para 37% no caso de uma tarifa de 30% até janeiro de 2028.

Natalie Scott-Gray, estrategista sênior de demanda por metais da StoneX, afirmou que a decisão, considerada atrasada, sobre a investigação da Seção 232 para o cobre refinado é agora o “maior catalisador isolado” para o mercado do metal.

Leia também: Trump confirma tarifa de 50% sobre o cobre a partir de 1º de agosto

Em um comentário recente sobre o mercado, Scott-Gray afirmou que tarifas abrangentes pressionariam a oferta de cobre fora dos Estados Unidos. Por outro lado, a ausência de tarifas desmontaria a arbitragem entre COMEX e LME.

Manthey afirmou que um prêmio maior continua sustentando os preços do cobre no curto prazo, “especialmente porque a oferta das minas continua apertada e a competição pelo metal disponível entre os EUA e a China se intensifica”.

“Continuamos otimistas em relação ao cobre, embora a incerteza sobre as tarifas signifique que a volatilidade provavelmente permanecerá elevada”, acrescentou.

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