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Publicado 09/06/2026 • 08:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Home office perdeu espaço? Saiba por que modelo não é prioridade para os trabalhadores
Mesmo com a consolidação do trabalho remoto nos últimos anos, o home office não ocupa as primeiras posições quando o assunto é prioridade na escolha de um emprego no Brasil.
De acordo com a 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o trabalhador brasileiro ainda valoriza, principalmente, salário, estabilidade e crescimento profissional.
O levantamento, realizado pela Nexus com 2.008 pessoas com 16 anos ou mais, em todos os estados e no Distrito Federal, entre outubro de 2025, ajuda a explicar por que, mesmo com o avanço de modelos mais flexíveis, o trabalho remoto não se tornou o principal fator de decisão.
Os dados mostram que 28,7% dos entrevistados apontam o salário como principal diferencial na escolha do emprego ideal. Em seguida, aparecem a estabilidade no emprego, com 22,4%, e a perspectiva de crescimento na carreira, com 20,1%.
Logo depois surgem fatores ligados à flexibilidade. A flexibilidade de horário foi citada por 19,3% dos participantes, enquanto o home office aparece com 15,9%. A jornada reduzida fica em último lugar, com 9,8%.
Embora a discussão sobre flexibilidade tenha crescido nos últimos anos, os dados indicam que ela ainda não supera fatores ligados à segurança e previsibilidade.
Segundo a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Claudia Perdigão, esses elementos ainda são fortemente associados ao emprego formal com carteira assinada, o que ajuda a explicar a preferência do trabalhador brasileiro por estabilidade e renda fixa.
A pesquisa também mostra consistência na valorização da CLT. Mais de um terço dos entrevistados que buscaram emprego recentemente consideram o vínculo formal o tipo de oportunidade mais atrativa. Entre os jovens de 25 a 34 anos, esse número chega a 41,4%.
O estudo também aponta os principais obstáculos enfrentados pelos brasileiros no mercado de trabalho. A falta de vagas com boas condições aparece como principal barreira, citada por 22% dos entrevistados.
Em seguida, surgem a falta de experiência prática (17,6%) e a ausência de cursos de formação na região onde vivem (16,9%). A necessidade de cuidar de familiares também pesa, sendo citada por 16,1%.
Outros fatores, como falta de informação sobre vagas, baixa qualificação e discriminação por parte de empregadores, também aparecem entre os desafios.
Outro dado relevante é que 43% dos brasileiros não conseguem dizer em qual profissão estarão daqui a cinco anos. A insegurança é mais forte entre trabalhadores mais velhos e, segundo a pesquisa, está ligada às transformações tecnológicas no mercado de trabalho.
Entre os que conseguem projetar o futuro, 13,9% afirmam querer abrir o próprio negócio, principalmente em áreas como comércio e serviços.
Apesar das incertezas, o nível de satisfação com o emprego atual é alto: 95% dos entrevistados dizem estar satisfeitos, sendo 70% muito satisfeitos.
Por outro lado, o levantamento mostra um desafio importante. Apenas 44,5% dos trabalhadores possuem habilidades digitais mais complexas, como uso de inteligência artificial, planilhas e sistemas, um ponto crítico em um mercado cada vez mais tecnológico.
Leia também: Salário é fator principal na escolha de emprego para 28,7% dos brasileiros; entenda
Os dados da CNI mostram que, embora o home office e a flexibilidade tenham ganhado espaço no debate sobre o futuro do trabalho, eles ainda não são prioridade para o trabalhador brasileiro.
Salário, estabilidade e crescimento profissional seguem como os principais fatores na escolha de um emprego, explicando por que o home office não lidera as preferências atualmente.
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