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O que os bilionários de Wall Street estão dizendo sobre a vitória esmagadora dos democratas nas eleições de meio de mandato

Publicado 04/11/2026 • 22:43 | Atualizado há 6 minutos

KEY POINTS

  • Richard Branson e Reid Hoffman criticaram os gastos políticos de bilionários após a vitória esmagadora dos democratas nas eleições de meio de mandato, enquanto Elon Musk viu sua aposta de US$ 224 milhões nas eleições do Texas fracassar.
  • Os investidores bilionários Bill Ackman, Chamath Palihapitiya e Brad Gerstner alertaram que a oposição dos democratas aos centros de dados poderia ameaçar o crescimento da inteligência artificial.
  • Wall Street reagiu positivamente apesar dessas preocupações, com o Dow Jones subindo mais de 1.500 pontos e as ações das grandes empresas de tecnologia adicionando mais de US$ 750 bilhões em valor de mercado em determinado momento da quarta-feira.

Foto: Casa Branca

Os bilionários dos Estados Unidos acordaram nesta quarta-feira diante de um cenário de acerto de contas político e de uma forte alta em Wall Street.

Enquanto os democratas comemoravam uma vitória expressiva nas eleições de meio de mandato, alguns dos maiores doadores do país trocaram críticas sobre os gastos recordes para influenciar o resultado eleitoral. Outros alertaram que o desfecho das urnas pode ameaçar o boom da inteligência artificial.

Wall Street, por outro lado, reagiu positivamente. O índice Dow Jones Industrial Average disparou 1.569 pontos, ou 3%, enquanto o S&P 500 avançou 1,6% e o Nasdaq Composite subiu 1,4%. Os investidores comemoraram a possibilidade de um impasse político, a redução das incertezas e a disposição do presidente Donald Trump de aceitar os resultados.

O fundador do Virgin Group, Richard Branson, criticou os bilhões de dólares gastos para influenciar as eleições.

“Fiquei constrangido com os bilhões que empreendedores de tecnologia e gestores de fundos de hedge gastaram”, escreveu Branson nesta quarta-feira no LinkedIn, ao defender uma reforma no financiamento de campanhas. Branson não fez doações que atingissem o limite de divulgação obrigatória no ciclo eleitoral de 2026.

A declaração foi feita enquanto Elon Musk, o maior doador individual das eleições, acompanhava a derrota dos candidatos republicanos que apoiava nas disputas pelo governo e pelo Senado do Texas. Apesar de investir US$ 224 milhões no estado, quase metade de sua contribuição política recorde de US$ 474 milhões em todo o país, segundo análise da CNBC com base em registros de financiamento de campanhas, Musk não conseguiu garantir a vitória de seus aliados.

Na manhã desta quarta-feira, o CEO da Tesla e da SpaceX sugeriu, em uma publicação no X, que centros de dados no espaço pareciam cada vez mais atraentes. Em seguida, brincou que seus “lasers espaciais para interferir nas eleições” haviam falhado.

O cofundador do LinkedIn, Reid Hoffman, outro importante doador político, adotou um tom mais duro.

“Precisamos tirar o dinheiro da política”, escreveu Hoffman na noite de terça-feira no X. Ele acusou Musk de gastar “quantias absurdas para manter palhaços autoritários no poder”, enquanto defendeu suas próprias contribuições aos democratas.

Outros grandes doadores do Partido Democrata comemoraram o resultado. “O mundo mudou ontem”, escreveu Alex Soros nesta quarta-feira no X, classificando o resultado como uma vitória geracional. Sua família contribuiu com aproximadamente US$ 103 milhões para iniciativas políticas democratas.

Além das disputas políticas, porém, alguns dos investidores mais ricos dos Estados Unidos concentraram a atenção em uma possível consequência ainda maior da vitória democrata: o futuro do boom da inteligência artificial.

Mesmo antes do fechamento das urnas na terça-feira, Bill Ackman, fundador da Pershing Square, alertou, durante entrevista ao programa “Squawk on the Street”, da CNBC, que uma desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial poderia comprometer a liderança tecnológica dos Estados Unidos.

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“Na prática, não podemos desacelerar”, afirmou.

À medida que os resultados eram divulgados na noite de terça-feira, o investidor bilionário Chamath Palihapitiya fez um alerta ainda mais contundente.

Inicialmente, Palihapitiya questionou se os primeiros resultados seriam confirmados, mas afirmou que, caso se mantivessem, as consequências para os investimentos em inteligência artificial poderiam ser graves.

“E a única maneira de derrubar o mercado de IA é derrubar os centros de dados”, disse Palihapitiya durante uma transmissão ao vivo sobre as eleições, no podcast “All-In”.

O Texas foi um dos primeiros testes para essas preocupações. A democrata Gina Hinojosa, eleita governadora do estado, que propôs uma moratória para a construção de novos centros de dados até que salvaguardas mais rigorosas sejam estabelecidas, derrotou o republicano Greg Abbott, que tentava um quarto mandato.

Na mesma transmissão, Brad Gerstner, CEO da Altimeter Capital, alertou que a onda democrata poderia impedir que pelo menos 10 a 15 gigawatts de capacidade prevista para centros de dados de inteligência artificial entrassem em operação em 2027.

O analista de Wall Street Dan Ives estimou nesta quarta-feira que 10% dos centros de dados planejados nos Estados Unidos não deverão sair do papel.

A CEO da AMD, Lisa Su, reconheceu a crescente resistência à expansão da inteligência artificial e pediu que as empresas de tecnologia demonstrem os benefícios dos centros de dados para as comunidades locais.

“No fim das contas, precisamos garantir que todos se beneficiem da inteligência artificial”, disse Su à CNBC nesta quarta-feira.

Ainda assim, Wall Street pode ter encontrado oportunidades justamente na desaceleração que preocupa os maiores defensores da IA.

Uma redução na construção de novos centros de dados poderia elevar o valor das instalações já existentes, ao mesmo tempo que diminuiria a enorme pressão sobre os investimentos das gigantes de tecnologia.

As ações das maiores empresas de tecnologia dispararam nesta quarta-feira, acrescentando mais de US$ 750 bilhões em valor de mercado em determinado momento do pregão. Em contrapartida, empresas menores de centros de dados, mais dependentes de dívidas, registraram fortes quedas.

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