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Trump perde o Congresso após vitória dos democratas nas eleições dos EUA; veja as consequências
Publicado 04/11/2026 • 07:47 | Atualizado há 43 minutos
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Publicado 04/11/2026 • 07:47 | Atualizado há 43 minutos
KEY POINTS
Foto: AFP
Donald Trump perde apoio no Congresso após vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos
Donald Trump perdeu o controle do Congresso dos Estados Unidos após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3). Com a oposição conquistando a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, o presidente terá mais dificuldades para aprovar projetos, indicar integrantes do governo e colocar em prática sua agenda política e econômica nos últimos dois anos de mandato.
Os democratas também ganharão mais poder para fiscalizar a Casa Branca e abrir investigações sobre integrantes do governo e negócios da família Trump. A nova composição do Congresso, porém, só entra em vigor em 3 de janeiro de 2027. Até lá, os republicanos continuam com a maioria nas duas casas.
O resultado surpreendeu pela dimensão das vitórias democratas, inclusive em estados tradicionalmente republicanos, como Texas, Kansas e Carolina do Sul, onde o partido conquistou cadeiras no Senado. A votação ocorreu em meio à insatisfação dos americanos com o custo de vida, as tarifas comerciais e a guerra contra o Irã, aumentando também a pressão sobre a liderança de Trump dentro do Partido Republicano.
Leia também: Midterms nos EUA: quais setores da economia brasileira podem ser afetados por uma vitória democrata?
A consequência mais imediata da derrota é a perda da maioria parlamentar que permitiu aos republicanos conduzir a agenda legislativa de Trump durante os dois primeiros anos de seu segundo mandato.
Com o controle da Câmara, os democratas poderão impedir a aprovação de projetos defendidos pelo presidente e aumentar a pressão sobre o governo durante negociações orçamentárias.
No Senado, a nova maioria também poderá dificultar a confirmação de indicados por Trump para cargos no governo, agências federais e tribunais, incluindo eventuais vagas na Suprema Corte.
Apesar da vitória, os democratas também enfrentarão limitações. A maior parte dos projetos depende de pelo menos 60 votos no Senado para superar obstáculos regimentais, enquanto Trump poderá vetar leis aprovadas pelo Congresso. Para derrubar um veto presidencial, são necessários dois terços dos votos nas duas casas.
A Casa Branca já vinha se preparando para a possibilidade de perder o controle do Congresso. Desde abril, integrantes do governo trabalham em alternativas para manter a agenda de Trump por meio de decretos e outras medidas administrativas, sem depender da aprovação de novas leis.
Os planos envolvem políticas de imigração, tarifas comerciais, habitação e gastos federais. Entre as medidas consideradas estão novas restrições a vistos de trabalhadores e estudantes estrangeiros, tarifas sobre determinados produtos importados e mudanças nas regras de distribuição de recursos públicos.
Trump também indicou que pretende recorrer ao veto para barrar propostas da oposição. Em entrevista à CBS News, concedida antes do encerramento da votação, afirmou estar preparado para impedir a aprovação de projetos democratas caso seu partido perdesse o controle do Congresso.
A estratégia tem limites: medidas executivas podem ser contestadas na Justiça, e o Legislativo mantém o controle sobre a aprovação de despesas federais.
Com o comando das comissões parlamentares, os democratas poderão convocar autoridades para prestar depoimentos, exigir documentos e investigar possíveis irregularidades na administração Trump.
Entre os assuntos mencionados por parlamentares democratas estão os negócios da família Trump, especialmente no setor de criptomoedas, possíveis conflitos de interesses, contratos públicos e a condução do caso Jeffrey Epstein.
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Siga o Times | CNBCO deputado Robert Garcia, integrante da Comissão de Supervisão da Câmara, já sinalizou a intenção de investigar negócios ligados à família do presidente e a atuação de integrantes do governo.
As investigações poderão enfrentar resistência da Casa Branca, que tem a possibilidade de contestar judicialmente pedidos de documentos e convocações.
Os democratas pretendem colocar em discussão propostas para reduzir custos de saúde, rever tarifas comerciais e ampliar a fiscalização sobre decisões econômicas da Casa Branca.
A política tarifária deve receber atenção especial. Parlamentares da oposição defendem uma revisão das medidas adotadas por Trump e maior participação do Congresso nas decisões sobre comércio exterior.
A vitória democrata, porém, não provoca a revogação automática das tarifas. Para o Brasil, o novo equilíbrio político abre espaço para maior fiscalização da política comercial americana, mas não garante a retirada das sobretaxas que atingem produtos brasileiros.
A derrota republicana também pode aumentar a pressão sobre a política externa de Trump, especialmente em relação às guerras no Irã e na Ucrânia. Os democratas poderão ampliar a fiscalização sobre decisões militares, questionar gastos e tentar limitar a atuação do governo nos conflitos.
A guerra contra o Irã deve ser um dos principais focos da oposição. Os democratas poderão apresentar propostas para restringir a atuação militar americana e limitar o financiamento de operações. A eficácia dessas medidas, porém, dependerá das negociações no Congresso e de possíveis disputas com a Casa Branca.
Na Ucrânia, a mudança pode dificultar uma tentativa de Trump de pressionar Kiev a aceitar condições favoráveis à Rússia. Segundo análise do economista-chefe do banco alemão Berenberg, Holger Schmieding, à CNBC internacional, a derrota eleitoral tende a reduzir a influência do presidente sobre os próprios republicanos, muitos dos quais não compartilham sua posição em relação ao presidente russo, Vladimir Putin.
O controle democrata do Congresso eleva o risco de confrontos sobre gastos públicos, orçamento e financiamento do governo federal. A falta de acordo poderá resultar em paralisações de serviços públicos, conhecidas como shutdowns.
O primeiro teste ocorrerá ainda antes da posse do novo Congresso. O financiamento temporário do governo vence em 11 de dezembro, quando os republicanos ainda estarão no comando do Legislativo. A partir de janeiro, as negociações poderão se tornar mais difíceis, especialmente em temas que exigem aprovação de recursos ou mudanças na legislação.
A derrota também coloca em xeque a influência de Trump sobre o Partido Republicano. Candidatos apoiados pelo presidente perderam disputas importantes, enquanto os democratas avançaram em estados e distritos tradicionalmente favoráveis aos republicanos.
O resultado pode estimular divergências internas sobre a estratégia eleitoral do partido e aumentar a pressão por mudanças antes da eleição presidencial de 2028.
A disputa pela sucessão também tende a ganhar força. Impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato, Trump poderá enfrentar maior resistência de lideranças republicanas interessadas em disputar a Presidência.
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